Os problemas enfrentados pelo McDonald´s na América Latina, onde os seus restaurantes quase não dão lucro, levaram a multinacional a rever a forma como atua na região. A maior cadeia de hambúrgueres do mundo está buscando "compradores" para as suas subsidiárias latino-americanas, incluindo a brasileira, o seu maior ativo na região. Só no Brasil, onde a empresa faturou R$ 2,5 bilhões em 2005, são 544 restaurantes, dos quais 137 franqueados.Além das lojas próprias do McDonald´s, os investidores ficarão também com a gestão das franquias do grupo. Com a operação, em vez de ter subsidiárias integrais, a multinacional passará apenas a receber os royalties pela concessão de sua marca. Essa novo modelo de negócio é chamado internamente pelo McDonald´s de " developmental licensees " , que poderiam ser traduzidas como licenças de desenvolvimento. Fontes do setor ouvidas pelo Valor afirmam que o processo está avançado e que a multinacional está sendo assessorada pelo banco JP Morgan na venda dos ativos. Os interessados - em grande parte fundos de " private de equity " - apresentarão suas propostas nos próximos dias. Executivos do ramo estimam que o McDonald ? s tenha só no Brasil ativos no valor aproximado de R$ 1,5 bilhão.Procurada, a companhia não negou ontem a sua intenção em adotar um novo modelo de negócio. " Como já foi comunicado pela empresa em outras oportunidades, a McDonald´s Corporation tem planos para implementar uma estratégia de Developmental Licensees, dentro dos próximos três anos, em cerca de 15 a 20 países em todo o mundo, representando um número aproximado de 1500 restaurantes " , informou a empresa, por e-mail, ao Valor. O formato pode ser comparado ao modelo de master franquias já utilizado por outras cadeias americanas de fast-food, no qual um grande investidor controla e administra as operações em uma determinada região. Fontes do setor prevêem, porém, que não será fácil para o McDonald´s converter seu modelo de negócio para as " licenças de desenvolvimento " e antevêem possíveis atritos com franqueados. A multinacional enfrentou, há pouco tempo, uma dura disputa judicial com operadores no Brasil e que resultou na decisão de recomprar vários restaurantes. No mercado, especula-se que essa briga tenha custado US$ 150 milhões à subsidiária brasileira, entre a aquisição dos restaurantes, perdão de dívidas e encargos com os litígios. Os números publicados pela corporação nos Estados Unidos mostram que os resultados na América Latina são desanimadores. Vende-se muito mas ganha-se pouco. O lucro operacional da região foi de apenas US$ 30 milhões em 2005, sendo que, em 2004 e em 2003, os resultados ficaram negativos em US$ 20 milhões e US$ 171 milhões, respectivamente. O faturamento, porém, é significativo e vem crescendo. Em 2004, as vendas totalizaram US$ 1 bilhão e, no ano passado, cresceram 32%, atingindo US$ 1,3 bilhão.
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