Menu
Busca terça, 15 de junho de 2021
(67) 99257-3397
ARTIOGO

Missão de mãe

15 maio 2021 - 17h40Por Rodolpho Barreto

Mês de maio é mês das mães! Na verdade, não tem um dia que não seja "dia das mães". As mulheres que tem filhos sabem - depois que vira mãe, não tem como "desvirar", nem mesmo por um dia. Acho que nem por um minuto. Algumas mães conseguem deixar a cria com os avós ou com uma babá, para trabalhar, passar um momento com o esposo, cuidar de si, ou até viajar por uns dias. Mas o seu coração está lá, com os filhos.

Nem precisamos ir tão longe. Quando o filho vai começar a dormir sozinho no quarto? Os pediatras recomendam: quanto mais cedo melhor. As mães resistem. "E se algo acontecer? Eu preciso estar por perto!" Uma amiga me disse que o bebê dela foi com apenas três meses para o próprio quarto. Mas acompanhado de uma boa babá eletrônica, claro! Durante um tempo, mesmo sem a criança chorar, ela acordava algumas vezes e ficava assistindo o baby dormir pela telinha. E quando eles crescem um pouco mais, acordam na madrugada, e querem dormir na cama dos pais? Difícil resistir ao pedido. "Tudo bem meu filho, só hoje". 

Tudo isso é muito fofo, não é? Como dizem: "para as mães os filhos nunca crescem, serão sempre eternas crianças". Mas a verdade é que eles crescem sim, bastante. Quando menos esperamos, estão enormes! Tornar-se mulheres e homens feitos. A missão sagrada das mães é a de acolher a criatura que lhe foi ofertada, inicialmente pequenina, indefesa. Mas, acima de tudo, sua missão consiste no dever maior de preparar (educar) esta alma para a vida!

Mães! Compreendem o seu grande papel no mundo? Quando um corpo é produzido por meio do seu ventre, a alma que nele encarna vem para progredir. Tal a missão que vos está confiada. Os vossos cuidados e educação auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe será cobrado: "Que fizestes do filho de Deus confiado à vossa guarda?" 

Mães! Fazei-vos merecedoras da benção divina da maternidade, ensinando aos vossos filhos que eles estão na Terra para evoluir, amar e bendizer. Desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus (vícios ou virtudes). A estudá-los devem os pais aplicar-se.  Infelizmente, muitas mães, em vez de buscar eliminar por meio da educação estes maus princípios, fazem com que se desenvolvam tais vícios, por uma culposa fraqueza, descuido ou omissão. O resultado será o vosso coração ulcerado pela desgosto de ver os vossos filhos adultos sem os valores que deveriam ter sido cultivados na infância. 

Espreitem, pois, os indícios reveladores do gérmen dessas más inclinações e cuidem de combatê-las, sem esperar que lancem raízes profundas. Façam como o bom jardineiro, que aduba, rega, mas também poda onde é preciso. Pois, se deixarem se desenvolvam as más tendências de hoje, não se espantem de serem mais tarde pagos com a ingratidão. 

A tarefa de educar é trabalhosa, evidentemente, mas não é tão difícil assim. Porém, necessita boa vontade. Não exige o saber do mundo. Não precisa de diplomas. Mas pede esforço e comprometimento. Podem desempenhá-la cultos e ignorantes. Não raro, vemos mães de alta escolarização com mais falhas na boa educação de seus filhos que outras, menos instruídas, mas mais conscientes do seu papel materno, de educar mais - e mimar menos.

Mas quando os pais hão feito tudo o que devem pelo adiantamento moral de seus filhos, se não alcançam o resultado esperado, podem conservar tranquila a consciência. Cada alma tem a sua liberdade de agir na direção que quiser. Quando amadurecer, o filho rebelde terá a semente da boa educação dada pelos pais dentro de si, que nunca se perde.

Khalil Gibran escreveu: "Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe..." O arco são os pais e as mães. A força que lança a flecha são os esforços em educar os filhos amados.

Um filme chamado "Mãos Talentosas" (foto) conta a história verídica de Ben Carson, um menino negro, pobre, discriminado e com baixo desempenho escolar. Mas sua mãe, uma humilde faxineira, analfabeta, mesmo sozinha, não mediu esforços para que o filho superasse todos os obstáculos e acreditasse em si mesmo, tornando-se vitorioso, na escola e na vida. Amorosa, dedicada e comprometida, além de sempre incentivar e cobrar os bons modos, determinou ao filho que fizesse a leitura de dois livros por semana na biblioteca pública da cidade (ela restringiu o tempo dele na frente da televisão e ainda exigiu resumos dos livros lidos). Assim, o Dr. Carson tornou-se o melhor médico neurocirurgião pediátrico do mundo, ao fazer pela primeira vez a separação de dois bebês gêmeos siameses, unidos pela cabeça (uma operação complexa que exigiu 5 meses de preparativos e 22 horas de cirurgia). "Mãos Talentosas" revela também uma "Mãe Talentosa", que dá uma linda lição sobre o que é ser uma mãe de verdade. Vale a pena assistir!

Há uma frase curiosa repetida por alguns pais: "Filho criado, trabalho dobrado!" Vamos pensar nisso. Trabalho dobrado? Certa vez, escutei em uma palestra uma colocação muito interessante a respeito do trabalho com inteligência. Disse o palestrante que a pessoa inteligente é aquela que busca fazer a sua tarefa da melhor forma possível, desde o início, para não ter que fazer duas ou mais vezes depois o mesmo trabalho. Isso faz muito sentido e serve para qualquer coisa! Afinal, prevenir é sempre melhor e mais fácil que remediar, não é mesmo? Depois do estrago feito, tudo fica mais difícil, mais trabalhoso. Quando descuidamos dos nossos deveres, cedo ou tarde, pagamos um preço alto por nosso desleixo, tendo que correr atrás do prejuízo. Ou seja, todo trabalho só pode dar mais trabalho quando não é bem feito desde o começo. Quando trabalhamos direito, normalmente, o resultado satisfatório é garantido. E temos aquela sensação impagável de: missão cumprida! Portanto, papais e mamães, que tal trocarmos a frase para: "Filho bem criado e educado - trabalho encerrado!"

Li um texto que circula na internet dizendo que a mãe sábia é aquela que vai se tornando "desnecessária" com o passar do tempo. Como assim? Não é difícil entender. Como falamos, o dever natural e sagrado de toda mãe é o de receber, acolher e amparar a frágil vida que foi depositada em suas mãos. No entanto, ao lado dos cuidados, do colo, do alimento, do carinho e da proteção maternal, a educação libertadora deve ser a prioridade. A mãe deve saber dosar aquele impulso de querer sempre colocar "a cria embaixo da asa", protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Deve saber, portanto, controlar essa "super-mãe" que existe em quase toda mulher e assim educar o filho para ser o jovem adulto saudável e feliz que sonhamos que ele seja: o futuro bom cidadão, o bom ser humano. Desta forma, para uma mãe desempenhar bem a sua missão, ela precisa se tornar "desnecessária". Precisa "desapegar", aos poucos. O desapego não é desamor, muito pelo contrário

Toda criança uma hora tem que desmamar, o que não significa "desamar". Ser "desnecessária" é não deixar que o amor incondicional de mãe provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de impedir que tornem-se autônomos, responsáveis e confiantes. Afinal, o amor deve ser um processo de libertação permanente, onde esse vínculo vai se transformando ao longo da vida. Portanto, a relação de mãe e filho deve ser construída com base no amor que liberta e não na dependência que aprisiona. O filho bem amado e educado deixa de necessitar de sua mãe, sem deixar de amá-la. Claro que toda mãe é muito "necessária" sim, por um tempo. Especialmente nos primeiros passos da infância.

Mas, conforme a evolução dos filhos, fruto de um amor bem direcionado, a mãe vai deixando de ser uma "necessidade", pois as crianças vão crescendo e aprendendo a "se virar" sozinhas. Não é assim que tem que ser? Desde cedo, os jovens devem ser amorosamente preparados para superar frustrações e fazer escolhas (assumindo as respectivas consequências). A cada etapa da vida, é preciso ir cortando o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda. E um novo ganho! Até o dia em que os filhos alcançam a fase adulta, saem de casa, constituem a própria família... e o ciclo recomeça. 

E se não há mais a "necessidade", o que eles terão das mães quando chegarem nesse momento de maturidade? O amor, a confiança, o apoio, o aconchego e o conforto nas horas difíceis. Da parte dos filhos, a gratidão, a reverência e a certeza de um amor mútuo construído e agora amplificado. "Os filhos aprendem a voar e saem do ninho", mas a eterna e sagrada relação de amor continuará, de uma outra forma. Ao aprendermos a ser "desnecessários", nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar. Mas se o filho adulto ainda tem "necessidade" dos pais para resolverem os seus problemas, alguma coisa falhou no processo. Pais e Mães em solidariedade criam e educam filhos para serem livres e independentes. Esse é o maior desafio e a sua principal missão.

Toda mãe sonha com um mundo melhor para os seus filhos, certo? Mas esquecemos que o mundo melhor para os nossos filhos dependerá dos melhores filhos que pudermos deixar para o mundo. Como dizem (uma grande verdade), "filho a gente cria para o mundo". O objetivo maior da família, a base, a "célula-mãe" da sociedade, consiste em educar o ser para a vida. Como disse Mário Quintana, a família é o "laboratório do amor", portanto, o local onde todos precisam co-laborar. Não é isso? Vamos colocar em exemplos bem práticos? O teu filho colabora em casa de que forma? Lava uma louça? Ou ele mora num hotel? E no grande lar da humanidade? Ele sabe se portar nos ambientes, respeitar o próximo, fazer silêncio? Fazer silêncio?? (Acho que estou pedindo demais, né?) Criar o filho para o mundo, como se diz, é cultivar nele os valores morais que irão formar o futuro cidadão do mundo. As sementes de um mundo melhor são os nossos filhos. A mãe, como já dissemos, deve ser esta jardineira zelosa, trabalhando para que a árvore cresça forte, saudável e produza os melhores frutos que puder.

Mães! Ouçam este apelo! Que querem de seus filhos? Que sejam eternamente dependentes, como bichinhos de estimação? Quantos filhos mais precisamos perder para o suicídio, para as drogas, para o crime ou para a libertinagem sem freios? O que mais precisa acontecer para percebermos que este modelo de educação (ou falta de) está equivocado? Basta desta inversão de valores! Chega deste amor descompensado! Será que isso é mesmo amor? Ou não será muito mais um sentimento de apego, posse e carência falando mais alto? 

Os filhos não são nossos, são filhos de Deus, confiados temporariamente à nossa guarda. As mães são parceiras do Senhor, no conduzir das almas ao caminho do bem! Quem ama verdadeiramente liberta, educa, orienta, quem ama quer ver o ser amado forte, independente e feliz! O amor incondicional de mãe é um sentimento divino, sem dúvidas. Mas não pode servir de pretexto para prejudicar a boa formação dos filhos. O amor deve promover o bem e a libertação da pessoa amada, do contrário, deixa de ser amor, no sentido mais puro da palavra.

Dentre todas as mulheres que se projetaram no mundo, realizando grandes feitos, uma mulher especial jamais será esquecida: Maria de Nazaré. Não ocupou posições sociais, nem acumulou riquezas, mas legou à Humanidade a excelente lição da mulher que gera o filho, alimenta-o e o entrega ao mundo - para servir ao mundo. Hoje, a "rainha do lar" se transformou também na mulher que atua e decide na sociedade. Equilibrada e consciente, ela brilha nos mais diversos setores de trabalho e norteia a família. Embora, no contexto atual, ela seja convocada a interpretar muitos papéis, ela não deve se esquecer do seu mais sagrado papel: o de ser mãe. A esperança do amanhã melhor não está nas crianças. Está nas mães. Pais e mães: Que fazes do filho amado que Deus lhe confiou? "Ser mãe é padecer no paraíso"? Sabemos que a responsabilidade e os sacrifícios exigidos são enormes, mas o fardo não é maior que a força divina de uma mulher-mãe. Rainhas, missionárias, professoras, parceiras de Deus! Dia das mães é todo dia! Feliz dia das Mães!

*O autor do artigo é filho de Maria Joana Barreto Pereira, escritor e colunista nas áreas de desenvolvimento pessoal, espiritualidade e atualidades. Pós-graduado em direito público, é colaborador em trabalhos de assistência/promoção social e educação de jovens e adultos. Sul-mato-grossense, mas atualmente mora no Rio Grande do Sul. Escreveu recentemente o livro beneficente "Palavras de Luz". 100% do valor será revertido para entidades beneficentes da nossa cidade. Entre em contato e saiba como adquirir o livro.

Deixe seu Comentário

Leia Também

INTERNACIONAL
Justiça argentina começa interrogatórios sobre morte de Maradona
Entidades acusam governo federal de perseguir pesquisadores
CÂMARA DOS DEPUTADOS
Entidades acusam governo federal de perseguir pesquisadores
CAPITAL
Mulher é acusada de agredir e xingar policiais em bairro de Campo Grande
FUTEBOL
Copa América: seleção chega ao Rio de Janeiro para jogo contra Peru
Especialistas criticam ausência de programação de combate ao racismo na EBC
CÂMARA DOS DEPUTADOS
Especialistas criticam ausência de programação de combate ao racismo na EBC
INTERNET
Pesquisa aponta inacessibilidade de sites culturais
LEGISLATIVO
Câmara aprova isenção de impostos para beneficiários do "Casa Verde Amarela"
IMUNIZAÇÃO
Covid-19: 82% dos indígenas receberam 1ª dose, diz Ministério da Saúde
COVID-19
Estado acolhe flexibilização de medidas em Dourados, mas mantém bandeira "cinza"
ESPORTES
Ministério da Saúde confirma 41 casos de covid-19 na Copa América

Mais Lidas

DOURADOS
Adolescente morre atropelado na BR-163 e condutor foge do local
REGIÃO
Homem é executado a tiros na rodoviária de Nova Alvorada do Sul
DOURADOS
Jovem é encontrado caído em via na área central e estado de saúde é grave
DOURADOS
Homem tem carro furtado depois de ir com quatro pessoas para motel na BR-463