Um novo medicamento para o tratamento de malária, produzido por um laboratório estatal brasileiro, foi lançado nesta quinta-feira, resultado de mais uma iniciativa do programa global para baratear remédios para milhões de pessoas que estão sob risco da doença, que pode ser fatal. O laboratório Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, está trabalhando em parceira com a DNDi (Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas), uma organização não-governamental baseada em Genebra, para levar o remédio ao mercado com o preço de 2,50 dólares para o tratamento completo de um adulto.
A combinação fixa de doses, conhecida como ASMQ, estará disponível para crianças e adultos de países da América Latina e do Sudeste Asiático no decorrer de 2008 e 2009. O laboratório indiano Cipla será o responsável pelo mercado asiático.
O remédio não é protegido por nenhuma patente e será vendido pelo preço de custo dos fabricantes, ambos com histórico de levar para o mercado medicamentos genéricos mais baratos para o tratamento da Aids. Jean Rene Kiechel, gerente do projeto, disse à Reuters que o remédio será mais barato e mais eficaz do que a atual terapia em uso.
Kiechel estima que entre dois milhões e três milhões de pacientes receberão o medicamente nos próximos três anos. O ASMQ é uma formulação em dose fixa da combinação do artesunato (AS) e da mefloquina (MQ), amplamente utilizada em países da América Latina e do Sudeste Asiático ao longo da última década, mas o preço combinado para comprar separadamente fica entre 4 e 7 dólares.
A terapia é uma das 4 combinadas à base de artemisinina (ACTs) recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 2001, para combater a crescente resistência do parasita da malária. "Isso será muito melhor em termos de custo", disse Kiechel. A malária, causada pelo parasita Plasmodium, transmitido por picadas de mosquitos do gênero Anopheles, mata mais de 1 milhão de pessoas por ano em todo o mundo, a maior parte das vítimas na África.
O DNDi, com o laboratório Sanofi-Aventis SA, lançou seu primeiro tratamento combinado para a África no ano passado, mas o medicamento é ineficaz para combater a malária na América Latina e no Sudeste Asiático, onde há diferentes problemas de resistência.
O novo medicamente também simplifica o tratamento, uma vez que os pacientes tomam um única dose diária de um ou dois comprimidos por três dias, dependendo da idade, o que garante que os dois componentes do remédio sejam tomados juntos e na proporção adequada.
O ASMQ não será tão barato como a combinação de drogas utilizada na África, que reúne artesunato e amodiquina e é vendida por cerca de 1 dólar. Kiechel disse que isso é reflexo do processo complexo de produção da mefloquina.
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