Imagine uma placa de sinalização indicando a distância até Vai-com-Jeito (AM). Ou até Vai-Volta (MG), Vai-Quem-Quer (AM), Varre-Sai (RJ), Varre-Vento (AM) e, por que não, até Ribeirão Vai-e-Vem (SP). Há opções menos convencionais como Rola-Moça (MG), Saco da Onça (CE) ou Terra da Morte (AM), e as que suscitam dúvidas quanto à divisão geográfica - quando os nomes das cidades se repetem, de um Estado a outro - e à ortografia. Que o digam Campos dos Goytacazes, sem “i”, por exemplo, e São João Del Rei, sem “y”.
A grande diversidade de nomes de localidades e de municípios brasileiros acaba de ser compilada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Banco de Nomes Geográficos do Brasil (BNGB), lançado nesta sexta-feira (23) após mais de seis anos de trabalhos de pesquisa. Ao todo, são 50 mil nomes geográficos catalogados e com a grafia oficialmente padronizada.
De acordo com a instituição, a padronização dos nomes deverá facilitar não só a localização em situações de atendimento emergencial de determinada localidade, como também o registro dela em designações geográficas mais precisas e nas investigações para solução de litígios e disputas territoriais.
Apesar de o trabalho voltado ao banco se alongar desde 2005, os pesquisadores usaram uma base de dados que vem desde a década de 1970.
“Buscamos o tratamento linguístico do nome geográfico levando em consideração as normas ortográficas da língua e a tradição do local, a partir de padrões preconizados pela ONU (Organização das Nações Unidas)”, explicou a pesquisadora Marcia de Almeida Mathias, diretora do Centro de Referência em Nomes Geográficos do IBGE e coordenadora da pesquisa.
Segundo a pesquisadora, a catalogação padronizada dos nomes também deverá ajudar órgãos do próprio governo a localizar, por exemplo, beneficiários de programas sociais da União.
“A consulta do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por exemplo, já verificou vários nomes de localidades com a mesma grafia. Eles juntaram todos os nomes de cidades que tinham em num banco só e chegaram a mais de 20 mil nomes –e temos no país menos de 6 mil municípios”, lembra a pesquisadora.
###Origem e tradição dos nomes
No trabalho, o IBGE identificou uma série de nomes de cidades idênticos, de um Estado a outro, e também buscou a origem de alguns deles no Estado do Rio. Cidades como Alto Alegre (em RR, SP e RS), Alto Boa Vista (no MT e em SC), Cantagalo (RJ, MG e PR), por exemplo, foram alguns casos listados.
Também na pesquisa, o banco de nomes identificou que em mais de 2.500 municípios brasileiros, quase 50% dos casos, são feitas homenagens a santos. Desse grupo, nada menos que 236 deles fazem referência a Santo Antônio; outras 220 homenageiam São João, e em 127 a homenagem é a São Francisco. Referências a Santa Maria, por sua vez, são feitas em 118 cidades.
Já quanto à origem histórica dos nomes, o trabalho apontou casos curiosos com o de Petrópolis (região serrana do Rio), assim definido após a construção do palácio que tomou o nome de Palácio Petrópolis - Cidade de Pedro -, em homenagem a Dom Pedro 2º.
“Em termos de nomes tudo é possível, sobretudo pelo aspecto geográfico – porque o nome depende do falante ouvinte para nascer. Por mais estranho que a gente ache, às vezes, há que se frisar que a capacidade de criação do falante é infinita – é o nome conhecido por ele e por seus semelhantes que criam a identificação”, afirma a coordenadora da pesquisa. “Em Porto Alegre (RS), por exemplo, existe a ‘rua da Praia’ - sendo que o que tem ali é um rio (Guaíba). Mas é uma referência a quem vive ali”, completa.
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