quarta, 18 de fevereiro de 2026
Dourados
23ºC
Acompanhe-nos
(67) 99257-3397

Problema da Justiça brasileira é apatia da magistratura

26 setembro 2011 - 12h05

O problema da Justiça brasileira é a apatia dos juízes, e não a falta de recursos financeiros e humanos e a ausência de uma reforma processual. A opinião é do juiz federal Ali Mazloum, titular da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. "O juiz, na primeira chance que tem de adiar, de empurrar a audiência, ele faz. Não muda a rotina dos processos porque não quer. Está acostumado a postular alterações legislativas, pedir mais orçamento, mais pessoal e instalação de mais varas. Grande equívoco", afirmou Mazloum em entrevista ao jornalista Fausto Macedo publicada pelo O Estado de S. Paulo.

A pregação de Mazloum vai contra o argumento dominante entre seus colegas. É frequente ouvir deles que o Judiciário precisa de mais verbas, retoques nos códigos ou mais comarcas. Tudo isso, de acordo com o juiz federal de São Paulo, "é desnecessário". "Quando o Judiciário diz que precisa de mais dinheiro e mais leis, ele está jogando a culpa no Executivo. É uma estratégia equivocada." Em sua opinião, a população paga caro por um Judiciário ineficiente, que não presta bons serviços.

Por isso, há três anos, Mazloum implantou em sua vara o processo cidadão. Entre as principais conquistas, está o prazo inalterável do processo, que "tem que acabar em dez meses, nenhum dia a mais". Quando começou o projeto, tinha mil ações penais nas mãos. Hoje, tem 270. "Basta vontade para mudar a máquina do Judiciário. Bastam pequenas alterações, não precisa de grandes milagres e reformas", resume.

Com o processo cidadão, a vida de uma ação ficou mais curta. "Quando o réu é citado, no início da ação, ele já fica ciente do dia em que será julgado. Adotamos uma pauta inteligente, concentração de atos processuais sem causar danos ao contraditório e à ampla defesa. É trabalho em equipe, todos os funcionários da vara empenhados. A audiência é improrrogável", explica Mazloum.

Para comprovar, o juiz faz contas: em 2007, a 7ª Vara Criminal Federal de SP tinha mil ações penais, com duração média de quatro anos. O custo de cada processo era de R$ 2.150 — R$ 44,79 por mês por processo, dos quais "70% em salários e 30% em insumos". Com o processo cidadão, conta, o preço de cada ação passou a ser R$ 1.892, ou R$ 39,41 por mês — um abatimento de 40%.

Entre iguais
Ali Mazloum também cita sua famosa disputa pelo lugar de acusação e defesa. Para ele, "acusação e defesa devem estar em pé de igualdade" perante o Estado. Hoje, porém, o representante do Ministério Público fica sentado à direita do juiz, em lugar mais alto do que o advogado.

Sua luta pela causa é antiga. Ele tem uma disputa com a desembargadora federal Cecília Marcondes pelo lugar do Ministério Público nas audiências da Justiça Federal. Ele havia determinado que o promotor e o advogado se sentassem "ombro a ombro" com o juiz, garantindo tratamento igualitário. Ela, porém, obteve uma liminar para garantir que o MP continuasse em seu lugar privilegiado.

Mazloum, então, foi ao Supremo Tribunal Federal registrar uma reclamação contra a liminar, pois sua decisão visou garantir a igualidade e isonomia entre todos nos processo. Na fala ao Estadão, o juiz se defendeu mais uma vez: "o processo é feito para inocentes, não para culpados. É um instrumento de interlocução entre o acusado e o Estado, não é instrumento de punição, espada na cabeça do réu. Acusado e Estado, acusação e defesa, devem estar em pé de igualdade. Obrigações, direitos e deveres para ambos os lados."

Fonte: Revista Conjur

Deixe seu Comentário

Leia Também

Vila Carvalho vence Carnaval de Campo Grande por um décimo
COMPETIÇÃO

Vila Carvalho vence Carnaval de Campo Grande por um décimo

CASO MASTER

CPI do INSS agenda depoimento de Vorcaro para 23 de fevereiro

IVINHEMA

Mulher é agredida com pedaço de madeira pelo companheiro

TEMPORÁRIOS

Com salários de R$ 10,2 mil, UEMS seleciona professores de Teatro

REGIÃO

'Colega' se oferece para carregar celular e faz Pix de R$ 4 mil

JUDICIÁRIO

Ministros temem crise no STF e contaminação de julgamentos

CONTRABANDO

Motorista é preso com mais de 100 emagrecedores na fronteira

TÊNIS

João Fonseca e Marcelo Melo avançam para semifinal do Rio Open

TERENOS

Mulher trans que morreu em abordagem policial é sepultada

TRÊS LAGOAS

Prefeitura abre inscrições para Processo Seletivo com 304 vagas

Mais Lidas

DOURADOS

Mulher é detida após consumir produtos em feira do Jardim São Pedro e se recusar a pagar

ACIDENTE

Motorista é preso após colidir contra moto e deixar jovem em estado gravíssimo na BR-163

CLIMA

Dourados terá terça-feira de calor intenso e alerta para chuvas fortes, aponta Inmet

DOURADOS

Interrogatório revela que padrasto chutou e mãe mordeu criança porque ela não parava de chorar