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Anvisa vai cancelar registro de silicone de empresa francesa

30 dezembro 2011 - 14h38

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta quinta-feira que vai cancelar o registro das próteses mamárias PIP (Poly Implants Protheses), produzidas por uma empresas francesa de mesmo nome, e recolher as que ainda estão sob a guarda do importador brasileiro. A agência diz que baseou sua decisão nos resultados de testes divulgados pela autoridade sanitária da França, indicando que foi utilizado um tipo de silicone diferente do autorizado para a fabricação de próteses.

Embora tenham sido registrados na França casos de câncer em mulheres com implantes mamários fabricados pela PIP, testes laboratoriais descartaram risco de toxidade e câncer. Mas a ruptura pode causar contratura, assimetria de mama e dor no seio. A empresa foi acusada de usar em seus modelos silicone de grau industrial, normalmente encontrado em computadores e utensílios de cozinha. Na última terça-feira, o advogado da companhia e de seu fundador, Jean-Claude Mas, admitiu que foi usado silicone sem aprovação na fabricação das próteses, e contou ainda que material aprovado era usado em versões mais caras do produto. Ninguém foi responsabilizado neste caso, mas um tribunal de Marselha deve anunciar acusações de fraude no ano que vem, afirmaram fontes judiciais à agência Reuters.

IMPORTAÇÃO: Brasil também recebeu próteses de silicone sob suspeita na França

Segundo a Anvisa, as próteses já estavam suspensas no Brasil desde abril de 2010. A agência informou também que o país importou 34.631 unidades, das quais 24.534 foram comercializadas. O restante será recolhido. A Anvisa voltou a orientar as mulheres que colocaram a prótese para procurar o médico e fazer uma avaliação e acompanhamento do caso. Na última semana, a agência divulgou normas orientando médicos, pacientes e profissionais de saúde sobre as próteses PIP. Além da recomendação de as mulheres procurarem seus médicos, os cirurgiões deveriam contactar pacientes que tenham feito este implante, de acordo com o informe. A Anvisa pede ainda que serviços e profissionais de saúde notifiquem todos os problemas, bem como as cirurgias para a retirada do PIP, comercializado no Brasil sob o nome de Implante Mamário Preenchido de Gel de Alta Coesividade.

Na França, o governo recomendou que as mulheres que receberam a prótese a removam, “como uma medida preventiva, mas não de caráter urgente”. Também nesta semana, a imprensa internacional divulgou que o FDA, agência que regula alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, fez uma inspeção em uma das fábricas da PIP na França no ano 2000 e enviou a seu fundador uma carta de alerta sobre implantes “adulterados” e irregularidades na produção de um outra linha da empresa.No Reino Unido, cerca de 250 britânicas que fizeram o implante de silicone PIP vão à Justiça processar as clínicas onde fizeram as cirurgias. O grupo quer o direito de retirar as próteses gratuitamente. Estima-se que em todo o país entre 40 mil e 50 mil mulheres tenham próteses deste tipo. Mas o governo britânico apenas recomendou que as pacientes procurem seus médicos para um check-up, por considerar que não há indícios que sustentem a necessidade de se retirar os implantes.

Na Espanha, o jornal “El Pais” cita o caso de o cirurgião Jaume Serra que começou a operar mulheres que receberam o silicone PIP, após se dar conta dos riscos que elas corriam. Algumas, inclusive, já convivam com os danos, como rupturas e inflamações. Eles lhes cobra os custos da cirurgia, e o valor simbólico de um euro pela mão de obra. Quando precisa se deslocar para operá-las, as pacientes também cobrem estes custos. O especialista trava uma luta particular contra essas próteses há quase dois anos, quando se deu conta que o material vendido pela PIP se rompia com mais facilidade que outros.

Na última quarta-feira, o governo venezuelano anunciou que pagaria cirurgias a remoção dos implantes mamários PIP a mulheres que temiam que eles se rompessem. Os custos cobertos seriam o de remoção, mas o de substituição por outra prótese, informou a ministra da Saúde Eugenia Sader. Ela informou ainda que muitos implantes deste tipo foram importados para o país sem a devida autorização.

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