Neste 8 de Março, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) celebra o Dia Internacional da Mulher com um marco histórico no enfrentamento às desigualdades: o país alcançou o menor índice de insegurança alimentar grave já registrado pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia).
E há um dado ainda mais simbólico: a fome também atingiu seus menores níveis entre os lares chefiados por mulheres e por pessoas negras — territórios onde as desigualdades sempre foram mais profundas.
Os índices de insegurança alimentar grave também atingiram os menores patamares já registrados na série histórica quando se observa o perfil dos domicílios.
Entre lares chefiados por mulheres, a taxa chegou a 3,6%, enquanto nos domicílios chefiados por pessoas negras foi de 4,1%. Nos lares liderados por mulheres negras - grupo historicamente mais exposto às desigualdades - o índice ficou em 4,5%, também o menor nível já observado.
O resultado consolida a saída do Brasil do Mapa da Fome, anunciada em julho de 2025 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU).
A média trienal 2022/2023/2024 colocou o país abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de acesso insuficiente à alimentação.
Segundo a Ebia, os domicílios em situação de insegurança alimentar grave recuaram para 3,2% em 2024, o menor índice da série histórica.
Para a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, os dados demonstram que as políticas públicas alcançaram os grupos mais vulnerabilizados.
“Quando você dá a centralidade para o tema do combate à fome, você coloca ele na sua agenda política, isso vai se convertendo em políticas públicas”, afirmou Burity.
“A redução da fome é resultado de decisões políticas que priorizaram a geração de emprego e renda, o fortalecimento da agricultura familiar, a ampliação dos recursos para a alimentação escolar e o acesso à alimentação adequada e saudável, articuladas no âmbito do Plano Brasil Sem Fome”, completou a secretária.
A ampliação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) foi um dos pilares desse avanço. A partir de 2023, a reconstrução da governança do Sisan foi decisiva.
A Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) voltou a se reunir regularmente. O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi reinstalado.
Além disso, foram aprovados o Plano Brasil Sem Fome, o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o Plano Nacional de Abastecimento e estratégias intersetoriais estruturantes.
“Essa reconstrução institucional não foi apenas formal, ela reorganizou a ação do Estado. O avanço da coordenação interfederativa fortaleceu o diálogo com estados e municípios”, explicou Burity.
O número de municípios que aderiram ao Sisan passou de 536, em 2022, para 2.152, em 2026. Dados da Munic 2024 mostram que 51,4% dos municípios já possuem Conselho Municipal de SAN, 36,3% têm lei municipal específica e 24,5% contam com Caisan.
Para a secretária do MDS, a queda histórica da insegurança alimentar entre lares chefiados por mulheres negras demonstra que políticas públicas bem estruturadas e intersetoriais são capazes de transformar realidades.
“Os números reforçam que o combate à fome está diretamente ligado à inclusão produtiva, à proteção social e à garantia de direitos — agenda que impacta de forma decisiva a vida das mulheres, especialmente das mulheres negras”, concluiu Burity.
Deixe seu Comentário
Leia Também

Estudo do Ipea aponta poucos indígenas liderando grupos de pesquisa

Vai à sanção mais rigor para preso que mantiver ameaças contra mulher

Corpo de Bombeiros verifica possível vazamento de produto químico e posto

Mais de 3,4 mil hospedagens já atuam com nova Ficha Digital de Hóspedes, de acordo com Ministério

Na Alemanha, Lula defende parceria com Europa na descarbonização

Reconhecimento do circo como manifestação cultural vai à sanção

Homem é preso em flagrante após incendiar residência de companheira

Comissão da Câmara aprova piso salarial de R$ 5,5 mil para assistentes sociais

Réus são condenados a 1,2 mil anos por chacina contra família no DF

Dourados ultrapassa 5 mil casos de chikungunya e tem 8 mortes, com 2 em investigação
Mais Lidas

Vereador cobra medidas urgentes contra circulação de veículos elétricos guiados por menores

Prefeitura divulga lista de famílias pré-selecionadas para o "Minha Casa, Minha Vida"

Homem morre ao ficar com a cabeça presa em portão de residência

Lares chefiados por mulheres negras teriam sido alvos de políticas setorizadas e intersetoriais - Crédito: Lyon Santos/MDS