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Autor de biografia de Roberto Carlos diz que foi coagido

06 junho 2007 - 15h13

Autor da biografia não-autorizada de Roberto Carlos, Paulo César de Araújo, afirmou, durante o evento Prosa na Vila, promovido na última segunda-feira à noite (4) pela Livraria da Vila, em São Paulo, que ele e a editora Planeta, que publicou o livro Roberto Carlos em Detalhes, foram coagidos a fazer um acordo com o cantor sob pena de a editora ser fechada.

"O juiz (Tercio Pires, do Fórum Criminal da Barra Funda) que presidiu a audiência de conciliação afirmou que já tinha uma ordem assinada para fechar a editora, caso não comparecêssemos. Ele disse que a editora poderia ser fechada e que, caso perdêssemos, não seríamos mais réus primários e que poderíamos ser presos por qualquer infração leve de trânsito", contou Araújo.

Além disso, o autor da biografia não-autorizada afirmou que o mesmo juiz, ao término da audiência, teria declarado a Roberto Carlos que também era cantor e compositor e teria entregado a ele um CD com composições suas para apreciação do rei.

Diante da ameaça de fechamento da editora, a argumentação dos advogados de defesa do biógrafo e da própria editora mudou imediatamente. "A discussão já mudou de foco e passamos a discutir a devolução dos livros, mas sem pagar a indenização milionária pedida pelos advogados de Roberto Carlos, que defendiam o pagamento da mesma por conta dos honorários advocatícios. Então, o juiz propôs que devolvêssemos os livros e que entregássemos R$ 10 mil ao Roberto Carlos, que se negou a aceitar tal acordo, dando a entender que a questão não era apenas financeira", informou Araújo, durante o debate que teve presença de advogados e de representantes da Associação Paulista de

Propriedade Intelectual

O autor disse ainda que esperava um não entendimento entre os advogados para que, assim, fizesse a proposta final. "Olhei para ele e disse: 'Roberto, menos de 5% do conteúdo do livro lhe desagrada. O resto é história do Brasil. Você aponta o que não gostou, e nós editamos', mas ele não aceitou. E eu disse isso aos prantos."

O cantor, contudo, não aceitou a proposta, e seus advogados, de acordo com os autos do processo, alegaram perda futura de lucros, já que o cantor também pretendia lançar uma biografia sua. "Eles alegaram até que o fato de o livro ser lançado em dezembro diminuiria as vendas do disco do Roberto que sempre é lançado nessa época, pois os fãs prefeririam comprar o livro", relatou o escritor.

Medo e esperança

Paulo César de Araújo é jornalista, historiador e mestre em Memória Social pela Uni-Rio. Ele escreveu também Eu Não sou Cachorro, Não: Música Popular Cafona e Ditadura Militar, publicada pela editora Record.

O autor disse que, nessa obra, contou detalhes íntimos da vida de cantores como Agnaldo Timóteo, Lindomar Castilho e Odair José. "Acho que detalhes da vida pessoal dos artistas só devem ser revelados quando têm alguma interferência em sua obra. Por isso, contava sobre músicas cantadas por esses personagens que falavam de drogas, homossexualidade e até de crimes passionais. Inclusive, quando lancei esse livro, fiquei com medo de ser agredido pelo Agnaldo Timóteo (pois o livro revelava sua homossexualidade) ou pelo Lindomar Castilho (que matou a mulher). Achei que, com o Roberto Carlos, que não era homossexual, não usava drogas e nunca matou ninguém, seria mais fácil."

O autor afirma que está consultando juristas e que tem esperança de que seu livro volte a circular. "Se eu passei 15 anos escrevendo esse livro, não tenho medo de passar mais 15 lutando para que ele volte a circular. Nada disso me desanima. Ao contrário, se teve uma coisa que aprendi com a história do Roberto Carlos foi não desanimar."

Questionado sobre o fato de seu livro estar disponível na Internet e ser vendido a R$ 2 na Praça da República, Araújo responde que essa é uma "grande demonstração de desobediência civil" e que isso mostra a Roberto Carlos que "sua obra continua viva".

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