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Brasileira é finalista de prêmio da ONU

31 outubro 2011 - 19h23

A brasileira Patrícia Paz Silva Giordani, sócia proprietária da empresa Moura e Paz - Soluções Ambientais, na cidade de Vilhena, em Rondônia, é uma das dez finalistas do Prêmio Empretec para mulheres empresárias 2012, que é promovido pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). A indicação foi anunciada no mês passado, e a empresária concorre com mulheres do Equador, El Salvador, Etiópia, Jordânia, Nigéria, Panamá, Uganda, Vietnã e Zimbabwe.

A terceira edição do evento acontecerá durante o 3º World Investment Forum (WIF) em Doha, no Qatar, em abril de 2012, junto com a 13ª Conferência Ministerial da UNCTAD. As três primeiras colocadas receberão como prêmio uma ajuda financeira para investir na melhoria da empresa. “Me sinto muito emocionada com essa indicação. Isso só dá mais visibilidade a nossa empresa. Também mostra que todo o esforço e trabalho que fizemos foi acertado”, diz Patrícia.

O prêmio foi criado como forma de incentivo ao empreendedorismo das mulheres que participaram do Empretec. O objetivo é motivar as empresárias que fazem a diferença nos seus países. Os especialistas encarregados da seleção das finalistas levam em conta critérios como talento empreendedor, desempenho da empresa, a liderança da mesma na comunidade em que atua, a singularidade e superioridade dos produtos e serviços prestados. A brasileira foi reconhecida por propor medidas ecológicas para a coleta, o transporte e o tratamento final de resíduos perigosos.

Patrícia Paz conquistou o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios edição 2010/2011 e foi uma das três escolhidas pelo Sebrae Nacional para concorrer ao prêmio internacional. A UNCTAD é composta por 32 países e cada um deles faz suas indicações.

Superação

A Moura e Paz - Soluções Ambientais, criada por Patrícia Paz, é uma empresa de incineração de resíduos sólidos e que atua há pouco mais de dois anos no estados de Rondônia e Mato Grosso. Mas até chegar ao ramo de incineração, a empresária passou onze anos da sua vida trabalhando como dentista num consultório.

“Posso dizer que a Moura e Paz foi criada a partir das dificuldades que eu sentia, como dentista, de não poder descartar o lixo produzido pela clínica de forma segura e adequada”, explica. Após receber uma multa, Patrícia começou a pensar em soluções e viu que outras clínicas e hospitais passavam pelos mesmos problemas. Foi aí que a dentista largou a profissão e passou a buscar informações sobre seu novo empreendimento.

No início, a empresária se deparou com muitas dificuldades. Precisou voltar a estudar, fez um curso de pós-graduação em gestão, auditoria e pericia ambiental. Também venceu a resistência do marido à ideia e convenceu um amigo a ser sócio. Outro obstáculo foi montar uma equipe multidisciplinar com engenheiro sanitarista e químico, projetistas, economista e biólogo. “Sofri discriminação em muitos lugares. Depois que inauguramos a empresa passamos uns seis meses sem clientes”, lembra Patrícia.

Peregrinação

Para não deixar seu negócio morrer na casca, a empresária começou uma peregrinação em cidades vizinhas, levando seu projeto e tentando vencer as resistências. “As pessoas, principalmente meus colegas da área da saúde, eram contra pagar por este serviço diferenciado. Mas eu fui em frente e não desisti. Hoje trabalhamos com a coleta, transporte, tratamento e destinação final de resíduos perigosos. Poucos estados possuem este serviço. Preservamos o meio ambiente e fazemos tudo absolutamente dentro da legislação. Conseguimos mudar a cabeça das pessoas sobre o assunto”, comemora.

A destinação correta de resíduos químicos, lixo hospitalar e combustíveis são a atividade principal da Moura e Paz, que atualmente conta com 22 colaboradores e uma cartela de 700 clientes. Mas a empresária também realiza palestras de educação ambiental para clientes e prefeituras e recebe estudantes que desejam conhecer a empresa e se interar sobre as novas tecnologias usadas no tratamento de resíduos sólidos.

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