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Após proibição na escola, menina quer ser menino

17 dezembro 2009 - 17h53

Aos 2 anos e 8 meses de idade, Isa resolveu que não quer mais ser menina. A “decisão” veio depois de uma experiência triste na escola onde estudava até novembro, em Três Lagoas. Disposta a jogar futebol com os colegas, a menina foi proibida pela direção e teve como única saída fazer balé.

A postura da escola revoltou os pais e criou uma confusão na cabeça da criança, conta a mãe Fabrina Martinez, uma jovem jornalista. “Foi muito grave. Uma escola não pode pregar esse tipo de segregação”, comenta.

Depois disso, a menina passou a repetir frase que deixam os pais preocupados, diz a mãe. “Ela pergunta porque é diferente, porque é assim e repete que quer ser menino “porque é mais legal” e que “menina de verdade não joga futebol”, reproduzindo o que ouviu na escola.

O esmalte nas unhas, “rotina de beleza” de Isa, passou a incomodar a menina. Um dia, ao sair com os pais para jogar bola, pediu apra a mãe tirar.

Isa continua adorando bonecas, roupas de princesas, e com a vaidade de uma criança de 2 anos e 8 meses, mas cheia de dúvidas.

A reação da escola que deu origem aos questionamentos da menina ocorreu quando Isa resolveu trocar o balé pelo futebol. “Um dia ela chegou em casa e disse que queria jogar. Coloquei então short, tênis e camiseta do Brasil na mochila e avisei que naquele dia ela não queria fazer aula de balé e sim de futebol”, conta a mãe.

A jornalista lembra que advertiu a funcionária que a atividade só deveria ser alterada, caso Isa mudasse de idéia e decidisse novamente pelo balé. “Ela olhou é ainda disse assim: se é o que vocês querem”.

Ao buscar a filha na escola, Fabrina ficou surpresa ao ver a menina “intacta”, sem nenhum dos sinais naturais de quem correu durante uma partida de futebol. Ao questionar a professora, a resposta foi como uma bordoada. “É que menina faz balé”, relata.

Em casa, Isa ainda contou que “a tia brigou”, só por discordar da vontade de experimentar o futebol.

De mudança - Desde os 8 meses a escola era a segunda casa da menina, o que causa indignação ainda maior na mãe. “Era o referencial de vida social da minha filha, parte da nossa vida. Ela cresceu convivendo com pessoas daquela escola.”

O mais grave, na opinião dela, é que o ambiente que deveria formar cidadãos, reforça preconceitos.

O casal decidiu transferir Isa de escola, mas já ao fazer a matrícula na nova instituição buscou deixar claro o que pensa a família e questionou qual a linha adotada pelo colégio. “Perguntei tudo e também relatei o que aconteceu na outra escola para que nunca mais ela (filha) tenha de passar por isso”, conta o pai, publicitário Lucas Coelho.

Em casa, a postura é valorizar as escolhas de Isa e mostrar que ela não errou a optar por algo não convencional. “Tenho tatuagem no peito e em Três Lagoas costumo dizer que só me sinto bem em encontro de motociclistas. Quero que minha filha não tenha preconceito no futuro por fazer parte da família não convencional de onde ela veio”.

Na escola Doce Infância, onde Isa estudava, a direção apenas informou que não fala sobre o assunto por telefone e que entrevistas só seriam dadas pessoalmente.

A história de Isa virou reportagem de revista especializada em desenvolvimento infantil, a Crescer. Profissional da Universidade Mackenzie de São Paulo foi consultada e explicou que na idade da menina “não existe uma separação de gênero na cabeça da criança. Ela simplesmente vê outra criança fazendo e quer imitar", disse a supervisora de psicologia da Universidade Mackenzie, Solange Aparecido Emílio.

Para os especialistas equívocos como o que ocorreu com Isa tumultuam questão de gênero e estabelece conflitos muito cedo à infância. Também quebra vínculo e a confiança na escola, pela falta de flexibilidade.

A dica aos pais é enfrentar esses conflitos com calma, para que a criança esqueça.

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