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Cerca de 400 brasileiros vivem perto da usina nuclear

14 março 2011 - 12h24

A equipe de plantão do Itamaraty, em Brasília, informou que residem em Sendai, uma das cidades mais afetadas, entre 15 a 20 brasileiros. Já em Fukushima, onde está localizada a usina nuclear que explodiu ontem, moram 383 brasileiros, segundo dados do Ministério do Interior do Japão. O jornalista brasileiro Marcelo Sato, que reside em Tóquio desde 1991 com a mulher e duas filhas, relatou que o governo japonês orientou os moradores de Fukushima para saírem às ruas somente com o uso de máscaras. Além disso, foi recomendado também à população da cidade que utilize capas de vinil descartáveis, semelhantes a capas de chuvas com capuz. As orientações foram dadas para minimizar os riscos de contaminação pela radiação que está vazando da usina nuclear.

As autoridades japonesas pedem para que as capas de vinil e as máscaras não sejam reutilizadas e que, ao chegar em casa, as pessoas joguem esses materiais no lixo. Os moradores de Fukusima também estão sendo instruídos a não usar sistemas de ventilação com aparelhos de ar-condicionado, que traz ar do exterior para o interior das casas, segundo Sato.

O governo japonês prepara uma espécie de “política de apagão” de energia elétrica para a Região Norte do arquipélago, área mais afetada pelo terremoto e pelo tsunami que se seguiu, na sexta-feira (11). A informação foi passada à Agência Brasil pelo secretário da Embaixada do Brasil em Tóquio, Eduardo Souza, responsável pelos contatos com a imprensa.

Segundo ele, o anúncio foi feito ontem à população pelo primeiro-ministro japonês, Naoto Kan. A ideia do governo nipônico é implantar uma escala de cortes de energia de três horas por dia nas cidades da Região Norte. Segundo o secretário do Itamaraty em Tóquio, o premiê ressaltou em seu pronunciamento à nação que as pessoas das cidades do Norte serão comunicadas antecipadamente sobre os blecautes.

O governo japonês também decidiu criar três comissões para lidar com a crise na qual o país mergulhou desde sexta-feira. Segundo Eduardo Souza, uma delas vai tratar exclusivamente no estudo dos problemas energéticos como a tentativa de controle das usinas nucleares da região afetada que ainda apresentam riscos de explosão.

Outra comissão tratará do ordenamento dos trabalhos de socorro às vítimas a serem desenvolvidos por organizações não governamentais (ONG) que já se ofereceram para ajudar o governo japonês. A terceira comissão vai estudar a situação da economia japonesa e as medidas que serão tomadas para minimizar ao máximo as consequências do terremoto para a indústria do país. O secretário da embaixada brasileira no Japão informou que os últimos números oficiais divulgados às 6h30 (horário no Brasil) contabilizam 1.049 mortos, 1.712 feridos e 275 mil desabrigados.

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