Autor da emenda que instituiu a reeleição no Brasil, o ex-governador de Pernambuco e ex-deputado federal José Mendonça Filho (DEM) disse ontem que um terceiro mandato para "qualquer presidente" seria "irracional, esdrúxulo, algo sem paralelo no mundo".
Para ele, não há como comparar sua emenda com a de um eventual terceiro mandato. "São coisas distintas", afirmou. "A minha proposta de reeleição foi um avanço institucional para o país, e a de um terceiro mandato contraria qualquer lógica do presidencialismo."
Segundo o ex-governador, o modelo presidencialista brasileiro é "semelhante" ao norte-americano, que admite a reeleição apenas uma vez. "Não existe no sistema democrático a reeleição ilimitada", disse.
Ele nega que sua opinião esteja ligada à oposição de seu partido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Falo sobre a tese de um terceiro mandato, não sobre candidatos."
Sua emenda, aprovada pelo Congresso Nacional em 1997, em meio a suspeitas de compra de votos, permitiu que o então presidente, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), se elegesse novamente no ano seguinte.
Acusado de agir em benefício de FHC, o ex-deputado se defende: "As pessoas se esquecem que os governadores e os prefeitos também foram beneficiados", disse. "Em Pernambuco, [Miguel] Arraes [PSB] tentou se reeleger e foi derrotado [por Jarbas Vasconcelos, do PMDB]", disse. "Eu mesmo não fui reeleito em 2006, o que mostra que o eleitor não elege automaticamente quem já está no poder", afirmou ele.
Mendonça Filho, que é pré-candidato a prefeito de Recife, também afirmou ser contra a volta do mandato único de cinco anos. "Seria um retrocesso, a volta de um modelo testado e reprovado", disse. "Além disso, significaria uma bagunça geral no modelo de representação política do país, devido às alterações que isso provocaria no calendário eleitoral", afirmou.
Para o ex-governador, em vez de discutir essa questão, o país deveria se preocupar em "aprimorar os sistemas de fiscalização e transparência nos três níveis de governo [federal, estadual e municipal]".
Ele declarou ser contra o financiamento público de campanha e a favor da contribuição privada para o partido, e não para o candidato. Declarou também que apóia o voto distrital misto, por considerar que a "representação política do Parlamento, hoje, não expressa a vontade do eleitor".
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