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Inglaterra: estudo mostra que otimistas evitam absorver alertas de risco

12 outubro 2011 - 14h50

Se você é daqueles que sempre vê uma luz no fim do túnel, cuidado, pode ser um trem vindo na direção contrária. Pelo menos é o que diz um estudo, publicado na última edição da revista Nature Neuroscience, segundo o qual a nossa bem conhecida propensão a ver a vida com lentes cor de rosa pode ser ruim no que diz respeito a guardar alertas de risco em uma parte-chave do cérebro.

Tali Sharot, professora do University College de Londres, ficava intrigada em ver como tantas pessoas — mesmo quando confrontadas durante um longo período com perspectivas desanimadoras — se mantinham teimosamente otimistas.

Para aprender mais, 19 voluntários foram convidados a participar de um experimento. Sharot e seus colegas monitoraram indivíduos com um scanner de ressonância magnética funcional, enquanto eram confrontados com situações cotidianas, variando de catastróficas a desagradáveis. Entre os 80 cenários evocados estavam ter o carro roubado, ser demitido do emprego, desenvolver doença de Parkinson ou um câncer.

Após cada desastre hipotético, pediu-se aos voluntários que avaliassem a possibilidade do infortúnio acontecer a eles. Enquanto ainda estavam no scanner, foram informados da probabilidade média real do risco.

Os cientistas descobriram que os voluntários revisaram suas estimativas iniciais, mas apenas quando os números reais foram menos sombrios. Se, por exemplo, previram uma probabilidade de 40% de contrair câncer, mas a probabilidade média resultou ser de 30%, eles demonstraram ser mais propensos a ajustar sua estimativa claramente para baixo.

Mas se a probabilidade demonstrava ser pior do que originalmente se pensou, os voluntários simplesmente ignoraram a estatística real.

— Nosso estudo sugere que escolhemos a informação que ouvimos. Quanto mais otimistas, menos propensos nos sentimos a sermos influenciados por informação negativa sobre o futuro — explicou.

Por quê? Nas leituras cerebrais, todos os participantes demonstraram atividade aumentada no lobo frontal — fortemente associado com o controle emocional — sempre que números reais eram melhores do que o esperado.

Mas quando as notícias foram mais terríveis do que o previsto, os voluntários mais otimistas demonstraram ter menor atividade no lobo frontal.

Sharot disse que o trabalho demonstrou que o otimismo desenfreado traz riscos imperceptíveis.

— Ver o copo meio cheio em vez de meio vazio pode ser positivo: pode diminuir o estresse e a ansiedade e ser bom para nossa saúde. Mas também pode significar que estamos menos propensos a tomar ações preventivas, como praticar sexo seguro ou economizar para a aposentadoria — diz.


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