Menu
Busca domingo, 05 de abril de 2020
(67) 9860-3221

A invisibilidade gerada pela citricultura

17 dezembro 2012 - 16h00

“O setor de cítricos brasileiro, ao lado dos Estados Unidos, é responsável por 90% da produção de suco de laranja comercializado no mundo”, informa a socióloga Lidiane Maciel.

“A citricultura no Brasil já nasceu internacionalizada e, a partir de 1962, passou a preencher lacunas deixadas pelo mercado americano. Para quem viaja pelo interior paulista, é possível observar ao lado dos imponentes canaviais os profundos laranjais, que resistem ao avanço da cana de açúcar”. Este é o panorama que Lidiane Maciel identifica no interior paulista, especialmente nas cidades de Araraquara e São Carlos, onde a produção de citricultura tem atraído milhares de migrantes.

De acordo com a pesquisadora, “as lavouras de laranja e, principalmente, de cana-de-açúcar substituíram parcialmente as antigas lavouras de café e ocuparam novos espaços para uma produção compassada com o desenvolvimento industrial”. Apesar de ocupar o ranking na posição de maior produtor de laranjas do país, as cidades paulistas que concentram a produção enfrentam problemas sociais por conta dos migrantes que buscam “melhorar de vida”. Segundo Lidiane, que acompanhou a jornada dos trabalhadores para escrever sua dissertação de mestrado, eles têm um jornada que se inicia “por volta das 6h30min, e o almoço é realizado em meio à rua de trabalho”. E acrescenta: “Para que um trabalhador mantenha um salário mínimo, é necessário que colha por dia cerca de 90 caixas de laranja. Por cada caixa colhida é pago cerca de 0,36 centavos”.

Além das dificuldades em relação à jornada de trabalho, Lidiane enfatiza, na entrevista feita por e-mail, que os migrantes são “invisíveis” na região. “A cidade não os reconhece como parte; é impresso neles grande estigmatização. São chamados de ‘boias frias’ de ‘baianos’ ou de ‘povo do norte’. O que de fato impede o fortalecimento de relações sociais fora de seus núcleos familiares e de amizade. Mas também não podemos afirmar que há uma segregação que gere total separação dos migrantes e dos locais”, assinala.

Deixe seu Comentário

Leia Também

BRASIL
Rio terá turnos de trabalho para não lotar transporte público
PREVENÇÃO
Direção Viva alerta sobre importância de higienizar veículos automotores como prevenção contra o Coronavírus
STF
Ministro julga inviável ação do PDT contra suspensão de prazos do Enem 2020
CULTURA
CCBB Educativo disponibiliza acervo digital de arte-educação
BRASIL
Combate à pandemia mobiliza voluntários em diversas frentes
COVID-19
Barreiras sanitárias abordaram 13,6 mil pessoas em MS
MUNDO
Papa inicia Semana Santa com celebração sem presença de fiéis
COVID-19
Gerente técnico de medicamentos da Vigilância Sanitária alerta sobre riscos da automedicação
COVID-19
Estado tem mais três confirmações do novo coronavírus em 24 horas, todas no interior
DOURADOS
Mais de mil servidores com salários acima de R$ 4,5 mil receberão na segunda

Mais Lidas

CORONAVÍRUS
Dourados registra mais dois casos de Covid-19 e MS tem 60 confirmações
ISOLAMENTO
Em 24 horas, apenas uma cidade de MS aparece vermelha no monitoramento do Governo
CORONAVÍRUS
Durante fiscalização, Guarda prende nove pessoas e notifica 60 comércios em Dourados
SUMIÇO
Família procura por jovem que está desaparecida desde a última quarta-feira