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Ex-zagueiro Antonio Carlos fala em "sacanagem" no Palmeiras

03 fevereiro 2012 - 12h50

Como jogador, Antônio Carlos Zago foi ídolo por onde passou. Seja por São Paulo, Palmeiras, Roma, Besiktas, ou Santos, o ex-atleta fez história e conquistou títulos por onde passou. Agora treinador, função que exerce já há quase três anos - com passagens por São Caetano, Palmeiras, Mogi Mirim, Vila Nova e Barueri -, o ex-zagueiro ainda busca seu espaço, e terá um recomeço neste ano: ele comandará o Audax na Série A2 do Campeonato Paulista e terá como principal objetivo levar o time à divisão de elite estadual pela primeira vez.

Em entrevista concedida ao Portal Terra nesta quinta-feira, no Centro de Treinamento do Audax, em São Paulo, o ex-jogador falou sobre o projeto no clube da capital paulista, sobre seu elenco recheado de jovens e veteranos e ainda relembrou o início da carreira de técnico. Ele teria sido alvo até de "sacanagem" por parte do Palmeiras, que o teria contratado apenas para ser "tampão" de outro treinador que estaria nos planos da diretoria: no caso, Luiz Felipe Scolari, atual comandante alviverde. Na época, Antônio Carlos foi demitido depois de apenas três meses de trabalho.

O técnico do Audax ainda teve ao longo da entrevista a companhia de seu filho Gian, que observou atentamente o treinamento do Audax. Com 12 anos de idade, chuteira personalizada com o nome "Gian Zago", canhoto e atacante, o menino sonha em ser jogador profissional e ganha o apoio de seu pai na empreitada.

"Depende dele, da vontade, para ser jogador profissional não é fácil. Às vezes as pessoas pensam que você vem aqui, traz chuteira nas costas e vem treinar. Mas é chuva, sol, frio, neve, e eu já passei por tudo isso, e se ele tiver vontade de sofrer um pouco vai ser jogador de futebol tranquilamente. Qualquer pai se sente orgulhoso se um filho pratica esporte, e se ele vem a ser um profissional mais ainda. No futebol, basquete, vôlei ou atletismo, em qualquer modalidade eu me sentiria orgulhoso se ele for um atleta", disse o ex-zagueiro.

###Confira a entrevista na íntegra com o atual técnico do Audax:

Terra - Você já trabalhou em grandes clubes do mundo e hoje está aqui, na segunda divisão e em um time que tem uma boa estrutura. Como você recebeu esse espaço cedido pelo Audax aqui em São Paulo?
Antônio Carlos - Acho que grandes clubes no Brasil não têm uma estrutura como essa. No Rio, os clubes pecam para construir um CT. Aqui, nós temos tudo isso que vocês estão vendo. Quatro campos, um campo de society, outro do outro lado, um baita ginásio, academia, alimentação, tudo que um jogador precisa para ter tranquilidade e jogar futebol. Pagamento em dia também... É difícil hoje achar um clube que pague em dia.

Terra - E você vem do Vila Nova e lá existiram problemas de pagamentos com os jogadores, não foi?
Antônio Carlos - No Vila Nova, os jogadores ficaram três meses sem receber. Então a formação deles aqui é diferente dos outros clubes, têm um lado social envolvido com o futebol, mas o importante é que esse ano o pensamento mudou um pouco. É de conseguir o acesso à Série A1 do Campeonato Paulista.

Terra - Quando você chegou, foi uma surpresa receber esse espaço para trabalhar aqui?
Antônio Carlos - Já conhecia o clube, tenho uma boa relação com o Brunoro (José Carlos, dirigente) desde a época da Parmalat no Palmeiras. Então fiz algumas visitas aqui e quando apareceu o convite aceitei de imediato, voltar a trabalhar com o Brunoro, supercompetente no que faz, e ainda mais com uma estrutura que eles têm aqui no Audax.

Terra - Em termos de elenco a gente vê que você tem muitos garotos da base e também jogadores experientes, com passagens por grandes clubes. Como você vê esse elenco atual?
Antônio Carlos - Nós procuramos mesclar, quando cheguei aqui a média de idade era 21, 22 anos, a maioria são formados na base do Audax e nós procuramos misturar o Paulo Cesar, o Alex, o Martinelli, Marco Aurélio, Francis, que rodou bastante, e isso só ajuda os mais novos, pois são grandes profissionais que vieram ajudar o Audax a conseguir seu objetivo.

Terra - Essa mescla é seu principal trunfo hoje?
Antônio Carlos - O começo é sempre difícil, existe uma certa ansiedade, até pela idade da maioria dos jogadores. Temos seis que são titulares. Um tem 18, outro 19, três têm 20, são atletas jovens que estão buscando seu espaço. Tivemos uma derrota no primeiro jogo, nos recuperamos nos dois jogos seguintes e a tendência é evoluir.

Terra - Desses jovens, quem são os principais?
Antônio Carlos - O Rafael Martins é um jogador que já rodou muito, 22 anos, tem futuro pela experiência adquirida por onde passou. O lateral esquerdo Romário é um bom jogador e tranquilamente vai disputar no mínimo a Série B do Brasileiro do próximo ano. E outros que estamos trabalhando.

O Rafinha que é rápido, queremos que ele melhore seu ímpeto de jogador novo, dá sempre um drible a mais, na hora de passar não passa, e a gente vem corrigindo. E o Danilo, que é titular, o Wendell, que veio do São Caetano e vai crescer bastante. A safra é boa e que possamos revelar alguém, como o Paulinho que foi para o Corinthians, o Juninho que foi para o Palmeiras.

Terra - E você é fruto dessa nova safra de treinadores que estão surgindo, começou em 2009 no São Caetano, passou pelo Palmeiras, Barueri, Mogi Mirim e Vila Nova. No que foi seu único grande clube como técnico, o que aconteceu que não deu certo no Palmeiras?
Antônio Carlos - Em primeiro lugar, eu não deveria ter saído do São Caetano. Estava lá há 11 meses, praticamente tinha construído o clube, estava bem. Mas era a oportunidade de voltar para minha casa, onde sou ídolo até hoje. Só que as coisas não saíram como eu queria, até porque fiquei sabendo depois que fui contratado para tapar buraco e achei uma p... de uma sacanagem, até pela história que eu tenho no Palmeiras.

Mas eu saí de lá com 59% de aproveitamento, e acho que isso foi o que teve o quarto colocado que se classificou à Libertadores no Brasileiro do ano passado. Como treinador você tem que olhar a média, a porcentagem que faz em um clube, e minha média era essa.

Mas espero voltar um dia, deixei as portas abertas lá, tenho uma admiração muito grande pelo clube e agora é um recomeço, às vezes você dá dois passos para trás para dar cinco para a frente. Não é que aqui é passo para trás, até porque o projeto nesse ano é ambicioso de conseguir o acesso à Série A1. E também um plano de carreira talvez aqui, quem sabe com o acesso fique aqui para formar o time ano que vem e é esse meu pensamento.

Terra - Na ocasião teve aquela discussão com o Robert, a saída depois de três meses. O que aconteceu?
Antônio Carlos - Não teve nada de discussão, inventaram uma discussão, foi um supervisor que trabalhava lá que começou com essa história. Não teve discussão, só chamei atenção dele por um ato de indisciplina que ele tinha cometido e nada mais. No final, até passei a noite com alguns diretores do Palmeiras, não fiquei sabendo de nada, e no dia seguinte fui demitido. Mas faz parte do passado, e o importante é guardar e olhar para a frente, tentar melhorar sempre.

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