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Infância: O risco do pornô na Internet

13 janeiro 2012 - 15h47

Falar sobre sexo com os filhos nunca foi uma tarefa fácil, por mais liberais que os pais sejam. Em alguns casos, a educação sexual na escola também pode parecer uma experiência difícil. Em julho, uma cartilha sobre educação sexual causou polêmica em Embu, na Grande São Paulo. Pais e alunos ficaram constrangidos com as ilustrações e conteúdos explícitos demais. Mas, a falta de diálogo sobre o assunto pode levar os jovens a procurar se informar sobre o assunto através de conteúdos pornográficos.

A pesquisadora do Centro de Convivência para Crianças e Pais do Instituto de Medicina Social da Uerj Lulli Milman lembra que as crianças têm facilidade de navegar pela internet e que, apesar dos bloqueios dos pais ou da escola, elas conseguem buscar vídeos e fotos com uma abordagem sexual:

“Todos nós ficamos de orelha em pé quando o assunto é sexo. Os próprios coleguinhas falam, indicam links. Mesmo a criança esclarecida pode buscar sites pornográficos, mas se ela teve um conhecimento prévio, vai avaliar e encarar o conteúdo de outra forma. Quem não teve instrução alguma, corre mais riscos”.

Para Lulli, os pais devem começar a falar de sexo desde quando a criança começa a questionar algo sobre o assunto ou quando ela passa a ter um comportamento da ordem sexual:

“Não tem como saber exatamente qual é o nível de maturidade da criança para falar do assunto. Há um risco de os pais dizerem algo que os filhos não estão preparados. A melhor saída é deixar a criança perguntar primeiro para depois responder”.

O psicólogo da Universidade Federal Fluminense (UFF) Julio D’amato, que é especialista em sexualidade, também defende que falar sobre sexo tem que fazer parte da relação entre pais e filhos desde cedo. Ele lembra que as crianças já começam a mexer em seus órgãos genitais desde muito pequenas. Assim, começam a perceber as diferenças entre meninos e meninas, o que abre uma oportunidade para o assunto começar a ser tratado:

“Isso deve ser abordado com a maior naturalidade possível, mas dentro do que a criança pergunta. Não tem que ter o dia da grande revelação. Se houver clareza e tranquilidade na conversa, quando chegar à adolescência, o jovem já estará bem encaminhado. A ideia da cegonha é a ideia da mentira, de pais envergonhados e culpados da própria sexualidade. Claro que isso não vai ser falado para a criança com conotações sexuais, mas devemos informá-las no tom adequado à idade delas”.

Embora os especialistas reconheçam que a maioria dos pais tem dificuldades de falar sobre o assunto com os filhos, eles argumentam que essa abertura é a melhor forma de os jovens terem uma educação sobre sexo seguro e prazeroso:

“É complicado falar de sexo. É sempre muito difícil, principalmente com crianças. Tem-se a sensação de estar sendo pornográfico, mas é importante tentar. Muitas pessoas, por vergonha, passam a vida sem saber das coisas sobre o sexo, e a falta de informação se reflete na dificuldade sobre como lidar com o prazer”, diz Lulli.

A pesquisadora acredita que a escola ainda tem uma forma muito ruim e complicada de abordar o tema, quase sempre com enfoque na questão do corpo humano e apenas em aulas de ciência. Ela defende que a abordagem seja feita através de discussões, principalmente com adolescentes, e de forma madura e simples:

“Desde quando eu era aluna já era assim, e não houve muito avanço. É sempre o professor falando, e as piadinhas na turma rolando. Sexo é algo normal, que faz parte da vida de todo mundo. Ainda falta muita coisa para que a gente possa falar sobre isso como se fala de uma brincadeira, de passeios. Mas, sem dúvida, o caminho a trilhar passa por um diálogo com seriedade e simplicidade”.

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