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SAÚDE

Brasil segue sem casos suspeitos de ebola, segundo ministro da Saúde

05 agosto 2014 - 17h45

O ministro da saúde, Arthur Chioro, disse, nesta terça-feira (5), que o Brasil continua sem casos suspeitos de ebola. "Não há nenhum caso suspeito, mas todos os tripulantes e passageiros que chegam ao Brasil, tanto por aeronaves quanto por navios, são submetidos a uma rigorosa avaliação e, se for identificado alguém que tenha sintomas, vai imediatamente para isolamento e para coleta de exames."

Chioro afirmou ainda que o Ministério da Saúde está "seguindo muito rigorosamente" todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e que a pasta reforçou junto às secretarias estaduais e municipais da saúde a necessidade de estar em alerta para a possibilidade de casos da infecção.

Suspeitas não confirmadas

Nesta segunda-feira, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou que já houve casos de pacientes que vieram da África com sintomas variados e que foram encaminhados para serviços de referência para verificar o risco de ser ebola.

“Tem casos de pessoas que vêm de países onde nem tem ebola e os sintomas nem são parecidos”, diz Barbosa. Para ele, isso mostra que os profissionais e o sistema de saúde em geral estão “muito sensíveis” para identificar esses casos. “Isso é bom, desde que não se caia no exagero de não observar de onde a pessoa veio, o que pode sobrecarregar os serviços de referência.”

Nenhum dos casos apresentados até o momento no país preencheu os requisitos para ser considerado suspeito de ebola. “Um era malária e o outro era infecção urinária. Como a pessoa tinha vindo da África, pensaram que poderia ser ebola. Mas no hospital de referência, essa possibilidade é descartada.”

Probabilidade baixa

A probabilidade de o ebola chegar ao Brasil é muito baixa, de acordo com Barbosa. “O ebola não se transmite pelo ar, diferentemente de outros vírus. Só transmite se a pessoa tiver contato direto com sangue ou fluidos corporais de pessoas doentes”, diz. Outra característica que dificulta a propagação da doença para outros continentes é que o paciente tem mais probabilidade de transmitir a doença quando aparecem os sintomas.

“Todo caso de ebola é grave, não tem casos com sintomas leves ou assintomáticos”, diz o secretário. Dessa forma, é mais fácil identificar o paciente que pode transmitir o vírus. Além disso, pacientes nesse estado provavelmente não conseguiriam fazer uma viagem internacional.

Voos

Barbosa observa que não há voos diretos dos países afetados – Serra Leoa, República da Guiné e Libéria – para o Brasil. Mas caso um passageiro apresente sintomas durante um voo, a equipe de bordo deve seguir as regras determinadas pela Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata).

Entre outras medidas, a tripulação deve contatar o aeroporto de destino, onde uma equipe de vigilância sanitária deverá avaliar o paciente e encaminhá-lo para um serviço de referência, se necessário. Até o momento, a OMS não fez restrições a voos nem orientou o fechamento de fronteiras por causa da epidemia.

Detecção

Segundo Barbosa, como os sintomas do ebola são sempre graves, a doença é de fácil detecção. “O ebola, junto com outras febres hemorrágicas, é de notificação compulsória e imediata. O profissional da saúde que atendeu um paciente e que suspeite de ebola deve comunicar a secretaria municipal ou estadual da Saúde, ou Ministério da Saúde.”

Ele afirma que os serviços de referência brasileiros estão preparados para lidar com casos da infecção. “A doença é gravíssima, mas tem outras doenças que precisam de isolamento até maior. Os procedimentos adequados são conhecidos. Em casos suspeitos, os profissionais dos hospitais de referência sabem como proceder.”

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