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Brasil tem 63 organizações de sem-terra, diz pesquisa

07 junho 2006 - 12h10

O Núcleo de Estudo, Pesquisa e Projetos de Reforma Agrária da Universidade Estadual Paulista (Unesp) fez recentemente um estudo sobre os movimentos de trabalhadores rurais sem-terra no Brasil. Foram identificadas 63 organizações no setor. O levantamento revelou, no entanto, que metade dos sem-terra, cerca de 50 mil famílias, está reunida em torno do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), responsável pelos atos de violência na Câmara dis Deputados ontem, foi considerado "pequeno" pelos pesquisadores."Ele [o MLST] reúne famílias que tem atuado basicamente em Minas, São Paulo e no Rio Grande do Norte. É diferente do MST que atua em todo o Brasil", explicou o coordenador do núcleo da Unesp, Bernardo Mançano Fernandes, em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.Segundo ele, a atuação com violência precisa ser analisa porque não faz parte da tradição de manifestações das famílias e militantes do MLST. "Não sei o que aconteceu em Brasília. Se foi a polícia que reagiu, se eles foram reprimidos com violência e resolveram forçar a barra e entrar na Câmara do Deputados. Não faz parte da tradição desses movimentos agir com violência", disse o pesquisador.Para Fernandes, os últimos governos não têm conseguido atender as reivindicações feitas pelos trabalhadores rurais sem-terra. Na opinião dele, o Judiciário também estaria impedindo a reforma agrária, acatando o pedido de cancelamento dos decretos presidenciais que desapropriam áreas improdutivas. O professor da Unesp lembrou que o Brasil demorou décadas para estruturar uma legislação própria para a reforma agrária. A primeira iniciativa nesse sentido teria sido o Estatuto da Terra, elaborado em 1964 pelos militares. Durante o governo do presidente José Sarney, foi criado o Primeiro Plano Nacional de Reforma Agrária, seguido em 1993 pela lei de Reforma Agrária.Pelos cálculos de Fernandes, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, foram assentadas 500 mil famílias. No atual governo, estaria previsto o assentamento de 400 mil famílias. "É muito provável que ele [o presidente Lula] cumpra esta meta este ano ainda. Mas isso não atende à demanda. O desemprego tem aumentado, a mecanização no campo tem desempregado muita gente, vem aumentando cada vez mais o número de famílias sem terra", afirmou o pesquisador. 

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