O primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 exigiu mais conteúdo e leituras e privilegiou menos as imagens do que nas edições anteriores. Na prova de ciências da natureza, alguns dos temas que foram abordados incluem assuntos sobre genética e DNA, primeiros socorros e o desempenho esportivo de Usain Bolt. Já a prova de ciências humanas, que exigiu bastante leitura dos textos para chegar às alternativas corretas, trouxe como temas muitos pensadores do século XX, como Simone de Beauvoir e Friedrich Nietzsche, e charges de Amarildo e Ziraldo.
###Ciências da natureza exigiu conteúdo
Ao contrário de anos anteriores, a prova de ciências da natureza foi mais conteudista. Neste ano, para resolver as questões, era necessário mais conhecimento prévio de fórmulas. Além disso, caiu o número de questões que envolvia cálculos da regra de três.
O Enem 2015 abordou a dengue em duas questões: em uma delas, o candidato precisava compará-la à febre amarela em relação à existência de vacinas. O filme "Titanic" foi tema de uma pergunta de física, sobre o fenômeno ótico da miragem.
O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, considerado "figurinha carimbada" no Enem, apareceu em mais uma edição do exame do MEC. Desta vez, porém, na prova de ciências da natureza, em uma questão interdisciplinar onde um de seus poemas foi associados à fissão do urânio.
Nas questões de química houve prevalência da química orgânica. Em uma delas, os candidatos tiveram que falar sobre os feromônios das abelhas.
Já em biologia, uma das questões pediu mais conhecimentos de primeiros socorros do que da matéria em si. Ela falava sobre o atendimento a vítimas de queimaduras.
###Ciências humanas teve muita leitura
Nas 90 questões de ciências humanas, o Enem 2015 abordou um número grande de pensadores contemporâneos. A célebre frase de Simone de Beauvoir ("Não se nasce mulher, torna-se mulher") foi citada em uma questão sobre as lutas feministas do início do século XX. O educador brasileiro Paulo Freire também foi tema de uma questão interpretativa sobre pensamento individual e coletivo. Outro brasileiro que apareceu nas provas deste ano foi o jornalista e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda.
Dois chargistas do Brasil também tiveram suas obras usadas como inspiração para questões. Uma charge do escritor e cartunista Ziraldo publicada em 1974 apareceu no Enem 2015 para ilustrar uma pergunta sobre o endividamento no período da ditadura militar no Brasil. Já o cartunista Amarildo teve uma charge como parte de uma questão sobre agrotóxicos no Brasil.
Entre os pensadores estrangeiros está Friedrich Nietzsche. Na questão que pediu conhecimentos sobre o filósofo alemão, o Enem perguntou sobre sua interpretação da filosofia grega. Outro alemão que apareceu na prova foi Max Weber.
Nas questões de história, o Enem abordou a crise imobiliária dos Estados Unidos de 2007, a economia chinesa e a posição da África no cenário mundial. Também caíram assuntos da atualidade, como as consequências dos ataques do Estado Islâmico a patrimônios históricos no Oriente Médio e a preocupação dos países com a segurança de dados, em relação à espionagem americana.
Além disso, houve questões envolvendo a Idade Média e o Descobrimento do Brasil.
Apesar da pouca prevalência, a prova de ciências humanas também pediu pelo menos dois mapas. Porém, não exigiu muito conteúdo prévio: era possível encontrar as respostas fazendo a leitura das imagens. Outro tópico mencionado no exame foi a crise hídrica em Minas Gerais – a questão relacionava-se à importância das veredas para o equilíbrio ecológico.
###Candidatos atrasados
Em entrevista, pouco depois das 15h deste sábado, Luiz Claudio Costa, secretário-executivo do MEC, afirmou que o número de atrasados é considerado baixo. Ele disse que a pontualidade da prova é um quesito "pedagógico", e mencionou casos de candidatos que se atrasaram na edição de 2014 do Enem, e que neste ano aprenderam a lição, e chegaram duas horas antes do fechamento dos portões.
Luiz Claudio também rebateu reclamações de candidatos alocados na Uninove da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Eles tentaram forçar a entrada no local de provas após o fechamento dos portões, alegando que, por causa da falta de sinalização, foram até o prédio errado. "Todos os candidatos receberam o local de provas com o endereço detalhado", explicou o secretário.
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