O Brasil é um país de grandes dimensões graças aos seus descobridores, os portugueses. E hoje é um país rico graças a seus modernos agricultores que o desbravaram.
A história do plantio da soja e sua cultura que partindo do Rio Grande do Sul foi desbravando os cerrados brasileiros e hoje alcança os extremos do norte brasileiro já é conhecida demais. Todos sabem do enriquecimento que a soja trouxe ao país.
O que muitos ainda não sabem é a história da cultura do algodão.
O Brasil sempre foi um bom produtor da fibra de algodão, até mesmo um grande exportador dessa fibra, isso no final da década de 60 e começo de 70 do século passado. Chegou a ser o 2° maior exportador mundial atingindo 1,2 mi de toneladas na década de 80.
Mas restrições governamentais na década de 70, com a finalidade de beneficiar a industrialização interna do algodão vieram se somar a outras dificuldades como doenças e pragas novas (bicudo) e acabaram diminuindo a produção nacional. De uma produção de 1,8 milhão/tons, para 80 mil/tons ano.
A cotonicultura brasileira foi salva da derrocada pela sua mecanização. E aqui no país quem a iniciou foi o empresário e empreendedor Olacyr de Moraes. Sim, esse mesmo, o dono da Fazenda Itamarati de Ponta Porã-MS, na década de 80, século passado. Assim conta Adilton Sachetti outro dos grandes pioneiros dessa epopéia na mecanização da cultura do algodão no país.
A Fazenda Itamarati também teve seus percalços no inicio. Precisou da ajuda da Embrapa e da Fundação MT para desenvolver uma semente resistente à doença “Azul”. Saiu dessa pesquisa a famosa semente “ITA 90” que incentivou outros grandes produtores a se aventurarem na cultura do algodão.
Grandes produtores – melhor seria dizer grandes empreendedores – no estado de Mato Grosso, 21 deles, vendo os bons resultados feitos pela pesquisa com sementes de algodão, decidiram cobrar 20 dólares por hectare plantado, com algodão, de cada produtor a fim de formar um fundo e continuar desenvolvendo pesquisas.
Dessa primeira iniciativa em criar um fundo especial dos cotonicultores surgiu a AMPA, Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão e foi ela encarregada de levar adiante a pesquisa e defesa dos interesses dos plantadores de algodão.
Foi a AMPA que convenceu o governador Dante de Oliveira a reduzir 75% do ICMS no algodão e ainda ceder parcela do imposto para formar o Fundo de Apoio a Cultura do Algodão (FACUAL). Pronto! Estava montada a estrutura que alavancou a pesquisa e defesa dos interesses dos produtores de algodão.
Se antes de 1985 a produção de algodão no Brasil estava estagnada nos 600 kg/ha, em 1995 a produtividade alcançou 1.700 kg/ha. Hoje ela está em torno de 3.500 kg/ha. Graças, claro, à pesquisa e, sobretudo, ao empreendedorismo dos agricultores brasileiros.
Novos mercados precisariam ser abertos lá fora para tanto algodão produzido aqui. Amostras embaixo do braço, os empreendedores, apoiados pela AMPA saíram mundo afora procurando diretamente os industriais e conquistando-os, um por um, como novos clientes. Mas nessa luta nem sempre se saíram bem.
Inclusive precisaram acionar o governo americano na OMC, Organização Mundial do Comercio, processando-o pelos subsídios dados aos produtores de algodão nos Estados Unidos. Provaram que esses subsídios prejudicavam os países emergentes, onde se inclui o Brasil.
O governo dos Estados Unidos foi condenado a pagar 300 milhões de dólares aos produtores brasileiros de algodão. 200 milhões já estão depositados e serão aplicados pelos cotonicultores na melhoria e ampliação da cadeia produtiva do algodão no Brasil.
Os produtores brasileiros, com essa retomada na cultura do algodão, mostram, mais uma vez, sua capacidade empreendedora.
Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
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