Vinte um anos após a regulamentação da presença de acompanhantes nas UTIs pediátricas feita com a implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o relacionamento entre familiares e enfermeiros ainda é um desafio. Em uma mesa redonda realizada sexta-feira (26), último dia do 49º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ, profissionais de saúde discutiram o papel da enfermagem na orientação e cuidado de pacientes pediátricos e seus respectivos parentes.
Para Karine Silva, residente de enfermagem do HUPE, a presença do acompanhante é essencial para o desenvolvimento do quadro clínico do paciente. “O acompanhamento permite uma melhor captação de dados dos pacientes, mantém uma inserção social do doente durante a internação, promove a capacitação dos cuidadores e funciona como uma confirmação de afeto e de identidade”, explicou.
Apesar desses efeitos positivos, a mesa ressaltou que é importante distinguir com exatidão as funções do enfermeiro e do acompanhante, já que a presença constante do familiar dentro da UTI pediátrica faz com que este assimile funções de cuidado do paciente e acabe tendo seu papel confundido com o do profissional de saúde. Foram citados pela mesa e por membros da plateia casos preocupantes em que acompanhantes assumiram o monopólio sobre a administração de medicamentos, higienização e atravancaram outros procedimentos clínicos.
Segundo Aline Cerqueira, doutoranda em enfermagem que analisou o caso dos hospitais privados, falta qualificação aos profissionais de saúde para lidar e orientar os acompanhantes. “Os enfermeiros não sabem claramente qual é o seu papel nesse processo e a família também não sabe o que é esperado dela. É dito ao acompanhante que ele pode ficar na UTI. Mas, na prática, as instituições não estão preparadas para acolhê-lo”, comentou. “É preciso estabelecer um relacionamento entre esses dois núcleos através da comunicação, amizade e empatia”, destacou.
As enfermeiras ressaltaram que é necessário humanizar o convívio dentro do hospital, tornando a relação com os cuidadores mais pessoal. Para isso, deve-se implementar práticas interdisciplinares para compreender e orientar pacientes e acompanhantes. Além disso, esta união não permitiria a sobrecarrega dos enfermeiros, que são os profissionais que estão sempre em contato direto com os doentes.
Para Dayse Carvalho, professora de serviço social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), os enfermeiros precisam observar de maneira mais ampla o contexto social em que o acompanhante está inserido. Sendo assim, em casos de familiares recusarem ficar perto de seus filhos, não se deve interpretar o ato como abandono, já que os pais muitas vezes são impossibilitados de estar sempre ao lado dos pacientes por causa de empregos e da existência de outros filhos. “A maior dificuldade que temos é a ausência de uma legislação trabalhista que assegure o direito a acompanhar o filho sem correr riscos de demissão”, ressaltou.
Segundo a professora, ainda é necessário enxergar o acompanhante para além da figura do familiar, já que em alguns casos é observado um interesse maior por parte de amigos e até menores de idade (neste caso, a presença na UTI não é regulamentada pela legislação). Sendo assim, o afeto e dedicação seriam os principais requisitos para a melhora do paciente.
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