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TELEVISÃO

Após comentário racista, William Waack é demitido da TV Globo

22 dezembro 2017 - 12h20Por Correio da Bahia

Mais de um mês após aparecer em um vídeo fazendo um comentário racista, o jornalista William Waack foi demitido da TV Globo. A informação foi divulgada pela emissora em um comunicado nesta sexta-feira, dia 22 de dezembro, assinado pelo diretor de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel e pelo ex-âncora do "Jornal da Globo".

"A TV Globo e o jornalista decidiram que o melhor caminho a seguir é o encerramento consensual do contrato de prestação de serviços que mantinham", diz o comunicado divulgado pela emissora.

No mesmo texto, o jornalista nega que teve o objetivo de fazer ofensas raciais. "Em relação ao vídeo que circulou na internet a partir do dia 8 de novembro de 2017, William Waack reitera que nem ali nem em nenhum outro momento de sua vida teve o objetivo de protagonizar ofensas raciais. Repudia de forma absoluta o racismo, nunca compactuou com esse sentimento abjeto e sempre lutou por uma sociedade inclusiva e que respeite as diferenças", diz outro trecho.

A emissora já confirmou que a jornalista Renata Lo Prete vai assumir o Jornal da Globo definitivamente. Ela estava à frente do jornal desde novembro, quando Waack foi afastado. Renata era âncora do Jornal das Dez da Globo News, que agora vai ser comandado por Heraldo Pereira. A emissora também anunciou que Natuza Nery será comentarista de política do Jornal das Dez.

"Dois de nossos mais importantes telejornais têm novos apresentadores. Renata Lo Prete, que vinha apresentando o Jornal da Globo como interina, passa imediatamente após o Natal a ser a titular do telejornal. Heraldo Pereira, a partir do ano que vem, será o novo apresentador do Jornal das Dez, da Globo News. São dois dos mais talentosos jornalistas brasileiros liderando duas das mais importantes de nossas bancadas. Renata Lo Prete será também a titular do programa Painel, da Globo News", diz o comunicado divulgado por Ali Kamel.

Entenda

Um vídeo divulgado em novembro deste ano mostra o jornalista gravando em frente a Casa Branca, nos Estados Unidos, quando um carro passa buzinando e ele reclama. "Tá buzinando por que, seu merda do cacete?”, diz o jornalista, reclamando de uma buzina. Ele diz então para o convidado que está ao seu lado para a transmissão: “Você é um, não vou nem falar, eu sei quem é…” Depois, ele se vira para o convidado e diz: “É preto, é coisa de preto”, aparentando irritação.  

O vídeo foi gravado em novembro de 2016, mas só foi divulgado esse ano. A hashtag #WilliamWaack foi para o segundo lugar entre os assuntos mais comentados do Twitter no Brasil no dia da divulgação do vídeo. No mesmo dia, ele foi afastado da bancada do Jornal da Globo. 

No dia seguinte, dois jovens admitiram terem vazado o vídeo em que William Waack se prepara para uma passagem durante a cobertura da eleição de Donald Trump, no ano passado. O operador de VT Diego Rocha Pereira, 28 anos, e o designer gráfico Robson Cordeiro Ramos, 29, afirmaram à Jovem Pan que foram eles os responsáveis por divulgar as imagens.

Ex-funcionário da Rede Globo, Diego diz que a equipe de link externo estava se preparando para a entrada de Waack com um consultor - mesmo quando a imagem não está sendo transmitida, os operadores têm acesso a ela. “Tudo aconteceu enquanto a produção estava colocando o microfone nele”, explica Diego.

“Eu ainda voltei as imagens para ter certeza, não estava acreditando que ele teria falado aquilo. Fiquei tão revoltado que filmei com meu celular”, diz.

Quem divulgou o vídeo foi Robson.  “Soltei o vídeo em um grupo de líderes do movimento negro”, conta, garantindo que a intenção não era necessariamente atingir Waack. “Mas não foi premeditado essa repercussão, a ideia era mostrar para os amigos que um jornalista influente como ele também poderia ser racista”, afirma.

Confira o comunicado na íntegra:

"Em relação ao vídeo que circulou na internet a partir do dia 8 de novembro de 2017, William Waack reitera que nem ali nem em nenhum outro momento de sua vida teve o objetivo de protagonizar ofensas raciais. Repudia de forma absoluta o racismo, nunca compactuou com esse sentimento abjeto e sempre lutou por uma sociedade inclusiva e que respeite as diferenças. Pede desculpas a quem se sentiu ofendido, pois todos merecem o seu respeito.

A TV Globo e o jornalista decidiram que o melhor caminho a seguir é o encerramento consensual do contrato de prestação de serviços que mantinham. A TV GLOBO reafirma seu repúdio ao racismo em todas as suas formas e manifestações. E reitera a excelência profissional de Waack e a imensa contribuição dele ao jornalismo da TV Globo e ao brasileiro. E a ele agradece os anos de colaboração".

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