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Fundos florestais vai investir R$ 4 bi no Brasil; MS está nos planos

23 dezembro 2009 - 10h35

A indústria brasileira de celulose e papel e setores que utilizam madeira como matéria-prima veem com otimismo o ganho de musculatura de um importante aliado: fundos de investimento com foco no negócio florestal. Nos próximos anos, a atuação das chamadas "timos", do inglês Timberland Investment Management Organizations, deve crescer no Brasil, na esteira da expansão de demanda por madeira e da reconhecida competitividade do país na área florestal. Conforme projeção dessa indústria, que ainda dá os primeiros passos no país, pelo menos R$ 4 bilhões em aportes deverão vir pelas mãos de investidores institucionais nos próximos cinco anos. Recentemente, os grupos Suzano , Klabin e Irani firmaram operações com fundos dessa natureza.

Somente no Paraná, segundo a consultoria Consufor, especializada em negócios de base florestal, mais de 50 mil hectares estão em análise por fundos de investimento e há a expectativa de que negócios sejam fechados no primeiro semestre de 2010. No Brasil, estima-se que as terras em negociação somem aproximadamente 200 mil hectares de área plantada, distribuídas em oito Estados, e há projetos em andamento para novos plantios, em parceria com indústrias do setor florestal ou não.

Os nomes das empresas e fundos envolvidos são mantidos em sigilo. "Todas as timos que atuam aqui estão em busca de mais negócios e outras devem desembarcar no país", diz uma fonte que não quer ser identificada. Nederson de Almeida, sócio da Consufor, afirma que o setor madeireiro passa por um momento único, depois de enfrentar dificuldades nos últimos anos por causa de câmbio e de queda nas exportações.

Segundo ele, os fundos de pensão veem as florestas como investimento atrativo, de baixo risco e retorno seguro no longo prazo. "2010 deve ser um ano aquecido", prevê. Neste semestre, Funcef e Petros injetaram R$ 550 milhões no Florestal Fundo de Investimentos em Participações (FIP), que pertence à Florestal Investimentos Florestais. A companhia tem como sócios a J&F Participações, que controla a JBS Friboi, e o empresário Mário Celso Lopes. A meta da Florestal, diz Lopes, é ater 215 mil hectares de florestas de eucalipto em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Segundo o principal executivo e um dos fundadores da Brazil Timber, José Leal, além dos fundos de pensão, outras fundações e seguradoras também são investidoras tradicionais desse mercado no exterior. "Há um crescente interesse do investidor pessoa física com patrimônio elevado", acrescenta. A Brazil Timber, diz Leal, foi a primeira companhia de capital nacional no setor e gerencia, atualmente, US$ 230 milhões em ativos florestais, valor que deverá duplicar em 2010 e novamente duplicar em 2011. "O Brasil está na moda e as florestas estão na moda. Floresta é hoje o sonho de consumo do investidor de longo prazo", garante.

A atuação das timos é antiga nos Estados Unidos e Europa, mas relativamente nova no Brasil. As primeiras aquisições feitas aqui ocorreram no Paraná e em Santa Catarina nos últimos 10 anos. "Hoje, as oportunidades não são tão abundantes como antes e os negócios estão se expandindo para outros estados, como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul", explica Almeida. Ele acrescenta que, antes, o interesse era focado em pinus, em florestas existentes, mas fazendas de eucalipto e novos plantios passaram a ser avaliados de três anos para cá.

O caso mais recente negócio envolvendo uma timo ocorreu na semana passada, quando a Suzano Papel e Celulose acertou a venda, por R$ 311 milhões, de cerca de 50 mil hectares de terras em Minas Gerais. Inclui 13 mil hectares de eucalipto que passaram para as mãos de dois fundos estrangeiros. A companhia vendeu ativos não operacionais, que não serviriam de base para futuras expansões nem para suprir suas fábricas atuais.

De acordo com o diretor de relações com investidores, novos negócios e estratégia da Suzano, André Dorf, trata-se de uma indústria nascente no país, que vai fomentar o mercado secundário de madeira. "Tanto o setor de celulose quanto outras indústrias que usam madeira serão atendidos. O primeiro impacto é a maior disponibilidade do produto", afirma. Ele pontua que a Suzano não avalia no momento outras operações nos moldes da firmada com os fundos Mata Mineira Investimentos Florestais e Fazenda Turmalina Holdings.

Outra transação foi feita em setembro, quando a Celulose Irani informou que vendeu 3,2 mil hectares de terras com florestas de pinus em Caçador (SC), por R$ 27,5 milhões. Quem gerencia essa floresta agora é a GFP, o maior e mais antigo fundo em atuação do Brasil. Numa variação desse tipo de parceria entre indústria e investidores, a Klabin, maior fabricante brasileira de papéis para embalagens, iniciou neste semestre o plantio de florestas junto com um fundo europeu. O contrato prevê aporte inicial de US$ 20 milhões do parceiro e US$ 5 milhões dela, que também entrou com a tecnologia florestal.

Reinoldo Poernbacher, diretor-geral da Klabin, disse que contribuiu para o desenvolvimento desse modelo de negócio a queda da taxa de juros e do risco Brasil, que antes levavam os investidores estrangeiros a pedir taxas de retorno muito elevadas. Isso inviabilizava as parcerias. No longo prazo, investidores poderão responder por 20% da sua base florestal, ante 20% de fomento e 60% de área própria.

Para o analista Leonardo Alves, da Link Corretora, o modelo de parceria com fundos parece mais interessante às produtoras de papel do que para as fabricantes de celulose, que têm na área florestal um importante fator de rentabilidade. "As empresas de celulose investem pesadamente na genética das florestas porque elas são estratégicas do ponto de vista de margens", aponta. Os produtores brasileiros já contam com a vantagem do ciclo bem mais curto do eucalipto relativamente às florestas cultivadas no Hemisfério Norte.

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