O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, dia 13 de março, que o assessor do presidente norte-americano Donald Trump para temas relacionados ao Brasil, Darren Beattie, só entrará no país quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder entrar nos Estados Unidos.
Nesta sexta, o Itamaraty revogou o visto de Darren Beattie. O Brasil argumentou estar usando o princípio adotado internacionalmente, inclusive pelos norte-americanos, de reciprocidade.
"Aquele cara norte-americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde [Alexandre Padilha], que está bloqueado", afirmou.
Em agosto do ano passado, os Estados Unidos cancelaram o visto da mulher e da filha, de 10 anos, de Alexandre de Padilha. O visto do ministro não foi cancelado porque já estava vencido.
No mês seguinte, Padilha afirmou ter recebido visto para participar de reunião na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York.
"Não, você sabe que bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos, sabe? Então, Padilha, esteja certo que você está sendo protegido", afirmou Lula em referência ao episódio.
A declaração do presidente ocorreu em agenda no Rio de Janeiro. Lula participou do evento de inauguração do Hospital do Andaraí.
Moraes nega visita
Nesta quinta (12), o Ministro Alexandre de Moraes voltou atrás e negou visita de assessor de Trump a Bolsonaro na cadeia. A visita foi solicitada pela defesa de Bolsonaro.
A nova decisão do ministro veio após o Itamaraty afirmar que o encontro entre Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, e o ex-presidente poderia "configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro".
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) também reforçou que não havia compromisso diplomático já confirmado com Beattie neste momento.
"A realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido", disse Moraes na nova decisão.
No entendimento do governo, ele mentiu ao pedir o visto, segundo fontes ligadas à diplomacia ouvidas pela GloboNews.
No último dia 10 de março, a defesa de Bolsonaro solicitou a Moraes que fosse autorizada uma visita de Beattie ao ex-presidente na cadeia.
No mesmo dia, Alexandre de Moraes autorizou a visita em dia diferente do solicitado pela defesa, que acabou reforçando o pedido para que a visita ocorresse nas datas sugeridas inicialmente.
Beattie é crítico do governo do presidente Lula e da atuação de Moraes. No governo americano, ele atua na formulação e acompanhamento de políticas de Washington em relação a Brasília.
Desde janeiro, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de 2022 no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha.
As visitas ao ex-presidente precisam receber o aval de Moraes, relator do processo que levou Bolsonaro à cadeia.
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