A presidente da República, Dilma Rousseff (PT), afirmou nesta sexta-feira, em São Paulo, que a sociedade deve repudiar toda a forma de violência contra a população de rua brasileira, durante discurso no evento de Natal dos catadores de papel da capital paulista. O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado para o evento, mas não compareceu. Enquanto eteve no comando do País, Lula participou anualmente da comemoração.
A ausência do ex-presidente teria se dado para que ele não desviasse a atenção da presidente. Nos últimos dias, Lula esteve no centro de discussões políticas por conta de declarações do publicitário Marcos Valério - ligando o uso de dinheiro do Mensalão para o pagamento de despesas pessoais de Lula - e da Operação Porto Seguro, que investiga um esquema de favorecimento de interesses privados em processos públicos. As agências nacionais de Transportes Aquaviários (Antaq), de Águas (ANA), e de Aviação Civil (Anac), a Advocacia-eral da União (AGU), a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e o Ministério da Educação (MEC) estão entre os órgãos envolvidos na operação.
Entre os indiciados por suposta participação no esquema está a chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Novoa de Noronha, que atuou no governo Lula e foi mantida no governo Dilma.
Esta foi a terceira participação consecutiva de Dilma no evento. Ela esteve ao lado de Lula, em 2010, já eleita presidente e também compareceu no ano passado. "É a segunda venho como presidente da República e até o fim do mandato virei todas as vezes. Existe um compromisso do meu governo com vocês, que é governar para todos os brasileiros", disse ela.
De acordo com Dilma, é preciso uma atenção especial do governo para aqueles que têm maior fragilidade. "Devemos repudiar, combater e ser contra todas as formas de violência contra a população de rua. Devemos respeito aos moradores de rua. É inadimissível que se jogue spray de pimenta no rosto deles. É muito importante que a sociedade assuma esse repúdio. Não é admissível que o Brasil, que cada vez mais se transforma, trate seus cidadãos dessa maneira", disse.
Segundo ela, o governo federal vai fazer a sua parte, "Vamos dialogar com Estados e Municípios. É importante que o Ministério Público entre também nessa questão. Esse tipo de violência ocorre normalmente na madrugada, na calada da noite e sem testemunhas, muitas vezes esses crimes terminam impunes", disse ela.
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