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As raízes da violência

13 abril 2007 - 07h02

Na manhã do dia 8 de março, dia internacional da mulher, morreu em Florença, na Itália, por problemas cardiorrespiratórios, um bebê que lutava pela vida na unidade de terapia intensiva do Hospital Pediátrico Meyer, depois de ter sobrevivido a um aborto, provocado no quinto mês de gravidez. A mãe havia optado pelo aborto depois que dois exames indicaram a possibilidade de malformação do feto.
Após a cirurgia, realizada no dia 2 de março, constatou-se que o bebê não apresentava nenhum dos problemas anunciados pelos médicos, além das dolorosas mutilações causadas pelo aborto. Ele estava vivo e sadio, apesar de pesar apenas 500 gramas e medir 20 centímetros.
Giancarlo Scarselli, diretor do Departamento de Ginecologia do hospital, explicou que a opção pelo aborto foi feita pela mãe, de acordo com a lei italiana que regula as condições e procedimentos para a interrupção voluntária da gravidez.
Segundo o diretor, a mulher se negou a fazer uma ressonância e a consultar um cirurgião pediátrico, como teriam aconselhado os médicos do hospital. «Infelizmente, somente depois do aborto, descobrimos que o bebê era saudável», afirmou.
Quando não se tem a sabedoria de Deus, vira-se um carro desgovernado: será milagre se não acontecer um acidente! Com uma lógica que não passa de loucura, tenta-se explicar o inexplicável. Quem mais grita, mais pensa estar com a razão!
Assim, bradamos contra as autoridades que não sabem a que santo recorrer para conter a violência que cresce em toda a parte, mas, ao mesmo tempo, cometemos a maior das injustiças contra quem não pode se defender. Enquanto julgamos o aborto uma conquista da civilização, fingimos nos escandalizar porque bandidos trucidam crianças, adolescentes esfaqueiam colegas, alunos assassinam professores, maridos matam esposas, filhos se rebelam contra os pais e idosos são queimados em asilos!
Eliminar um ser humano no ventre materno não é crime, mas, se ele chega a nascer, jogá-lo no lixo passa a ser um homicídio qualificado: onde está a coerência? Não nos admiremos, então, se Herodes ressuscitar e decretar que matar as crianças antes dos dois anos de vida não é pecado! Ou se reaparecer Hitler e ordenar que todas as pessoas que atingirem os 60 anos serão incineradas nas câmaras de gás para evitar que as aposentadorias tragam um colapso para a nação!
Defendendo e promovendo o aborto, estaremos voltando a tempos bem mais obscuros do que a injustiçada Idade Média! Na Esparta antiga, os meninos recém nascidos, que não pareciam aptos para a guerra, eram eliminados. Na Roma pré-imperial, o pai tinha direito de vida e de morte sobre a sua família. Entre os Astecas, a imolação de crianças fazia parte do culto religioso. E não muito distantes de nós (no tempo e no espaço), há tribos e povos que continuam abandonando filhos deficientes e gêmeos...
A sociedade que estamos construindo é dominada pelo consumismo, pelo materialismo e pelo hedonismo. Quem merece o direito de viver são os que estão por cima! Os outros, que se danem! O valor e o prestígio de cada um dependem do poder, do dinheiro, do cargo e da profissão que tem ou exerce. Assim sendo, diminui cada vez mais o lugar reservado às crianças, aos idosos, aos doentes e aos portadores de deficiência.
Contudo, o 5° Mandamento da Lei de Deus - «Não matarás!» (Êx 20, 13) – vale para todos, independentemente se forem bandidos ou policiais, negros ou brancos, crianças ou idosos, médicos ou pais!
È por isso que me pergunto se tem sentido organizar passeatas contra a violência quando incentivamos a “cultura de morte” que é o aborto? “Um outro mundo será realmente possível” se a opção pelos excluídos e marginalizados incluir a vida do nascituro – não poucas vezes, o mais excluído e marginalizado de todos!
Apesar de nunca me julgar chegado a “profecias”, começo a pensar que São Paulo acertou em cheio quando escreveu a seu amigo e discípulo Timóteo: «Deves saber que nos últimos tempos surgirão situações complicadas. Os seres humanos serão egoístas e cobiçosos, fanfarrões e arrogantes, mais amigos do prazer do que de Deus. Embora preservem formas de religiosidade, renegam seus compromissos. São gente de mentalidade corrompida, reprovados na fé. Mas não irão muito longe: sua loucura será manifesta para todos» (2Tim 4, 1-2.4.9).
Se existe castigo de Deus – coisa em que eu pessoalmente não acredito –, só pode ser este: deixar que cada um prossiga no caminho que escolheu... «Eis que ponho diante de ti a bênção e a maldição. Escolhe a vida, e viverás tu e tua descendência!» (Dt 30, 19).


Dom Redovino Rizzardo, cs

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