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Em entrevista Joseph Blatter diz: "Educação é a melhor resposta"

16 agosto 2011 - 12h06

A FIFA acaba de comemorar dez anos da Resolução de Buenos Aires, aprovada em 7 de julho de 2001 para lutar contra a discriminação e na qual a entidade afirma que "o futebol tem o dever de agir de maneira responsável e progressista, em razão dos seus valores, do seu poder e da sua influência no mundo".

Com o fair play em foco nos dias 13 e 14 de agosto, nas quartas de final da Copa do Mundo Sub-20 da FIFA Colômbia 2011, e para mostrar os avanços nessa questão após dez anos, a FIFA.com entrevistou o presidente da entidade, Joseph S. Blatter. Nas suas respostas, o dirigente aborda de maneira direta essa questão delicada, mas crucial para a FIFA e a família do futebol.

Presidente Blatter, acabamos de comemorar o décimo aniversário da Resolução de Buenos Aires, que estabeleceu a luta contra a discriminação no futebol como uma prioridade. Nestes dez anos, quais foram as ações adotadas pela FIFA?

A FIFA fez muita coisa. Em 2001, lançou o Dia Mundial Contra a Discriminação e o Racismo. Em 2006, criamos a campanha "Diga Não ao Racismo". Eu me lembro que o jogo "90 minutos por Mandela", em 2007, teve como principal objetivo o apoio à luta contra o racismo. Estes são apenas alguns exemplos do que fazemos. No entanto, nem nós mesmos, nem a sociedade em geral, tomamos medidas suficientes contra a discriminação. Mas não vamos diminuir os nossos esforços.

Na sua opinião, como o futebol, em particular, pode ajudar na luta contra este problema?

O futebol é um esporte que tem o poder de reunir. Ele é universal. É por isso que a FIFA não perde nenhuma oportunidade para reafirmar a sua oposição a qualquer forma de discriminação — como fizemos no Dia contra a Discriminação, em 13 de julho, durante a semifinal da Copa do Mundo Feminina. Mas não é apenas o racismo. A homofobia, o sexismo, o sectarismo religioso, a discriminação étnica também não podem ser tolerados, nem em campo, nem nos estádios de futebol, nem no resto da sociedade. Eu diria que, no nosso caso, até menos, pois o fair play e a aceitação das diferenças são a essência do futebol.

Recentemente, na Copa do Mundo Feminina, disputada na Alemanha, a questão da homofobia foi levantada. Qual é a posição da FIFA sobre esse assunto?

Nós somos muito claros. A orientação sexual de um jogador ou de uma jogadora, de um treinador ou de uma treinadora diz respeito à sua vida privada. As pessoas precisam viver as suas vidas livres de todas as formas de discriminação.

No futuro, o que a FIFA pode fazer para evitar comportamentos discriminatórios?

É uma questão de educação. Eu costumo dizer que o futebol é uma escola de vida, pois os seus princípios básicos são a disciplina, o fair-play e o respeito ao próximo. A FIFA oferece vários cursos que, direta ou indiretamente, são destinados aos mais jovens. O nosso programa Grassroots é o exemplo mais óbvio, mas um curso para ajudar técnicos locais a tornarem-se treinadores reconhecidos também terá um impacto sobre os jovens. Quando ajudamos as federações afiliadas a se profissionalizarem com o nosso programa Performance, alguns dos módulos também têm impacto sobre os jogadores jovens dessas associações. Sempre que realizamos esses cursos e programas, devemos destacar as mensagens de respeito, tolerância e contra todas as formas de discriminação. Em poucas palavras: a educação é a resposta!

A FIFA utiliza outros meios para lutar contra a discriminação?

Sim, por meio do nosso movimento Football for Hope, que apoia mais de cem federações no mundo. Mas também com as nossas ações junto a organizações como a UNICEF, o Banco de Desenvolvimento Interamericano e outras agências e programas das Nações Unidas. Todas essas associações têm temáticas bem definidas e utilizam o futebol para passar essa mensagem. Na maioria dos casos, essas associações trabalham com crianças e, para muitas delas, o tema central é a luta contra a discriminação. É um trabalho meticuloso, um trabalho de educação, mas é o mais mais eficaz.

Esse é um trabalho de prevenção, mas quais são as penas para as violações?

Primeiro, gostaria de lembrar que o artigo terceiro dos estatutos da FIFA afirma que qualquer tipo de discriminação é proibida e passível de exclusão ou punição. Os estatutos da FIFA são o equivalente à Constituição de um Estado, e isso não é pouca coisa... Mas, antes de chegar à pena máxima, que seria a exclusão de uma federação afiliada, existem muitas salvaguardas. A FIFA tem um arsenal disciplinar importante neste contexto. No entanto, apesar de eu ser um defensor da firmeza e de as sanções terem um efeito dissuasivo importante, continuo convencido de que elas nunca serão tão eficazes quanto a prevenção.

Para o senhor, o que é necessário para erradicar do futebol, o mais rápido possível, esse problema social?

Eu não acho que possamos erradicar, no sentido estrito da palavra, o racismo ou a discriminação do futebol. Nunca vamos dizer "ok, não há mais racismo no futebol". Isso não é realista. Nós devemos estar sempre vigilantes. E acho que estamos no caminho certo. Os casos tornaram-se menos numerosos e, inclusive, raros. Espero que isso dure. No entanto, se quisermos garantir que os jovens entendam o absurdo de um comportamento discriminatório, é preciso envolver os jogadores, os astros. Na nossa sociedade, Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e David Beckham são ídolos de milhões e milhões de meninos e meninas. Acho que, com esses astros dizendo e repetindo que devemos ser tolerantes e não rejeitar o outro pelas suas diferenças, a mensagem será passada. Eles são um pouco como os irmãos mais velhos da família do futebol.

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