O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) pediu nesta sexta-feira, dia 07 de janeiro, à PGR (Procuradoria Geral da República) que investigue a deputada Bia Kicis (PSL-DF) pelo vazamento de dados pessoais de três médicos que defenderam a vacinação de crianças contra a Covid-19.
Em um grupo do WhatsApp, a parlamentar, que é presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, confessou ter divulgado as informações pessoais dos profissionais. O caso foi revelado pelo jornal “O Globo”. Os documentos estavam em poder do Ministério da Saúde e foram vazados nas redes sociais por grupos que alimentam correntes contra a imunização.
No pedido apresentado à PGR, Alexandre Padilha classifica como "inaceitável" a conduta da deputada, que, para o petista, "fere os princípios básicos da ética humana e da lei penal". Padilha disse ainda que a atitude de Kicis "coloca em risco a vida" dos profissionais.
"Em um contexto de agravamento do desrespeito aos preceitos civilizatórios e democráticos, com ataques estimulados ideologicamente pelo ódio e desprezo pela vida, a ação da deputada coloca em risco a vida de profissionais sérios que voluntariamente aceitaram participar de debate público sobre tema da maior relevância e atualidade, qual seja, a vacinação de crianças contra a Covid-19", afirma Padilha no documento apresentado à PGR.
Conselho de Ética
Em outra frente, o PT preparou uma representação para que o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados analise a conduta da deputada Bia Kicis.
No documento, o partido afirma que a ação da parlamentar "revela um patente descumprimento dos seus deveres fundamentais ao violar direitos fundamentais de cidadãos aos quais representa".
"Agrava-se o fato em razão de o vazamento das informações ter ocorrido com objetivo de intimidar posicionamentos contrários à ideologia do representante legislativo, ou seja, para além da violação do direito à privacidade, constata-se a violação do direito à livre manifestação de pensamento", acrescenta o PT na representação.
A legenda afirma ainda que a divulgação de telefones e e-mails pessoais permitiu que apoiadores da deputada promovessem "intimidações e ameaças" contra os médicos.
Audiência sobre vacinação
Os médicos que tiveram os dados pessoais vazados são: Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações; Marco Aurélio Sáfadi, da Sociedade Brasileira de Pediatria; e Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações. Eles participaram de audiência pública promovida pelo Ministério da Saúde, na última terça-feira (4).
Os três apresentaram argumentos contundentes em defesa da vacina contra a Covid em crianças de 5 a 11 anos, postura contrária a que o presidente Jair Bolsonaro vem defendendo publicamente.
Um dos médicos prejudicados disse que o vazamento foi ainda durante a audiência pública e que, logo depois, os três começaram a receber, em seus perfis nas redes sociais, agressões, ataques intimidatórios e ameaças de grupos radicais antivacina.
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