O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reagiu publicamente à decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que levou ao bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, nesta sexta-feira, dia 10 de julho.
“Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo”, escreveu Flávio em seu perfil do X. “Tenho certeza que o presidente Valdemar saberá dar todas as respostas aos pontos levantados”.
Para Flávio, a atuação de Valdemar é regular. “Como presidente do maior partido do Brasil, é natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, em especial os do próprio PL”, escreveu nas suas redes sociais.
O senador também fez críticas à autoridade policial. “A Polícia Federal, que diz não ter efetivo, nem recursos para investigar as denúncias contra Lulinha, filho do presidente Lula, mais uma vez mobiliza recursos para atacar adversários do presidente. Essa perseguição precisa parar”, declarou.
O valor bloqueado pelo STF corresponde a emendas parlamentares indicadas irregularmente por Valdemar, que é ex-deputado federal, segundo a Polícia Federal (PF). O ministro recebeu uma representação da PF solicitando busca e apreensão, quebra de sigilo de dados telefônicos, bloqueio de bens e suspensão do exercício de cargos públicos.
Dino não atendeu a todos os pedidos, mas suspendeu as emendas parlamentares e determinou a indisponibilidade de bens, até o limite de R$ 119,2 milhões, de Valdemar Costa Neto.
A suspeita da Polícia Federal é de que Valdemar, que não tem mandato, controlava a indicação de emendas parlamentares dentro da Câmara dos Deputados, com a ajuda de três servidores da Casa.
A base da investigação são diálogos encontrados no celular de uma ex-servidora da Câmara. Neles, de acordo com a PF, o presidente do PL aparece decidindo valores, escolhendo municípios e trocando destinos de emendas.
As indicações de Valdemar eram planilhadas e encaminhadas aos ministérios responsáveis por programas utilizando nomes de deputados federais como falsos "solicitantes". A investigação aponta que, do total de R$ 119 milhões mapeados em planilhas atribuídas a Valdemar, pelo menos 21 emendas já foram efetivamente empenhadas ou pagas pelos órgãos competentes.
Procurado pela TV Globo, Valdemar negou que tenha feito indicações de emendas e afirmou que, em determinados casos, essa é uma atribuição do líder do partido na Câmara. A defesa do presidente do PL negou que ele tenha praticado qualquer crime e afirmou que a decisão de Dino "parte de premissas frágeis" e criminaliza atividade político-partidária.
"A defesa de Valdemar Costa Neto recebe com surpresa a decisão do Ministro Flávio Dino que decretou medidas cautelares em seu desfavor. Com o devido respeito, a decisão parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária", escreveram os advogados do presidente do PL.
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