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Até a erva era cover, por Waldemar Gonçalves - Russo

25 fevereiro 2011 - 16h48

Há exato uma semana atendi ao convite de uma das filhas a ir com ela até ao clube dançante denominado de Spaço para prestigiar o show cover do eterno titio Raul Santos Seixas, um dos maiores ícones da música brasileira, e já lá se arrependimento matasse com certeza estaria morto.
Deixando bem claro que o proprietário do ambiente musical em nada tem a ver com a história, pois bem intencionado o promoter contratou o cover baseado pela sua fama de ser o mais próximo do “titio Raul” musicalmente, porém quebrou a cara neste show, pois quem viveu há época de ouro deste baiano de Salvador que nasceu no dia 28 de junho de 1945 e faleceu em São Paulo no dia 21 de agosto de 1989, não tem idéia do quanto ele foi um famoso cantor e compositor brasileiro.
Para os que são entendidos e principalmente para os que não são entendam que Raul Seixas é até os dias de hoje considerado como sendo um dos pioneiros do rock brasileiro, sem esquecer que ele também foi produtor musical da gravadora CBS durante sua estada no Rio de Janeiro, e por muitas e muitas vezes foi -a ainda é- chamado de "Pai do Rock Brasileiro" e "Maluco Beleza".
Raul Seixas após a sua morte deixou sua obra musical composta por 21 discos lançados em seus 26 anos de carreira e o seu estilo musical tradicionalmente era classificado pelos críticos como rock e baião.
O eterno Raul Seixas pra quem também não sabe conseguiu unir rock e baião em músicas como "Let Me Sing, Let Me Sing" e seu álbum de estréia, foi com o seu grupo denominado de “Raulzito e os Panteras” em 1968, e foi produzido quando ele integrava também o grupo “Os Panteras”, todavia a sua notoriedade crítica e de público somente explodiu com as músicas do álbum Krig-Ha, Bandolo! lançado em 1973, que tinha músicas como "Ouro de Tolo", "Mosca na Sopa", "Metamorfose".
Depois destas musicas, o ambulante Raul Seixas adquiriu um estilo musical que o creditou de ser um "contestador e místico", e isso se deve aos ideais que mostrou como a “Sociedade Alternativa” ou quando cantava “Gita” música gravada em 1974.
O baiano verdadeiro -e não este cover que se apresentou em Dourados- se interessava por filosofia, principalmente metafísica e ontologia, psicologia, história, literatura e latim e algumas crenças dessas correntes foram muito aproveitadas em suas obras.
Raul Seixas para nos cinqüentões que vivenciaram a sua época conseguiu gozar de uma audiência relativamente alta durante a sua vida, e mesmo nos anos 80 continuou produzindo álbuns que venderam bem, como “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!” em 1987 e “A Panela do Diabo” dois anos depois, esse último em parceria com Marcelo Nova.
Mesmo com a sua morte a obra musical do bom baiano tem aumentado continuamente de tamanho, na medida em que seus discos, principalmente álbuns póstumos continuam a ser vendidos, tornando-o um símbolo do rock do país e um dos artistas mais cultuados e queridos entre os fãs nos últimos quarenta anos.
Pra quem não sabe, em outubro de 2008, a revista Rolling Stone Brasil promoveu a lista dos cem maiores artistas da Música Popular Brasileira, cujo resultado colocou Raul Seixas figurando a 19ª posição. A lista foi encabeçada com nomes como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Heitor Villa-Lobos e outros, porém no ano anterior, a mesma revista promoveu os cem maiores discos da MPB e o seu “Krig-Ha, Bandolo!” que foi lançado em 1973 atingiu a 12ª posição, e isso por si só demonstra que o vigor musical do “titio continua a ser considerado importante hoje em dia.
Por outro lado, depois desta explanação aos meus leitores, voltou a falar sobre este “cover” que pela terra de Marcelino Pires aportou e que graças a Deus foi embora, pois para mim com certeza, não deixou e não vai deixar saudades, porque senão vejamos.
Além de ele ser ruim em demasia, pois errou por diversas vezes as muitas letras fáceis de algumas músicas do “titio Raul Seixas”; a banda que o acompanhou, o acompanhou também na ruindade musical, principalmente o guitarrista que em razão de querer mostrar para o público que era “muito bom” também pecava principalmente nas introduções, e o baterista então, este sim não tocou bateria, mais sim, surrou-a o tempo inteiro, tanto que eu vi ao longo de suas evoluções, quebrarem seis baquetas.
Com um “cover” ruim, uma banda idem, e um som mal equalizado e distribuído tanto nos retornos do pequeno palco como no salão, e uma molecada mal informada, tanto que ao perguntar para um grupo deles, que entre Marcelo Novas e Paulo Coelho, qual deles teria sido a “alma gêmea” de Raul Seixas ao longo da sua carreira, os mesmos não hesitaram em responder erroneamente que teria sido o primeiro, aí eu disse, parei e fui, e respondi a eles que os mesmos entendem tanto de “titio Raul” como eu entendo de avião...!
Finalizando e já deixando claro que o “Juninho som” que é o dono da casa noturna não tem culpa, pois ele “comprou gato por lebre” e isso em muitas vezes é normal neste país de engodos e de vigarices, naquele espaço musical percebi que até mesmo uma minoria que se atreveu dentro do salão a “queimar um baseado” como os cinqüentões de hoje falavam naquela nossa bela época, não percebeu que a “erva que eles consumiram, também era cover” devido à péssima qualidade, um verdadeiro “paião” como se dizia na gíria, enfim, no meu entender, o que seria uma noite de nostalgia, foi sim, momentos de decepções, principalmente por se tratar de um péssimo imitador do “titio Raul”, esse sim, mesmo morto, inimitável ...!!! Depois desta, parei e fui, mais volto, se volto, fui...!!!

* Waldemar Gonçalves, o Russo é jornalista e membro do SINJORGRAN (Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados)

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