Pelos menos 40 indígenas foram assassinados no ano passado, sendo 20 deles do estado do Mato Grosso do Sul, predominantemente entre os índios Guarani-Kaiowá. Esse é o resultado de levantamento preliminar feito pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), divulgado dia 4.
Cerca de 55 mil índios vivem no Mato Grosso do Sul. Destes, entre 35 mil e 40 mil são Guarani-Kaiowá. Segundo o relatório, as mortes vão desde desentendimentos e brigas de casais e discussões dentro da própria família. De acordo com a assessoria do Cimi, dentre os 20 índios assassinados, 12 são Guarani-Kaiowá. Nos oito homicídios restantes, não foram identificadas as etnias, mas os índios viviam em áreas indígenas da etnia.
Considerando-se, então, num cálculo preliminar, que vivem entre 35 mil e 40 mil índios nas áreas guarani-kaiowá de MS, nas estimativas do Cimi, os 20 mortos representariam uma taxa de pelo menos 50 assassinatos por 100 mil habitantes. Isso representa praticamente o dobro da taxa nacional de homicídios (26,7 por 100 mil) e é quase 70% superior à taxa do estado de MS (29,3 por 100 mil).
O índice se aproxima do verificado na cidade do Rio de Janeiro (56,4) e só é superado pelo registrado em outras cinco capitais: Vitória, Porto Velho, Maceió, Belo Horizonte e Recife. Todos os números são do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e se referem a 2004.
Segundo o relatório, as mortes no estado “pedem um olhar mais cuidadoso”. O vice-presidente do Cimi, Saulo Feitosa, diz que a maior preocupação do conselho são os assassinatos cometidos pelos próprios índios, e que a questão fundiária seria o principal motivo. “No Mato Grosso do Sul, acontecem várias tensões externas e internas, e isso gera violência. E a não resolução do problema fundiário tensiona essas questões”, destaca.
Feitosa avalia que o uso do álcool pelos índios é conseqüência da realidade social vivida, já que o problema das terras não é resolvido. “Esse uso de bebidas alcoólicas agrava as cenas de violência, que podem gerar mortes”, enfatiza o vice-presidente do Cimi.
Relatório feito pela antropóloga Lucia Helena Rangel, do Cimi, mostra que os índios Guarani-Kaiowá sofrem com um dos menores índices de terra por habitante entre os grupos indígenas do país. Em algumas áreas, há menos de um hectare por pessoa.
No ano de 2005, foram registradas 43 mortes, ao todo. Tanto os dados deste ano como os do ano anterior são considerados altos por Feitosa, já que o total de índios no país é de 734 mil.
Os dados do estudo são resultado do cruzamento de informações dos técnicos do Cimi que monitoram as aldeias com notícias publicadas na imprensa. O Relatório de Violência contra Povos Indígenas no Brasil em 2006 deve ser divulgado em abril.
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