quinta, 19 de fevereiro de 2026
Dourados
22ºC
Acompanhe-nos
(67) 99257-3397

Podemos ficar sem energia no futuro, dizem cientistas

10 janeiro 2012 - 18h42

Um apagão eterno. Esqueça o micro-ondas, a televisão e o computador. Nada também de banho quente debaixo do chuveiro elétrico ou de ida de carro até o supermercado. Esse é o futuro se o mundo não começar a investir pesado em fontes alternativas de energia. Claro, isso tudo é um exagero, e a situação do Brasil é bem menos desesperadora. No entanto, o alarme para o fim da disponibilidade de combustíveis fósseis já soou e nos coloca frente a uma importante questão: o que é preciso fazer para não ficarmos sem energia no futuro?


Agora, indicam os especialistas, é hora de pensar nas fontes sustentáveis de energia. "Não tem outro caminho senão investir nas fontes renováveis e na maior racionalidade no consumo de energia", diz Luiz Augusto Horta Nogueira, professor titular do Instituto de Recursos Naturais da Universidade Federal de Itajubá e consultor das Nações Unidas em temas energéticos. Atualmente, a matriz energética do Brasil é singular se comparada ao panorama mundial. Ao redor do planeta, cerca de 80% da energia é oriunda de combustíveis fósseis. Aqui, esse percentual é de 54%, enquanto o restante é obtido por meios renováveis. O quase equilíbrio atingido pelo Brasil nos coloca em uma situação mais confortável, mas ainda não suficientemente independente. "Se continuarmos assim, até 2050 as reservas de pré-sal descobertas nos últimos anos terão acabado", destaca Horta.


Investir em apenas uma fonte alternativa, entretanto, não é a saída, aponta Júlio César Passos, professor do departamento de engenharia mecânica e coordenador do programa de pós-graduação em engenharia mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina. Para o também pesquisador dos Laboratórios de Engenharia de Processos de Conversão e Tecnologia de Energia da universidade (LEPTEN), o país deve investir em uma matriz energética diversificada. "O Brasil ainda depende demais de fontes hídricas. Mais de 80% da energia elétrica do país é gerada por esse tipo de fonte", alerta o professor. A dependência de apenas uma fonte é prejudicial ao País, mesmo que essa fonte seja abundante, como no caso da água. Apesar de não explorarmos todo o potencial hídrico do território brasileiro, não podemos ficar dependentes dos reservatórios. Se ficarmos, o risco de blecaute total é bem presente. "Não existe meios de armazenarmos energia elétrica em grande quantidade para épocas de redução dos reservatórios, como é o caso do verão. Por isso é necessário o racionamento de energia nos períodos mais secos", explica.


Para os próximos anos, Passos aponta para o crescimento da utilização da biomassa, por meio do biocombustível. "É a menina dos olhos do governo", declara. Segundo o professor, o País tem o conhecimento necessário, a tecnologia já está disponível e a logística - basicamente, a rede de postos de abastecimento e distribuição - já está instalada no País. Mas Horta diz que espera o crescimento da energia eólica, que deve ter sua capacidade instalada no Brasil multiplicada por seis. De mil megawatts produzidos hoje a partir da energia eólica, a expectativa é que chegue a 6 mil até 2015.


A energia solar também irá ganhar mais destaque no cenário energético nacional, afirmam os pesquisadores. "Até o empresário Eike Batista investiu nisso", comenta Passos. A usina MPX Tauá, inaugurada pelo empresário, fica a 337 km de Fortaleza e tem capacidade para gerar um megawatt de energia, o suficiente para atender 1,5 mil famílias. O empresário promete que esse potencial energético irá dobrar em 2012. Para a inauguração da primeira usina de energia solar em escala da América Latina, Eike investiu R$ 10 milhões e utilizou mais R$ 1,2 milhão concedidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Sim, é bem caro. O custo inicial, aliás, é o que impede, por enquanto, a popularização desse tipo de energia. Para Passos, o ideal seria seguirmos o exemplo da China, que reduziu os impostos e incentivou a produção por meio de subsídios às fábricas.


Saiba mais sobre as quatro fontes de energia apontadas pelos especialistas como as apostas para o futuro:


Energia hidráulica

É a mais presente no Brasil. É obtida por meio de turbinas hidráulicas acionadas pela força de uma queda d¿água. São classificadas em dois grupos: usinas hidrelétricas (UHE) e pequenas centrais hidrelétricas (PCH), com maior e menor capacidade de produção e reserva de água, respectivamente.


- Vantagens: fonte de energia renovável e confiável; pode contribuir positivamente para os chamados usos múltiplos - abastecimento de água, navegabilidade, irrigação, turismo, lazer, pesca e outros projetos regionais de desenvolvimento; o custo final da energia, com operação e manutenção, é atrativo, mesmo com os custos ambientais e sociais internalizados.


- Desvantagens: dependendo do projeto, pode ocorrer perda de área de terra e de biodiversidade; alteração do microclima; alteração da fauna e da flora; alterações no regime e na qualidade da água; risco de rompimento de barragens; expulsão de populações e perda do equilíbrio socioeconômico local; necessidade de grandes volumes de capital.


Energia eólica

É conseguida com a energia do vento, que movimenta um rotor de hélice ou multipás, que, por meio de um sistema mecânico de transmissão, aciona um conversor (gerador elétrico). O conjunto todo é o que conhecemos como aerogerador. Atualmente, os parques eólicos são responsáveis pela produção de mil megawatts de energia.


- Vantagens: fonte de energia renovável; não emite poluentes; o custo final vem caindo.


- Desvantagens: depende do regime de vento e, por isso, deve ser usada em combinação com fontes mais constantes; quando de pequeno porte, necessita de um conjunto de baterias para armazenamento da energia; pode causar interferências eletromagnéticas nos sistemas de comunicação; eventualmente poluição sonora; morte de aves e interferência em suas rotas migratórias.


Biomassa

É conseguida por meio da queima de derivados recentes do processo da fotossíntese, como a lenha e os produtos da cana-de-açúcar, responsáveis por quase 30% da produção total de energia no Brasil.


- Vantagens: fonte de energia renovável; baixo custo da energia gerada; representa disposição, tratamento, destinação e reciclagem dos resíduos de natureza biológica.


- Desvantagens: para viabilizar o projeto é necessário garantir um volume mínimo e a proximidade da fonte de biomassa; há o risco de competição pelo uso da terra: emissão de CO2 e NOX e partículas; disputa da área plantada, que poderia ser reservada para o cultivo de alimentos.


Energia solar

É dividida em dois tipos: térmica e fotovoltaica.

Energia solar térmica (heliotérmicas): O gerador elétrico é acionado por turbina a vapor, que é acionada indiretamente pelo calor liberado pelos raios solares. - Vantagens: baixo impacto ambiental; fonte de energia renovável; não emite poluentes; adequada para suprir eletricidade para pequenas cargas, onde não há viabilidade econômica para a extensão da rede elétrica


- Desvantagens: grande volume de investimento para implantação de plantas com porte comercial; poucas linhas de crédito privadas disponíveis.


Geração fotovoltaica: Conversão da energia existente nos fótons da luz solar em energia elétrica.

- Vantagens: os painéis fotovoltaicos de silício já são uma tecnologia dominada. - Desvantagens: custo elevado, desenvolvimento comercial ainda depende de vantagens tarifárias por meio de políticas públicas.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Vila Carvalho vence Carnaval de Campo Grande por um décimo
COMPETIÇÃO

Vila Carvalho vence Carnaval de Campo Grande por um décimo

CASO MASTER

CPI do INSS agenda depoimento de Vorcaro para 23 de fevereiro

IVINHEMA

Mulher é agredida com pedaço de madeira pelo companheiro

TEMPORÁRIOS

Com salários de R$ 10,2 mil, UEMS seleciona professores de Teatro

REGIÃO

'Colega' se oferece para carregar celular e faz Pix de R$ 4 mil

JUDICIÁRIO

Ministros temem crise no STF e contaminação de julgamentos

CONTRABANDO

Motorista é preso com mais de 100 emagrecedores na fronteira

TÊNIS

João Fonseca e Marcelo Melo avançam para semifinal do Rio Open

TERENOS

Mulher trans que morreu em abordagem policial é sepultada

TRÊS LAGOAS

Prefeitura abre inscrições para Processo Seletivo com 304 vagas

Mais Lidas

ACIDENTE

Motorista é preso após colidir contra moto e deixar jovem em estado gravíssimo na BR-163

DOURADOS

Mulher é detida após consumir produtos em feira do Jardim São Pedro e se recusar a pagar

CLIMA

Dourados terá terça-feira de calor intenso e alerta para chuvas fortes, aponta Inmet

DOURADOS

Interrogatório revela que padrasto chutou e mãe mordeu criança porque ela não parava de chorar