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INTERNACIONAL

China condena apreensão de navios-petroleiros pelos EUA

08 janeiro 2026 - 16h08Por Agência Brasil

O governo chinês criticou, nesta quinta-feira (8), a apreensão de dois navios-petroleiros que a Guarda Costeira dos Estados Unidos interceptou na quarta-feira (7), em águas internacionais.

“Ao apreender arbitrariamente as embarcações de outros países em alto-mar, os EUA violaram seriamente o direito internacional”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, a jornalistas.

“A China se posiciona contra sanções ilícitas unilaterais que não têm base no direito internacional ou autorização do Conselho de Segurança da ONU, bem como contra qualquer movimento que viole os propósitos e princípios da Carta da ONU e infrinja a soberania e a segurança de outros países”, acrescentou a porta-voz durante a coletiva de imprensa que concedeu esta manhã, em Pequim.

Segundo o governo dos Estados Unidos, os navios-tanques Marinera (antes registrado com o nome Bella I) e M/T Sophia foram apreendidos por violação de sanções estadunidenses, em cumprimento a um mandado judicial emitido por um tribunal federal dos próprios EUA. De acordo com a secretária nacional de Segurança Interna, Kristi Noem, as duas embarcações seriam usadas para transportar petróleo venezuelano para outras nações.

Ainda segundo Kristi, a Guarda Costeira perseguiu o Marinera por semanas até alcançá-lo em um ponto do Atlântico Norte que, segundo dados do site de tráfego marítimo Marinetraffic, fica na zona econômica exclusiva da Islândia. Ao ser apreendido, o navio estava identificado como uma embarcação russa – bandeira que as autoridades estadunidenses garantem que a tripulação do Marinera assumiu poucos dias antes, ao trocar o nome do navio para tentar escapar às sanções.

“Este petroleiro vinha tentando fugir da Guarda Costeira há semanas, até mesmo mudando sua bandeira e pintando um novo nome no casco, em uma tentativa desesperada e fracassada de escapar”, afirmou a secretária em um texto publicado nas redes sociais.

Ontem, pouco após o anúncio da apreensão dos navios, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia cobrou que os Estados Unidos cesse, imediatamente, o que classificou como uma ação ilegal contra o petroleiro Marinera.

“Pedimos a Washington que retome o cumprimento das normas e princípios fundamentais da navegação marítima internacional e cesse imediatamente suas ações ilegais contra a Marinera e outras embarcações envolvidas em atividades de cumprimento da lei em alto-mar”, manifestou o ministério, segundo a agência estatal de notícias russa, TASS.

Em nota enviada à agência, o ministério admitiu que o Marinera recebeu permissão temporária para navegar sob a bandeira russa no último dia 24. E navegava “pacificamente” pelas águas internacionais com destino a portos russos.

“O governo dos EUA recebeu repetidamente informações confiáveis, incluindo do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, sobre a origem russa do navio e seu status civil. Eles não poderiam ter tido dúvidas sobre isso, não havendo motivos para argumentar que o petroleiro estava navegando “sem uma bandeira” ou “sob uma bandeira falsa”, acrescentou a pasta, exigindo que os EUA garantam tratamento digno aos tripulantes russos do Marinera.

O segundo navio-tanque apreendido pelos EUA, identificado como M/T Sophia, foi interceptado no Mar do Caribe. De acordo com o Comando Sul dos EUA, “a embarcação interditada estava operando em águas internacionais, realizando atividades ilícitas” e, agora, será escoltada pela Guarda Costeira até os Estados Unidos.

Apoio à Venezuela

Ainda durante a coletiva desta manhã, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, voltou a manifestar o apoio chinês à Venezuela, garantindo que o governo chinês está pronto para, junto com a comunidade internacional, “defender conjuntamente a autoridade do direito internacional; o multilateralismo, a paz e a estabilidade mundial”.

Ao ser questionada sobre o artigo que o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, publicou no jornal The Guardian, alegando estar “profundamente perturbado” com as alegações que tentam justificar uma intervenção militar estrangeira como resposta às violações aos direitos humanos registradas na Venezuela, a porta-voz foi taxativa.

“A China sempre se opõe a transformar os direitos humanos em questões e ferramentas políticas, rejeita uma abordagem seletiva sobre o direito internacional e se opõe a interferir nos assuntos internos de outros países sob o pretexto de questões de direitos humanos”.

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