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Lula vai articular base aliada de Dilma, dizem ex-ministros

22 janeiro 2013 - 12h55

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá a partir de fevereiro "jogar toda sua energia" na articulação política da base de apoio ao governo Dilma Rousseff, disse ontem o ex-ministro Paulo Vannuchi, diretor do Instituto Lula.

Em mais um indicativo de que o ex-presidente pretende atuar na administração federal, Vannuchi afirmou que a tarefa de Lula será identificar conflitos e trabalhar para manter a união dos aliados.

"Lula vai jogar toda sua energia para a manutenção e a consolidação da aliança. Fazer uma agenda de conversas, ver quais são as questões, onde estão as disputas, como fazer para compor as forças", afirmou Vannuchi.

No campo governista, a principal ameaça vislumbrada por petistas ao projeto do partido para as eleições presidenciais de 2014 é o PSB do governador Eduardo Campos (PE), nome cotado para o Palácio do Planalto.

Auxiliares afirmam que Lula não trabalha com a possibilidade de Campos romper com o PT, mas irá se empenhar junto ao socialista pela manutenção da aliança.

"Ele [Lula] tem um papel político a cumprir na constituição da nossa base política e social para 2014", disse o ex-ministro Luiz Dulci, também diretor do instituto do petista.

Desde que encerrou as férias, Lula tem dado demonstrações de que pretende ter intensa atuação política em 2013. Além da articulação no Congresso, ele deve se encontrar com a presidente nos próximos dias para discutir propostas para tentar "destravar" a economia.

Além disso, Lula tem mostrado interesse na administração de Fernando Haddad (PT) em São Paulo, sua principal aposta política na eleição de 2012. Na segunda-feira, o ex-presidente se reuniu com parte do secretariado de Haddad, ocasião em que traçou diretrizes para a gestão petista na capital paulista.

CONGRESSO

Segundo aliados de Lula, além da questão do PSB, sua prioridade será atuar para manter a aliança do PT com o PMDB, que ocupa a vice-presidência da República e deve comandar a Câmara e o Senado a partir de fevereiro.

Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, disse que o ex-presidente pretende se reunir com as bancadas do Congresso, como fez em 2011, no início do governo Dilma e antes da descoberta de um câncer de laringe, já tratado.

Ontem Lula organizou em São Paulo um seminário para discutir a integração da América Latina. Além de intelectuais de oito países, participaram integrantes do alto escalão do governo Dilma: o ministro da Defesa, Celso Amorim, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o assessor da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.

O evento foi fechado à imprensa. Segundo Vannuchi, Lula disse no evento que está aprendendo a ser ex-presidente e que é necessário tomar cuidado para fazer política sem parecer que quer continuar no cargo de mandatário.

Todos os colaboradores descartaram que ele pretenda voltar a se candidatar ao Planalto em 2014. Ele também teria dito que a possibilidade de disputar o governo de São Paulo, defendida pelo marqueteiro João Santana, não faz parte de seus planos.

Já em 2018, após o eventual segundo mandato de Dilma, Lula poderia se candidatar, segundo Vannuchi, em caso de necessidade. "Se houver acirramento das contradições, crise nacional e ele despontar como polo de consenso para reaglutinar o país, aí ele se dispõe", afirmou.

O ex-ministro, no entanto, também disse que Lula poderia abrir mão de indicar um petista para disputar a Presidência daqui a cinco anos. "Ele não pensa que o candidato em 2018 tem que ser necessariamente do PT. É um projeto de Brasil, não só do PT, e tem que ser ampliado."

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