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Artigo: Produção de cana-de-açúcar e de grãos

25 março 2008 - 17h32

A safra de 2007/2008 promete ser uma das mais lucrativas e rentáveis no Mato Grosso do Sul, tanto para produtores, como para o agronegócio em geral. Os bons preços das commodities e a introdução da indústria da agroenergia no Estado aumentam as expectativas de todos, diferente da situação enfrentada nos últimos 3 anos, onde produtores não obtiveram bons lucros por conseqüência de fatores naturais, como a estiagem e outros de ordem política e comerciais.
A soja, cultura mais plantada no Estado, apesar das intensas chuvas principalmente no período de início da colheita e do surgimento de algumas pragas e doenças que afetaram significativamente algumas cultivares, deverá atingir elevadas médias em produtividade, fechando com uma boa receita ao produtor. Ainda que a área plantada com o grão tenha se mantido no mesmo patamar – em torno de 1,73 milhão de hectares – a produção estimada total no Mato Grosso do Sul continua na casa de 5 milhões de toneladas contra 4,8 milhões produzidas na safra 2006/07.
E passado um pouco o “turbilhão” do preço do grão, que girava em torno de R$ 44,00 a saca de 60 kg, agora os preços caem em torno de 10%, efeito já esperado quando a oferta do produto começa a surgir em boas quantidades no mercado. Os sojicultores, mesmo assim, contabilizarão bons lucros, e mesmo com as possíveis perdas, ainda o plantio de soja continuará atraente para o produtor rural.
O milho, também importante commodity produzida no Estado, somando as safras de verão e a safrinha, também deve apresentar aumentos, tanto na área plantada como na produção. Cerca de 7% de aumento de área estão sendo esperados, saltando de 96 mil hectares na última safra para em torno de 101,9 mil a 104,9 mil hectares, e projetados a colheita de 2,97 milhões de toneladas do grão.
Com base nesses números, a cana-de-açúcar, nova vedete da agricultura estadual, terá seu espaço garantido. Não acreditamos que a cana-de-açúcar virá a “engolir” as nossas outras commodities, como no caso a soja e o milho, e se tornar uma nova monocultura O etanol, álcool biocombustível produzido para motores carburantes, hoje um dos principais produtos da cadeia agrícola do Estado, encontrará o seu espaço, sem que para que seja produzido ocupe o espaço destinado aos alimentos.
Executivos de importantes empresas multinacionais instaladas em Dourados, que atuam nas áreas de financiamentos, compra e venda e processamento de soja, são enfáticos ao afirmar que os tradicionais produtores do grão não deixarão de produzi-lo para se “aventurarem” com a cana-de-açúcar, mesmo porque, com os atuais preços do grão e as boas condições ocorridas nesta safra, a soja continuará sendo um dos maiores atrativos para o produtor. Na região de Dourados, conforme dados ainda não-oficiais, a soja perdeu apenas 4 mil hectares para a cana-de-açúcar.
A constatação oficial é de que as áreas que mais vêm sendo ocupadas com cana-de-açúcar Estado de Mato Grosso do Sul são as áreas de pastagens e as degradadas. Técnicos do departamento de produção agrícola das usinas de açúcar e álcool nos municípios de Nova Alvorada do Sul, Rio Brilhante, Maracajú, Nova Andradina e Naviraí, juntamente com fiscais agropecuários da Superintendência Federal da Agricultura, ao fazerem em novembro de 2007 um levantamento das pragas dos canaviais no MS, obtiveram dados importantíssimos a cerca da expansão da produção de cana-de-açúcar. E, para os que acreditam no benéfico crescimento do setor sucroalcooleiro, os números do levantamento mostraram que, dos cerca 135 mil hectares de canaviais verificados, 32 mil são novas áreas de expansão. E o mais interessante é que, desses novos 32 mil hectares, 95% foram plantios realizados em áreas de pastagens ou solos degradados. Ou seja, apenas 5% das novas áreas de cana-de-açúcar substituíram as antigas culturas, como a soja, por exemplo.
A realidade é que ambas as culturas estão em seu auge. Os preços são convidativos, o momento de necessidade mundial favorece aos produtores de soja, milho, carne e de cana-de-açúcar, e nosso Estado dispõe de condições extremamente favoráveis à produção harmônica tanto de alimentos como de bioenergia. Nos últimos anos, o volume de óleo de soja consumido no mundo tem se aproximado, e muito, do total do volume produzido, por conta do aumento da necessidade do mesmo na alimentação ao redor do planeta, e também pela necessidade de nossa produção interna de biodiesel.
Com certeza esse levantamento das áreas de expansão da cana-de-açúcar chega em boa hora, para provar que o Mato Grosso do Sul pode acolher quaisquer culturas que se adaptem ao nosso clima e solos. Será necessário para este ano ainda a realização do Zoneamento Agroecológico proposto pelo Governo do Estado, e coloca-lo em prática imediatamente. Será uma ferramenta importante para que os produtores saibam com mais precisão qual o melhor local para se produzir determinadas culturas, além de auxiliar para que os mesmos saibam produzir sem esquecer de preservar o meio-ambiente. Se soubermos nos adequar às novas realidades e necessidades mundiais, com toda tranqüilidade, poderemos tirar proveito de nossas riquezas, e ser um Estado em constante crescimento no que diz respeito ao leque de opções de produção agrícola.
Aliás, precisamos despontar, e muito, pois, com todo esse potencial, dispondo de muita terra fértil e clima adequado, ainda fomos o 11º Estado brasileiro em exportação do agronegócio em 2007. Mas com as tendências internacionais de consumir cada vez mais soja, milho e biocombustíveis, e com o incentivo do Governo do Estado, poderemos melhorar nossa posição no ranking, e transformar o Mato Grosso do Sul numa verdadeira potência produtora e exportadora.

Helbert de Matos Zanatta
Graduado em Relações Internacionais
Pós-Graduando em Gestão do Agronegócio
Bolsista na Embrapa/Área da Agroenergia
helbertzanatta@yahoo.com.br

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