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Brasil tem método que identifica mal da Vaca Louca

27 dezembro 2003 - 18h59

Nessa semana, o mal da Vaca Louca (encefalopatia espongiforme bovina) voltou a causar tensão no mercado consumidor de carne bovina. O Brasil desenvolveu um método de prevenção da Vaca Louca, por meio de análise da ração animal utilizada na alimentação dos rebanhos. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o método pode ser usado por outros países, principalmente da Europa. "A técnica desenvolvida é inovadora pela velocidade e precisão na avaliação da existência de proteínas animais na ração", revela o pesquisador da Embrapa Carlos Bloch. "O Brasil tem a oportunidade de fazer o licenciamento desse método para outros países. Isto porque a tecnologia é inovadora e permite que se faça a análise com grande rapidez e precisão", garante o pesquisador da Embrapa José Cabral. O Brasil patenteou a pesquisa no início de 2002, junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Para desenvolver o método foram investidos R$ 600 mil, durante seis meses. O custo para realizar a análise é de US$ 80 por amostra, sendo necessário apenas uma pequena quantidade, ou um microlitro, e o resultado sai em um minuto, por meio da técnica chamada de Espectrometria de Massa. Europa Os países da Europa utilizam o método chamado de microscopia ótica. Segundo Bloch, essa técnica tem limitações porque necessita de uma boa avaliação do operador da análise que verifica se há origem animal, por meio da diferenciação de grânulos da amostra. Um outro método utilizado é o PCR, também usado para testar paternidade, mas apresenta limitações na avaliação da presença de proteína animal. Outro método é o Elisa, que consiste em testar a amostra por meio de anticorpos produzidos com proteína de porco. Mas, segundo Bloch, como esse método só utilizava a proteína do porco e não de outros animais, só detecta 10% dos casos. De acordo com Carlos Bloch, o risco do Brasil desenvolver o mal da Vaca Louca é pequeno porque a maior parte do rebanho brasileiro é criado em pastos e se alimenta de capim e não de ração. Além disso, há como prevenir a presença da proteína animal por meio do novo método. Na primeira etapa da pesquisa foram realizadas análises em 185 amostras, sendo que 9% apresentaram proteínas. Ração 1Bloch disse que a existência das proteínas na ração ocorria por falta de higienização dos equipamentos na hora de produzir o alimento. "A contaminação não era criminosa, como acontecia na Europa, mas uma questão de manipulação", explicou. O pesquisador José Cabral defende que o governo brasileiro deveria investir mais no controle do uso de proteína animal por meio de fiscalização e tornando obrigatório a coleta de amostras de ração para análise. O próximo passo dos pesquisadores da Embrapa é desenvolver um método para a avaliação da carne de frango e ovos. O objetivo é avaliar se há a presença de um antibiótico, chamado de nitroflurano, que pode causar câncer. O método será desenvolvido, no próximo ano, em parceira com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (ABEF). "Com o medo da Vaca Louca, há a expectativa de aumentar a exportação de frango, por isso o método servirá para qualificar a carne de frango brasileira no exterior", acredita Bloch. Desde de 1999, o Ministério da Agricultura proibiu o uso de proteínas animais na fabricação de ração para bovinos. Isso porque o uso sem controle de carne, ossos, sangue e vísceras na alimentação dos animais pode causar a contaminação do rebanho.

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