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POLÍTICA

Bolsonaro diz que 'jamais' entregaria celular, mesmo sob ordem judicial

22 maio 2020 - 22h20Por G 1

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, dia 22 de maio, em entrevista à rádio Jovem Pan que "jamais" entregaria o próprio celular em caso de uma determinação judicial. Segundo Bolsonaro, ele só entregaria o celular se fosse um “rato”.

Nesta sexta, o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), encaminhou para análise da PGR (Procuradoria Geral da República) três notícias-crime apresentadas por partidos políticos e parlamentares à Corte. Nas notícias-crime os partidos pedem, entre outras providências, a apreensão do celular do presidente. Cabe à PGR decidir se pedirá a apreensão.

É praxe que ministros do STF enviem esse tipo de ação para manifestação da procuradoria. Celso de Mello é relator do inquérito que investiga denúncias de que Bolsonaro interferiu politicamente na PF. Em nota, o gabinete do ministro do Supremo esclareceu que Celso de Mello não mandou apreender celular de Bolsonaro.

Mais tarde, em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro reafirmou: "Me desculpe senhor ministro, Celso de Mello. Retira o seu pedido, que meu telefone não será entregue. O que parece que o senhor quer com isso? É que fique cozinhando agora lá a entrega do meu telefone. Ninguém vai pegar o meu telefone".

Na entrevista a rádio, Bolsonaro também foi questionado sobre uma nota divulgada nesta sexta pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno.

Na nota, o ministro declarou que a eventual apreensão do celular do presidente seria “inconcebível” e poderá ter “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”. Heleno compartilhou a nota em uma rede social e Bolsonaro retuitou a publicação para que ela também aparecesse no perfil do presidente.

O presidente explicou que viu a nota de Heleno antes da publicação, criticou a postura de Celso de Mello e afirmou mais de uma vez que não entregaria o aparelho.

“Espera aí: um ministro do Supremo Tribunal Federal querer o telefone do institucional do presidente da República, que tem contato com alguns líderes do mundo, por causa de fake news? Tá de brincadeira comigo!”, disse.

“No meu entender, com todo o respeito que tenho ao Supremo Tribunal Federal, ele nem devia ter encaminhado este pedido ao procurador-geral da República. Tá na cara que jamais eu entregaria meu celular. Estaria, sim, sendo criada uma crise constitucional. A troco de quê? A troco de quê? Qual é o próximo passo? É dar uma canetada e falar que eu não sou mais presidente? Ele, alguém tá achando que eu sou um rato para entregar um telefone meu numa circunstância como essa? Pelo o amor de Deus, somos três ponderes e ponto final. Cada um tem que saber o seu limite”, acrescentou.

Bolsonaro afirmou, em seguida, que somente se o presidente fosse um “rato” para aceitar a apreensão do telefone. Indagado novamente por um dos entrevistadores se entregaria o celular, o presidente respondeu: "Só se fosse um rato para entregar o telefone".

Na opinião de Bolsonaro, Celso de Mello “pecou” ao solicitar a manifestação de Aras. O presidente desejava que o ministro ignorasse o pedido feito por parlamentares.

“Vou continuar respeitando o Supremo Tribunal Federal. Agora o senhor Celso de Mello, lamentavelmente, pecou. Ele poderia ignorar isso daí. Ele não tem prazo, pô. Gostaríamos que a Justiça tivesse prazo, mas não tem prazo. Sentar em cima e ignorar um pedido desse aí”, afirmou.

O presidente lembrou que indicou o atual procurador-geral Augusto Aras e declarou ter “certeza” que Aras opinará contra a apreensão do telefone.

"Eu tenho certeza, né, eu que indiquei o procurador-geral da República, mas tem sua independência e tem agido o doutor Aras, que o parecer dele vai ser para que isso não seja concedido", disse.

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