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Nova vacina pode prevenir leishmaniose visceral canina

21 dezembro 2011 - 12h43



Transmitida ao cão por uma simples picada de um inseto infectado pelo protozoário Leishmania infantum, a leishmaniose visceral canina (LVC) é uma zoonose – doença que afeta animais e pode ser transmitida para humanos – que preocupa os proprietários tanto por sua gravidade quanto pelo destino previsto para os cães infectados. De acordo com as políticas nacionais de saúde pública, os animais infectados precisam ser sacrificados. Apesar de não existir alternativas para imunização humana, a doença já pode ser prevenida em cães com Leishmune. “Trata-se da primeira vacina mundial contra leishmaniose visceral canina e foi desenvolvida no Brasil”, salienta Oclydes Barbarini Jr., team leader da unidade de negócios Animais de Companhia da Pfizer Saúde Animal.



A vacina foi desenvolvida pela equipe da Profa. Dra. em Microbiologia Clarisa B. Palatnik de Sousa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foram 23 anos de pesquisa para o desenvolvimento da Leishmune, sendo os últimos cinco anos realizados em parceria entre a UFRJ e a Fort Dodge, uma empresa do grupo Pfizer e líder mundial em vacinas para cães e gatos. Esta parceria resultou no escalonamento industrial e na análise da segurança e imunogenicidade do produto em larga escala. Aprovada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em 2003 e disponível desde 2004, Leishmune já foi utilizada na imunização de mais de 150 mil cães em todo o Brasil.



“É importante ressaltar que, além de proteger o animal vacinado contra a leishmaniose visceral canina, Leishmune age como bloqueadora da transmissão da doença”, salienta Clarisa. Trabalhos publicados demonstraram que cães vacinados e expostos ao desafio não são transmissores da LVC1 e revelaram também que os anticorpos gerados pela vacina nos cães impedem o desenvolvimento do parasita no inseto e, assim, a sua transmissão para outros cães e seres humanos. “Por esta propriedade, a vacina bloqueia a transmissão da doença na natureza e, se a cobertura vacinal for ampliada, poderá interromper a epidemia 2”, completa Clarisa.



Leishmune é elaborada a partir de uma fração glicoproteica do protozoário causador da leishmaniose visceral canina, o FML (Fucose Manose Ligante). Para se considerar o cão imunizado, são indicadas três doses da vacina, que devem ser aplicadas a partir dos quatro meses de idade do animal – respeitando um intervalo de 21 dias entre cada uma das aplicações. “Depois deste processo, o cão deve receber, anualmente, uma dose de reforço, que garantirá a resposta imune. Trata-se de uma vacina segura produzida com tecnologia especial, capaz de induzir uma resposta imunológica eficaz e duradoura”, orienta Fabiana Grecco, coordenadora técnica da unidade de negócios Animais de Companhia da Pfizer Saúde Animal.



No entanto, vale lembrar que a vacina apenas deve ser administrada em cães sadios e soronegativos para LVC. “É importante ressaltar que o médico veterinário é o único profissional capacitado e habilitado a diagnosticar a doença e instituir o programa de vacinação com Leishmune”, alerta Fabiana. Os testes sorológicos começam a detectar os anticorpos de cães contaminados entre um mês e meio e quatro meses após a infecção e, ainda assim, podem apresentar resultados negativos neste período de janela imunológica. Outro entrave ao diagnóstico é que há um grande número de cães infectados com a zoonose que não apresentam sintomas. “Em média, o período de incubação da leishmaniose visceral canina varia entre dois e cinco meses, porém alguns animais não apresentam sintomas mesmo tendo contraído a doença há anos”, completa a executiva.



A leishmaniose visceral canina é transmitida ao cão pela picada de um inseto do tipo flebotomíneo – popularmente conhecido como mosquito palha, birigui ou cangalhinha –, infectado com o protozoário Leishmania infantum chagasi. Diferentemente de outros mosquitos, o inseto transmissor da leishmaniose não necessita de água parada para o desenvolvimento de suas formas larvárias. Este mosquito multiplica-se em matéria orgânica, o que dificulta o seu controle.

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