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LAVAGEM DE DINHEIRO

PGR denuncia Geddel e pede a prisão domiciliar da mãe e do irmão

05 dezembro 2017 - 06h46Por G1

A Procuradoria-Geral da República denunciou nesta segunda-feira, dia 04 de dezembro, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o irmão dele, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Junto com a denúncia, a PGR pediu a prisão domiciliar do deputado e da mãe dos irmãos Vieira Lima, Marluce. Geddel está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, desde setembro após a descoberta da fortuna, a maior apreensão de dinheiro vivo da história da Polícia Federal.

A denúncia se refere ao caso dos R$ 51 milhões em dinheiro vivo atribuídos a Geddel, pela Polícia Federal (PF), encontrados em malas em um apartamento em Salvador.

Agora caberá ao ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, decidir se eles se tornarão réus ou não.
Além de Geddel e Lúcio Vieira Lima, a PGR também acusou formalmente outras quatro pessoas:

a mãe deles, Marluce Vieira Lima;

o ex-assessor Job Ribeiro, que trabalhava com Lúcio Vieira Lima;

o ex-diretor da Defesa Civil de Salvador Gustavo Ferraz;

o sócio da empresa Cosbat Luiz Fernando Costa Filho

"Só comentamos documentos formais”, afirmou a defesa de Geddel Vieira Lima, Lúcio Vieira Lima e da mãe deles. O advogado de Job Ribeiro disse só comentará quando tiver acesso à denúncia. Até a última atualização desta reportagem, as defesas de Gustavo Ferraz e Luiz Fernando Costa Filho não tinham sido localizadas.

Origem do dinheiro

A procuradoria aponta como possíveis fontes dos R$ 51 milhões:

propinas da construtora Odebrecht;

repasses do operador financeiro Lúcio Funaro;

desvios de políticos do PMDB;

Os procuradores também avaliam se uma parcela dos R$ 51 milhões corresponde à parte dos salários de assessores que, segundo a PF, eram devolvidos aos Vieira Lima. Isso será apurado em um inquérito da Polícia Federal que investigará peculato (crime cometido por servidor público).

Investigação

Na semana passada, a Polícia Federal concluiu o inquérito que investigou a participação dos acusados no caso.

O documento da Polícia Federal detalha as razões pelas quais considera ilegal a origem dos R$ 51 milhões encontrados no apartamento em Salvador:

"Não é crível que uma pessoa dispusesse da absurda quantia se não houvesse o propósito de ocultar a sua existência; nem que duas figuras públicas com a inteligência do parlamentar Lúcio Vieira Lima e seu irmão Geddel, além de sua mãe, deixassem de auferir rendas se este valor estivesse devidamente declarado e formalmente inserido no sistema financeiro nacional e destacou a obrigatoriedade legal, moral e de transparência que esses representantes do povo tem de manter suas contas e finanças."

Segundo as investigações, o dinheiro pertence a Geddel, e Lúcio Vieira Lima providenciou o apartamento onde as malas estavam guardadas.

De acordo com a PF, as impressões digitais de Gustavo Ferraz, Job Ribeiro e Geddel Vieira Lima foram encontradas nos sacos que envolviam o dinheiro. Job colaborou com as investigações. Afirmou à Polícia Federal que, a mando de Geddel e Lúcio, jogou documentos no vaso sanitário.

A polícia mostrou fotos do dinheiro, feitas no dia da apreensão, ao operador Lúcio Funaro, que diz ter repassado R$ 20 milhões a Geddel. Funaro informou que os valores envoltos em ligas, com pedaço de papel onde havia impresso o valor constante do maço de dinheiro, era exatamente como retirava o dinheiro dos seus doleiros e repassava para Geddel.

Um relatório do Banco Central, feito a pedido da PF, apontou que quase todas as cédulas identificadas foram distribuídas a partir do Banco do Brasil em São Paulo, de 2012 a 2015. Ainda não há uma certeza absoluta do local, da agência onde o dinheiro foi retirado. Delegados e procuradores vão continuar aprofundando essas investigações.

Geddel nunca falou sobre a origem do dinheiro. Ficou calado após ter sido preso em setembro. A polícia diz que o irmão dele, o deputado Lúcio Vieira Lima, não compareceu a depoimento na semana passada. Ele tem direito de não ir, mas perde a chance de apresentar sua versão sobre o caso à Polícia Federal.

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