Menu
Busca quarta, 08 de abril de 2020
(67) 9860-3221

Renda é relevante para o consumo de alimentos orgânicos

05 dezembro 2012 - 15h15

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da USP, em Piracicaba, um estudo que descreve a disponibilidade de alimentos orgânicos nos domicílios brasileiros revelou que existe uma relação entre o aumento da renda e a disponibilidade domiciliar desses produtos em todas as regiões brasileiras. O nível de renda é fator relevante ao consumo de alimentos orgânicos.

“No Brasil, as informações com relação à disponibilidade e ao consumo alimentar de orgânicos são escassas, não existindo dados obtidos por meio de pesquisas de base populacional, em nível nacional, que permitam conhecer a situação atual e também viabilizar o acompanhamento das mudanças ocorridas nos últimos anos”, afirma a economista doméstica Edinéia Dotti Mooz.

A busca por alimentos provenientes de sistemas de produção mais sustentáveis, como os métodos orgânicos de produção, é uma tendência que vem se fortalecendo mundialmente. Sob orientação de Marina Vieira da Silva, professora do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição (LAN), a pesquisa baseou-se nos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 19 de maio de 2008 e 18 de maio de 2009, considerando uma amostra de 55.970 mil domicílios (áreas urbanas e rurais) em todo o território brasileiro.

“Na prática, descrevemos a disponibilidade domiciliar de alimentos orgânicos no Brasil, de acordo com as grandes regiões (Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste), unidades da federação, estrato geográfico (rural ou urbano), rendimento mensal familiar e a contribuição dos grupos de alimentos”, explica Edinéia.

Além disso, o estudo analisou o conteúdo de energia, macronutrientes (carboidratos, lipídeos e proteínas), fibras, vitaminas, minerais e carotenoides, oriundo dos alimentos orgânicos e caracterizou as famílias segundo as condições sociodemográficas. “Foi possível verificar a diferença existente na disponibilidade de produtos orgânicos, notadamente quando são consideradas as grandes regiões, situação do domicílio e rendimentos, exibindo resultados que podem ser considerados referenciais por envolver análises de dados obtidos de forma pioneira no Brasil, continua a autora da pesquisa.

“Com relação aos grupos alimentares, merece destaque a maior participação dos Laticínios, especialmente para as famílias moradoras nas áreas rurais da região Sul. Para a região Centro-Oeste, no entanto, foram identificados os valores (médios) que superaram as médias nacionais e aqueles obtidos para as demais regiões para os grupos de Aves e Carnes. Verifica-se que o consumo de alimentos orgânicos de origem animal se destacou em relação aos produtos considerados relativamente mais baratos, tais como frutas e vegetais”, aponta Edinéia.

Baixa contribuição

A participação dos macronutrientes energéticos, no Valor Energético Total (VET) e a presença das vitaminas e minerais, fibras e carotenoides oriundos dos alimentos orgânicos revelaram reduzida contribuição para os moradores da totalidade das regiões. No entanto, a participação média diária de energia entre as famílias mostra tendência crescente, conforme aumenta a renda, destaca.

No que se refere às características sociodemográficas das famílias, o estudo verificou que quanto menor o número de moradores por domicílio, independente da região, maior a disponibilidade alimentar de orgânicos. Destaca-se ainda que com o aumento da renda registra-se crescimento na disponibilidade de orgânicos nos domicílios com chefe/responsável do sexo feminino e a maior propensão ao consumo é verificada entre pessoas mais velhas (60 anos ou mais). “No entanto, evidencia a reduzida quantidade (média) disponível de alimentos orgânicos para a totalidade das famílias brasileiras”, comenta.

O Brasil se destaca como um dos grandes produtores em área plantada de alimentos orgânicos e esta agricultura é considerada estratégica na implementação de políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional, notadamente aquelas que envolvam estímulos à aquisição de alimentos saudáveis.

“Desse modo, sugerimos ações direcionadas ao fortalecimento da agricultura orgânica familiar e para a mudança de hábitos alimentares envolvendo, prioritariamente, atividades relativas à educação para o consumo e o desenvolvimento de técnicas de produção de alimentos mais seguros do ponto de vista da saúde, da produtividade e da sustentabilidade.

Deixe seu Comentário

Leia Também

COTAÇÃO
Dólar fecha em queda nesta quarta-feira
COVID-19
Dos casos de coronavírus em Dourados, três estão curados e um internado
SUSTO
Trabalhador fica apenas com a cabeça para fora de fossa após deslisamento
DOURADOS
Universidade recebe mais 5 mil litros de etanol para produção de álcool 70%
COVID
Brasil registra 800 mortes pelo novo coronavírus
EPIDEMIA
Com mais uma vítima, MS registra 22 mortes por dengue neste ano
BRASIL
Regularização de CPF pode ser feita pelo site da Receita Federal
DECRETOS
População atende apelo e Glória de Dourados fica sem casos suspeitos de coronavírus
IVINHEMA
Com filhos no carro, mulheres são flagradas com mais de 20kg de maconha
GRANDE DOURADOS
Médico faz projeção e expõe capacidade da saúde para atender situação de emergência

Mais Lidas

DOURADOS
Mulher tenta desviar de buraco, é atropelada por carreta e morre
FLEXIBILIZAÇÃO
Com restrições, comércio volta a funcionar amanhã em Dourados
FLEXIBILIZAÇÃO
Confira o que muda em Dourados com novo decreto do comércio
DOURADOS
Vítimas foram atingidas com 12 disparos de pistola no Jardim Carisma