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POLÍTICA

Interino da Saúde nomeia advogado de milicianos como assessor especial

22 maio 2020 - 20h20Por G 1

Recém-nomeado “assessor especial” de Eduardo Pazuello — ministro interino da Saúde —, o advogado criminalista Zoser Plata Bondim Hardman de Araújo já defendeu chefes das maiores milícias do Rio de Janeiro.

Entre os clientes de Zoser estão:

Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, apontado como chefe da milícia Liga da Justiça, preso em penitenciária federal, com múltiplas acusações de homicídios;

Wallace de Almeida Pires, o Robocop, suspeito de ser um dos chefes da milícia da Gardênia Azul, executado em julho de 2019;

Daniel Santos Benitez Lopez, ex-tenente da PM, condenado pelo assassinato da juíza Patrícia Acioli;

E Salvatore Cacciola, ex-banqueiro condenado por gestão fraudulenta.

Zoser defendeu ainda Samanta Girão e Roselaine Girão, respectivamente mulher e irmã de Cristiano Girão, suspeito de pertencer ao grupo paramilitar de Wallace Pires.

Não está claro o que criminalista vai fazer no ministério.

O Ministério da Saúde informou apenas que "o cargo tem sido ocupado por bacharéis em direito".

A seguir, um resumo dos clientes que Zoser representou.

Quem é Batman

Ricardo Teixeira da Cruz, conhecido como Batman, foi chefe da milícia conhecida como Liga da Justiça em meados dos anos 2000.

Em novembro de 2013, Batman foi condenado a 30 anos de prisão.

Batman havia fugido da prisão em outubro de 2008, onde cumpria pena de nove anos e oito meses, e, até ser recapturado – em maio de 2009 –, teria reassumido o comando da milícia.

Zoser defende Batman em um processo por homicídio qualificado. Em 2007, ele, André Luiz da Silva Malvar e outros dois homens, segundo o Ministério Público, metralharam um carro na Estrada do Mendanha, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.

Em 2018, apesar de tentativas de relaxamento da prisão preventiva, a Justiça decretou que Ricardo e outro acusado, André Luiz da Silva Malvar, deveriam permanecer presos em presídio federal fora do Rio de Janeiro.

Batman fugiu do presídio de segurança máxima, Bangu 8, em outubro daquele ano, pela porta da frente, acompanhado de dois homens vestidos de preto. Ex-policial militar, foi expulso da PM em 1992, quando fazia parte do Batalhão de Choque.

Quem é Salvatore Cacciola

O banco de Cacciola, o Marka, quebrou em 1999 e foi socorrido pelo Banco Central, gerando um prejuízo de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Outras sete pessoas envolvidas no caso também foram condenadas.

Mas apenas Salvatore Cacciola foi para a cadeia, condenado a 13 anos pelos crimes de gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público.

Segundo a Justiça, Cacciola foi preso porque foi o único que estava foragido durante o julgamento. O ex-banqueiro vivia na Itália, para onde tinha fugido ao ser beneficiado por um habeas corpus.

Em 2011, após três anos preso e ser beneficiado com redução de pena, o ex-banqueiro teve direito à liberdade condicional e deixou o Complexo Penitenciário de Bangu.

Os outros réus conseguiram, na Justiça, o direito de responder em liberdade e tiveram as penas reduzidas. Entre eles, dois ex-diretores do Banco Central.

Quem são Girão e Robocop

Ex-sargento do Corpo de Bombeiros e presidente de associação de moradores, Cristiano Girão foi eleito em 2008 para a Câmara de Vereadores do Rio. Foi preso em 2009, sob acusação de chefiar uma milícia em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio — e não saiu desde então.

Segundo as investigações, Girão dominava, ao lado de Wallace Pires, a região de Gardênia Azul, extorquindo de moradores e comerciantes e explorando serviços.

Em outubro de 2010, a mesa diretora da Câmara decretou a perda do mandato por causa das faltas às sessões. Ele também foi exonerado dos bombeiros.

Além de envolvimento com a milícia, Girão é acusado de lavagem de dinheiro.

O MP comparou seus rendimentos com a evolução patrimonial. Em 2002, Girão declarou R$ 32 mil, mas apresentou evolução patrimonial de R$ 170 mil – valor 531,57% acima. Em 2005, a variação foi de 218,67% e, em 2006, de 325,02%.

De acordo com a denúncia, ele gastou R$ 680,6 mil em imóveis e veículos e movimentou R$ 2,2 milhões entre os anos de 2003 e 2007. Somadas às operações financeiras realizadas pelos demais acusados de integrar a milícia, a quantia ultrapassa R$ 3,3 milhões.

Já Wallace Pires, o Robocop, foi morto a tiros em julho do ano passado dentro de um bar no Anil. Ele era investigador da polícia quando foi demitido em 2012.

Na época, o processo administrativo contra Wallace identificou que ele comandava uma milícia na Gardênia Azul junto com Girão.

A hoje extinta Secretaria de Segurança informou na ocasião que a quadrilha da qual Robocop fazia parte exigia pagamento dos moradores e comerciantes locais, mediante ameaça e uso de violência.

Além disso, ainda segundo a secretaria, a milícia praticava a exploração de sinal clandestino de TV a cabo, de internet, de serviços de transporte coletivo alternativo e de fornecimento de botijões de gás.

O caso Patrícia Acioli

A juíza Patrícia Acioli foi morta com 21 tiros, vítima de uma emboscada na porta da casa onde morava, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio no dia 12 de agosto de 2011. Patrícia Acioli era titular da 4ª vara criminal de São Gonçalo, município vizinho a Niterói.

Acioli foi responsável pela prisão de cerca de 60 policiais ligados a milícias e grupos de extermínio, fato que teria gerado insatisfação entre os grupos criminosos que atuavam na região.

O tenente-coronel Claudio Luiz Oliveira e o tenente Daniel Benitez, defendido por Zoser, pegaram a maior pena: 36 anos de prisão em regime fechado.

Charles Tavares, Alex Ribeiro Pereira e Sammy Quintanilha vão cumprir 25 anos, também em regime fechado. Já Handerson Lents foi condenado a quatro anos e seis meses em regime semiaberto.

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