São das folhas de uma planta de uso milenar que é possível se extrair a cor azul em uma infinidade de tons. Chamada de índigo, a espécie é muito usada como corante natural. No mundo todo, existem centenas de variedades, entre elas, a japonesa.
A planta chegou no Japão no século 5 e ganhou espaço no chamado período Edo, entre os anos 1.600 e 1.800. A planta começou a ser cultivada em larga escala com a chegada do algodão para suprir a demanda de tingimento.
E toda essa história do índigo e as tonalidades do azul que ele pode trazer se tornou paixão para a designer de moda, tingideira e professora Kiri Miyazak, que se dedica aos estudos da planta.
“De um ponto de vista bem filosófico, índigo para mim é como voltar para casa. Eu realmente fiz um caminho de volta para minha ancestralidade, para minha origem, para poder fazer as pazes”.
Kiri nasceu no Brasil, mas quando tinha 17 anos, o pai dela — que sempre gostou da cultura oriental — resolveu levar a família para morar no Japão. Na época, ela não gostou da ideia.
Mas o amor pelo país foi resgatado anos depois quando foi estudar moda e ficou interessada pelas técnicas de tingimento natural.
Descobriu o índigo, se encantou e, em 2017, encarou viajar de novo para o Japão para entender mais sobre o cultivo da planta em uma fazenda em Tokushima, cidade tradicionalmente ligada ao azul.
A designer, então, decidiu plantar o índigo no Brasil e aproveitar os conhecimento de biólogo do marido. Até então, ela nunca havia sido plantada na América.
Apesar de ser cultivada no litoral do Japão, Kiri e o marido precisaram fazer com que a planta gostasse do clima da Mata Atlântica entre a Serra da Cantareira e a Serra do Itapetininga. Apesar das dificuldades, o cultivo deu certo.
O índigo foi plantado em uma pequena lavoura de 150 metros quadrados. A colheita é feita duas vezes por ano. A produção serve de estoque para as atividades práticas de tingimento.
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