domingo, 15 de março de 2026
Dourados
29ºC
Acompanhe-nos
(67) 99257-3397
BRASIL

Debatedores defendem projeto que regula produção de energia em alto-mar

09 maio 2022 - 13h32Por Agência Senado

Senadores e especialistas defenderam nesta segunda-feira (9) a aprovação de um projeto de lei que regula a produção de energia em alto-mar. O tema foi debatido em uma audiência pública da Comissão de Infraestrutura (CI).

De autoria do senador Jean Paul Prates (PT-RN), o projeto (PL 576/2021) disciplina a outorga para o aproveitamento de potencial energético offshore. A regra vale para empreendimentos situados fora da costa brasileira, como o mar territorial, a plataforma continental e a Zona Econômica Exclusiva (ZEE).

— Esse é um projeto que chamamos de estruturante. É um projeto que paira acima de qualquer preferência política, ideológica, ocasional ou circunstancial. Visa prover o país de uma base legal mínima para uma atividade econômica regulada, como deve ser a exploração do mar internacional. O projeto estabelece diretrizes, dando poderes ao órgão regulador e aos agentes para elegerem suas prioridades, aí sim, conforme as diretrizes políticas de um plano de governo eleito — explicou.

A audiência pública foi sugerida pelo relator do PL 576/2021 na CI, senador Carlos Portinho (PL-RJ). Ele disse que a energia eólica “é a bola da vez” na matriz energética brasileira. Mas destacou que o projeto de lei admite a possibilidade de aproveitamento offshore de outras formas de produção de energia.

— O projeto prevê a geração de energia offshore em todas as suas modalidades: eólica, solar, das marés e tantas outras que a tecnologia e a inovação ainda trarão para o desenvolvimento dessas fontes e para o proveito do nosso país — afirmou.

Para o senador Esperidião Amin (PP-SC), o PL 576/2021 “vai inaugurar um novo capítulo” na geração de energia no Brasil.

— Para que o país avance no sentido da geração limpa de energia, com a menor pegada climática e ambiental — destacou.

Marco regulatório

A audiência pública contou com representantes do governo e da iniciativa privada. Segundo Gabriela Oliveira, gerente de Desenvolvimento de Energias Renováveis da Shell, o Brasil está entre os quatro países considerados prioritários para investimentos em energias renováveis onshore (gerados em terra firme).

— Com a consolidação do nosso marco regulatório, espero que o Brasil se encontre também como um dos países prioritários para o investimento offshore. O potencial eólico offshore deve ser visto como uma nova fonte de energia para o Brasil. Uma fonte limpa, que possibilita diversos usos finais de energia. Não só a elétrica, mas também o hidrogênio verde e a amônia renovável — afirmou.

O gerente de Desenvolvimento de Negócios da Ocean Winds, José Partida Solano, também defendeu a aprovação do projeto de lei. Mas apresentou sugestões ao texto. Ele defende, por exemplo, que a legislação leve em conta investimentos já realizados pelas empresas privadas e que a remuneração da União — originalmente prevista de 3% a 5% — seja limitada a 1% ou 1,5%.

O diretor de Éolicas Offshore da Equinor para o Brasil e América Latina, André Leite, disse que a empresa norueguesa deve aplicar metade dos investimentos previstos até 2030 em projetos de energia renovável e em descarbonização. Mas defendeu que a legislação brasileira não onere “de antemão” as empresas interessadas em investir no segmento offshore.

— Apenas em eólica offshore, serão 23 bilhões de dólares a serem investidos nos próximos cinco anos [em todo o mundo]. O Brasil possui grande potencial. Seria ideal atrelar a remuneração da União ao sucesso do empreendimento. Onerar de antemão um empreendimento, sem que se tenha uma visão clara de sua rentabilidade, pode inibir a participação de empresas que conhecem a complexidade, os custos e os riscos desse mercado — afirmou.

Diretor técnico regulatório da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, Carlos Dornellas também defendeu a aprovação do PL 576/2021. Ele ponderou, no entanto, que a geração offshore seria mais adequada para a produção de energia eólica do que solar.

— Vemos com bons olhos e apoiamos o projeto. Mas destacamos que esse tipo de tecnologia [solar] se desenvolve mais em águas fluviais, por serem águas mais calmas. Fatores como corrosão acentuada e fixação da ancoragem são um desafio para a produção em alto-mar. Mas queremos deixar uma mensagem positiva para abertura de espaço para essa tecnologia ser levada adiante — disse.

O advogado Diogo Pignataro, representante do Instituto Brasileiro de Transição Energética, afirmou que a transição para fontes limpas de energia “é uma pauta global”. Para ele, o Brasil pode sair na frente se desenvolver leis seguras e estáveis para o setor.

— A energia renovável através da eólica offshore é aquela com o maior potencial de descarbonização por megawatt instalado. O mundo precisará implantar a eólica offshore para substituir a geração baseada em combustíveis fósseis. Agora precisamos no Brasil de estruturas políticas concretas, regras bem definidas e estáveis. Um ambiente estável para seu desenvolvimento — afirmou.

O gerente de Tecnologias de Energia & Descarbonização da Petrobras, André Bello de Oliveira, disse que o projeto de lei contribui para “a redução de incertezas” entre os investidores.

— Em função da escala obtida pelas fazendas eólicas offshore e da disponibilidade de recursos que já identificamos ao longo da costa brasileira, o aproveitamento dos recursos eólicos offshore pode contribuir com a diversificação da nossa matriz e com o aumento da segurança energética do Brasil. Cabe destacar, entretanto, que o desenvolvimento de projetos de grande porte em ambiente marinho envolve alto nível de especialização e investimentos significativos. O PL 576/2021 ajuda bastante na questão da redução de incertezas para que se desenvolva esse mercado, disciplinando a autorização do uso dos bens da União para a geração offshore de energia — afirmou.

O representante do Ministério do Meio Ambiente, Eduardo Wagner da Silva, lembrou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) começou a analisar os primeiros processos para a geração de energia offshore em 2017. Desde então, o número de pedidos abertos no órgão saltou de 7 para 54.

— A gente deu segurança de quais eram as regras ambientais a serem seguidas ali. O regramento ambiental que a gente tem hoje está preparado para absorver tudo o que é necessário ser feito para o licenciamento ambiental dessa tipologia. O projeto de lei só vem a somar e trazer mais segurança, tanto para a análise técnica do Ibama como também para todos os desenvolvedores dos projetos — afirmou.

Decreto

A única posição divergente durante a audiência pública veio do secretário-adjunto da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Marcello Nascimento Cabral da Costa. Ele lembrou que o Poder Executivo publicou, em janeiro, o Decreto 10.946, de 2022, que trata do aproveitamento dos recursos naturais no mar territorial, na zona econômica exclusiva e na plataforma continental a partir de empreendimento offshore. Para o gestor, uma lei para disciplinar o assunto “não seria necessária” para o início das operações.

— Quando o MME começou a desenhar a regulação para offshore, a primeira pergunta que nos fizemos foi: precisamos de lei? Depois de diversas reuniões, entendemos que na verdade a lei não seria necessária para começar, para dar o passo inicial. Depois que o decreto foi publicado, o mercado respondeu de maneira rápida e positiva. Houve um aumento de 40 gigawatts [em processos abertos] no Ibama para mais de 130 gigawatts. Isso demonstra a importância do tema e a receptividade que o mercado teve com o decreto — afirmou.

O senador Jean Paul Prates criticou o Decreto 10.946. Para ele, o texto “muito mais confunde do que ajuda”.

— O decreto cria um ambiente provisório, precário, burocrático, frágil e contestável. O próprio setor deveria discutir isso mais seriamente, e não ficar embevecido com a rapidez do processo. Vamos regular uma relação de 50 a 100 anos. Não podemos abrir o setor no ano que vem com dois tipos de outorgados diferentes. O decreto é uma regulamentação capenga, fraca. Quem investir por ele estará sob alto risco — afirmou.

O PL 576/2021 aguarda relatório do senador Carlos Portinho. Não foram apresentadas emendas ao projeto de lei. Caso seja aprovada pela CI, a matéria segue diretamente para a Câmara dos Deputados — a menos que haja recurso para votação pelo Plenário do Senado.

Requerimentos

Depois da audiência pública, a CI aprovou requerimentos para a promoção de audiências públicas. O senador Wellington Fagundes (PL-MT) quer debater o reajuste da tarifa de uso do sistema de distribuição cobrada neste ano pela empresa Energiza Mato Grosso. Fagundes e o senador Fabio Garcia (União-MT) sugerem ainda uma audiência pública sobre a utilização de créditos tributários obtidos pelas distribuidoras para reduzir a tarifa de energia elétrica.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Mercadorias de origem estrangeira sem documentação são apreendidas 
PONTA PORÃ

Mercadorias de origem estrangeira sem documentação são apreendidas 

Lançado curso de Agronomia com 60 vagas em Glória de Dourados
UEMS

Lançado curso de Agronomia com 60 vagas em Glória de Dourados

Governador de Goiás Ronaldo Caiado oficializa filiação ao PSD
POLÍTICA

Governador de Goiás Ronaldo Caiado oficializa filiação ao PSD

Colisão contra carreta destrói caminhonete, mas motorista sai ileso
JARDIM

Colisão contra carreta destrói caminhonete, mas motorista sai ileso

Caravana da Castração faz atendimento em Campo Grande e região
PETs

Caravana da Castração faz atendimento em Campo Grande e região

FUTEBOL

Jogos em Corumbá e Bataguassu abrem a semifinal do Estadual

ANTÔNIO JOÃO

Polícia Militar recupera celular furtado na fronteira e prende autor

ARTIGO

O Brasil aguarda pela verdadeira JUSTIÇA!, por Rodolpho Barreto 

ECONOMIA

Prefeitura de Costa Rica retifica concurso e prorroga inscrições

REGIÃO

Tribunal oferece seminário sobre litigância abusiva no Judiciário

Mais Lidas

TRIBUTO

Taxa de lixo pode ser dividida em até 10 vezes em Dourados

MATO GROSSO DO SUL

Governo de MS diz ter bloqueado cartões sociais usados até para pagar motel

DESCAMINHO

Ação conjunta apreende carga de pneus contrabandeados do Paraguai

FUTEBOL

Árbitra de MS apita jogo do Brasileirão Série A neste sábado