Menu
Busca segunda, 25 de maio de 2020
(67) 99659-5905

Dona Zilda do Brasil, por Geraldo Resende

15 janeiro 2010 - 15h16

Muito já se disse sobre o horror do terremoto que se abateu sobre o Haiti. Uma tragédia que comoveu o mundo e que, em certa medida, atingiu também a nós, brasileiros. Seja pela perda dos militares e civis que estavam lá em missão de paz e de acolhimento social seja pela perda de proporções inestimáveis de uma mulher que merece todo o nosso respeito e admiração – Dona Zilda Arns Neumann.


Médica e sanitarista, Dona Zilda incorporava à sua imagem a solidariedade sem limites. Uma mulher destemida que resolveu fazer da força singular o bem coletivo. Que mobilizou milhares de pessoas e mostrou ser possível vencer a miséria e a fome para dar dignidade aos mais humildes.


Criadora e maior incentivadora da Pastoral da Criança, ela ajudou a salvar milhares de crianças brasileiras com uma fórmula simples – boa alimentação e cuidados básicos de saúde. Contra o descrédito ela usava a esperança e as ações práticas. Sem malabarismos, transformou utopia em coisas reais. E ajudou o país a enfrentar uma das suas maiores chagas – a pobreza – com eficiência e carinho.


A determinação dela foi decisiva para nos ajudar a vencer uma importante etapa da luta contra a desnutrição infantil que estava matando centenas de indiozinhos nas aldeias de Dourados. Ela fez questão de vir ver de perto o que estava acontecendo aqui, em 2005, quando coordenei os trabalhos de uma comissão especial externa que tratou de levantar a origem daquele drama e os possíveis caminhos para resolvê-lo.


Graças à experiência dela foi possível montar uma estratégia de combate à fome entre as crianças indígenas que trouxe um pouco mais de tranqüilidade às aldeias e uma perspectiva mais digna de vida entre os nossos índios.


Mas a dura realidade é que qualquer coisa que se diga será menor do que a importância dela para o nosso país. Nos últimos dias do ano que terminou, eu estava em Brasília na minha luta permanente em busca de novos recursos para a nossa Dourados, quando encontrei com ela na porta do gabinete do ministro da Saúde.


Nos cumprimentamos e eu pude manifestar pessoalmente e mais uma vez a imensa admiração que tinha por ela e pelo seu trabalho. Era o dia 28 de dezembro. E ela, obstinada como sempre, ainda estava lá buscando obter a aprovação de projetos importantes para as crianças brasileiras de alguma comunidade mais pobre.


Essa é a imagem que vou guardar para sempre. O Brasil perdeu uma mulher de fibra. E a história ganhou um novo mártir. Dona Zilda do Brasil.

*Deputado Federal PMDB - MS

Deixe seu Comentário

Leia Também

STJ
Quinta Turma dará mais publicidade aos processos levados em mesa para julgamento
BRASIL
Câmara pode votar Lei de Emergência Cultural na próxima terça-feira
BRASIL
Firjan Senai oferece cursos de aperfeiçoamento para todo o país
STJ
Juiz deverá aplicar medidas coercitivas a familiares que se recusam a fazer DNA, sejam ou não parte na investigação de paternidade
STF
Empresas optantes pelo Simples têm direito a imunidades em receitas decorrentes de exportação
MINISTRO
Weintraub: “tentam deturpar minha fala para desestabilizar a nação”
DIA MUNDIAL
Situação de stress social pode ser gatilho para quem tem esquizofrenia
ESTADO
Canil do Corpo de Bombeiros participa de ocorrências no interior e na capital
ESPORTE
Beach Handebol brasileiro busca alternativas para se manter no topo
INTERIOR
Com peças de Lego, alunas da UEMS criam robô que ajuda na prevenção do coronavírus

Mais Lidas

TRAGÉDIA
Homem morre atropelado por rolo compactador
PANDEMIA
Dourados ultrapassa marca de 100 casos confirmados de coronavírus
MARACAJU
Homem morre após tentativa de fuga e troca de tiros com a polícia
MS-145
Motorista disse não ter visto momento que atropelou e matou ciclista