O Brasil possui quase um milhão de mães adolescentes entre 15 e 19 anos, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2008. Frente à magnitude desses dados, o artigo “Um estudo sobre as mães adolescentes brasileiras”, publicado este ano na Physis: Revista de Saúde Coletiva, buscou investigar como a condição socioeconômica e o nível de escolaridade se associam à gravidez precoce.
O estudo desenvolvido pela pesquisadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Maria Salet Ferreira Novellino analisou, através de dados da PNAD de 2001 e 2008, os casos de gestação na adolescência nas faixas etárias de 15 a 17 anos e dos 18 aos 19 anos. Segundo os dados coletados, em geral o número de mães adolescentes caiu em ambos os grupos, porém foi observado um crescimento nas ocorrências de gravidez precoce nas classes mais pobres.
Ao analisar o número de salários mínimos por família, a pesquisa relatou que, nas famílias com maior faturamento econômico, a maioria das jovens ainda não tinha filhos, enquanto nas camadas mais populares a prevalência era de adolescentes que tiveram uma gravidez precoce. O estudo também mostrou que a frequência escolar cai significantemente no caso das mães adolescentes, por exemplo, na faixa etária de 15 a 17 anos, em que 90% das jovens sem filhos frequentavam o colégio contra apenas 30% das que já eram mães. Além disso, o casamento precoce foi mais frequente nas famílias com renda inferior, enquanto jovens com melhor condição econômica mantiveram-se solteiras.
A pesquisa explica que a gravidez na adolescência proporciona maiores riscos de mortalidade para a mãe e filho. “A maternidade precoce continua a ser um impedimento para avanços nos status educacional, econômico e social das mulheres em todas as partes do mundo”, acrescenta a autora. “Para as mulheres jovens, casamento e maternidade precoces podem reduzir severamente oportunidades de estudo e de trabalho e é provável que tenham um impacto longo e adverso na qualidade de vida dessas adolescentes e de seus filhos”, afirma no estudo.
Porém, o artigo alerta que é preciso analisar a questão para além dessa causalidade simplista. “Pode-se afirmar que abandono da escola e não-participação na força de trabalho, no que diz respeito às mães adolescentes brasileiras, é uma consequência não só da maternidade e dos compromissos decorrentes que elas têm que assumir, mas também da classe de renda do domicílio onde vivem”, afirma a pesquisadora.
Para Maria Salet, é preciso considerar que as oportunidades de estudo e de trabalho já são limitadas pelas origens socioeconômicas das jovens de baixa renda e não apenas pelo fato de precisarem de tempo para cuidar dos filhos. “No que tange às políticas públicas, a melhoria da condição de vida das mães adolescentes e seus filhos não se daria pela diminuição de seu número, mas por políticas de inclusão, em termos de compatibilizar educação formal e cuidado com filhos, de preparação para o mercado de trabalho e da oferta de equipamentos e serviços de cuidados com seus filhos” , comenta.
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