domingo, 08 de março de 2026
Dourados
25ºC
Acompanhe-nos
(67) 99257-3397
POLÍTICA

Câmara vota nesta quarta-feira o texto da PEC da Segurança

04 março 2026 - 07h09Por G 1

Uma comissão especial da Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira, dia 04 de março, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto é encampado pelo governo federal para reformular o combate ao crime organizado e aumentar a participação da União na segurança pública.

A votação na comissão especial é o segundo passo na tramitação de uma PEC. Antes, o texto passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Se aprovada na comissão especial, a proposta segue para o plenário, onde precisará do apoio de pelo menos 308 deputados em dois turnos de votação. Depois, ainda será analisada pelo Senado.

O relator na comissão, deputado Mendonça Filho (União-PE), afirmou que ainda vai fazer ajustes no texto, mas que eles não vão mudar substancialmente o que foi proposto até aqui.

Maioridade penal

Ponto mais polêmico da proposta, a redução da maioridade penal para crimes com violência ou grave ameaça à pessoa será incluída em uma nova seção da Constituição, chamada de Sistema de Políticas Penais.

De acordo com a proposta, os menores de dezesseis anos e não dezoito ano, como é atualmente, responderão por esses crimes.

O texto diz que a pena deverá ser cumprida em estabelecimento distinto dos maiores de dezoito anos. A proposta estabelece ainda que, para entrar em vigor, a regra dependerá de aprovação em referendo a ser realizado nas eleições municipais de 2028.

“É inadmissível que adolescentes completamente conscientes de suas ações sigam sem receber sanções penais adequadas à gravidade de suas ações criminosas”, afirmou o relator.

O governo pediu ao relator que retirasse esse ponto da PEC, já que o dispositivo não foi pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) - o primeiro colegiado que analisou a proposta na Câmara. Mendonça, no entanto, se mantém inflexível e deve manter a regra.

“É algo que dá uma outra garantia. Agora, não dá pra viver em sociedade onde reina a impunidade de crimes violentos praticados por jovens em todo o país e que praticamente saem impunes”, afirmou.

Direitos e garantias fundamentais

A PEC propõe que uma lei definirá agravantes nos casos de atuação de organizações criminosas de alta periculosidade.

Segundo a proposta, esta lei deverá fixar penas maiores aos seus integrantes e líderes, “proporcionais às posições hierárquicas”, bem como aos autores de crimes cometidos com violência ou grave ameaça, além de propor restrições, como:

obrigatoriedade de prisão em estabelecimento penal estadual ou federal de segurança máxima ou de natureza especial;

proibição ou restrição de progressão de regime, liberdade provisória, com ou sem fiança;
restrição ou proibição de conversão de pena de prisão em outras medidas e concessão de saída temporária;

expropriação de todo e qualquer bem, direito ou valor de conteúdo econômico envolvido com as atividades criminosas.

Direitos eleitorais

A PEC amplia as possibilidades de suspensão ou perda de direitos políticos, prevendo que isso ocorra não apenas com o trânsito em julgado do processo, quando não cabem mais recursos, mas também durante a prisão provisória (ainda não definitiva).

Competências para propor leis

Pela proposta, a União, de forma concorrente com Estados e Distrito Federal, poderá propor projetos legislativos para regular a segurança pública e a defesa social, o que hoje não está previsto na Constituição.

Pela PEC, o Congresso Nacional terá como competência exclusiva suspender atos também do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A proposta também fixa que a Política Nacional de Inteligência será de competência do Presidente da República.

Polícia Federal e PRF

A proposta inscreve na Constituição e atribui de forma expressa à Polícia Federal (PF) o combate a crimes cometidos por organizações e milícias privadas com repercussão interestadual ou internacional.

A PEC trata também da ampliação das competências da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para atuação em hidrovias e ferrovias. Atualmente, a atuação da PRF é restrita às rodovias.

“Tais ajustes atendem à demanda por um Estado mais presente e assertivo em rotas territoriais críticas, especialmente em áreas de fronteira, hoje exploradas intensamente pelas redes criminosas”, declarou o relator.

A PEC também fixa que a corporação poderá ser autorizada a agir para:

exercer o policiamento ostensivo na proteção de bens, serviços e instalações federais;

prestar auxílio aos órgãos de segurança pública estaduais ou distritais, quando requerido por governadores;

atuar em cooperação com os demais órgãos integrantes do sistema único de segurança pública, em situações de calamidade pública ou em caso de desastres.

Nova polícia

A proposta prevê a criação das polícias municipais comunitárias, organizadas em carreiras, para a realização de ações de policiamento ostensivo e comunitário.

Para isso, a PEC exige que os municípios atendam a alguns critérios:

ter população superior a cem mil habitantes;

demonstrar capacidade financeira compatível com a manutenção da corporação;

realizar a formação de acordo com os parâmetros nacionais básicos.

Financiamento

Este é outro ponto que encontra resistência dentro do governo federal. O Executivo quer pelo menos 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança para a União, o que pela redação da proposta não está garantido.

“Temos o entendimento de que pelo menos metade dos recursos fiquem para a União, para fortalecer a PF, a PRF e a Guarda Nacional e muito mais do que isso, fortalecer a inteligência, que hoje é fragmentado”, afirmou o líder do PT, Pedro Uczai (PT-SC).

De acordo com a PEC, a União criará o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional, os quais serão distribuídos entre os Estados e o Distrito Federal.

O texto destina 6% do produto da arrecadação com loteria de apostas ao dois fundos. A porcentagem de cada um dependerá de regulamento do Poder Executivo.

Sistema Único de Segurança

Se aprovada, a proposta também colocará na Constituição o sistema que tem como objetivo integrar o combate ao crime organizado entre os entes.

Na versão do governo federal, era competência exclusiva da União coordenar o sistema único de segurança pública, defesa social e o sistema penitenciário, além de estabelecer a política e o plano nacional de segurança pública e defesa social.

Esse trecho foi retirado pelo relator, que passou a prever uma atuação descentralizada, outro ponto de atrito com o Executivo, que pleiteia a volta da coordenação exclusiva da União.

Deixe seu Comentário

Leia Também

GUNTER HANS

Morre ciclista atropelado por caminhonete a Avenida Capital

INTERNACIONAL

Conflito no Oriente provoca alta de 30% no preço do petróleo

ECONOMIA

Provas do Concurso da Câmara dos Deputados serão amanhã

Homem é preso com mais de cinco quilos de haxixe na fronteira 
TRÁFICO

Homem é preso com mais de cinco quilos de haxixe na fronteira 

Inocência entra no mapa da logística com R$ 150 mi em obras
REGIÃO

Inocência entra no mapa da logística com R$ 150 mi em obras

MARACAJU 

Polícia prende homem que importunava mulheres em academia

POLÍTICA

PSOL rejeita federação com PT, mas vai apoiar reeleição de Lula

FEMINICÍDIO

Polícia investiga morte após convulsão em briga com namorado

FUTEBOL

CBF confirma jogo do Operário na terceira fase da Copa do Brasil

CRIME

Mulheres atuam na produção da prova pericial em MS

Mais Lidas

DOURADOS

Ex-administrador de hospital é investigado por desvio milionário e tem bens sequestrados em operação

JARDIM ÁGUA BOA

Polícia cumpre mandado em Dourados e investiga suspeita de golpe em clínica oftalmológica

DOURADOS

Nova avenida vai margear Parque Arnulpho Fioravante com projeção de ligação à BR-163

FEMINICÍDIO 

Enfermeira morre no hospital após ser agredida a marteladas pelo marido