As águas do rio Paraguai, em Mato Grosso do Sul, começam a baixar depois de uma das maiores cheias das últimas décadas, segundo o monitoramento da Embrapa Pantanal. Em média, o nível do rio baixa dois centímetros por dia e os pantaneiros não veem a hora de retomar a rotina com o rebanho que será levado de volta às pastagens da região.
No porto geral de Corumbá, a marca no muro de contenção mostra onde a água chegou no pico da cheia. Desde o início do ano os produtores do Pantanal tiveram trabalho para retirar o gado das áreas alagadas.
Apesar do nível estar baixando o comportamento das inundações é dinâmico dizem os produtores. O pecuarista Manoel Martins explica que o recuo do nível das águas não significa tranquilidade para os criadores.
“Passamos pelo pior em termos de inundação. Agora vem a questão da sobrevivência do gado. Como ficaram as propriedades, o manejo como vai ficar, todas essas dificuldades que são consequências de uma inundação como foi deste ano”, afirma o produtor.
No pico da cheia em este ano, o nível do rio Paraguai em Ladário chegou a cinco metros e 62 centímetros. O Pantanal é considerado fora da cheia quando o volume cai para os quatro metros. Agora o comportamento do rio mostra que a situação está próxima da normalidade.
O nível do rio na régua da marinha em Ladário, usada para medir a cheia no Pantanal, já está em torno dos cinco metros. Com a queda de dois centímetros por dia os produtores pantaneiros ainda terão que esperar cerca de quatro meses para movimentar o gado nas áreas alagadas.
O pesquisador da Embrapa Pantanal, Carlos Padovani, explica que o prazo para que os pastos sequem depende da localização das propriedades.
“O Pantanal das regiões do Miranda, Aquidauna, Abobral e a baixa Nhecolância já estão em um estado bem avançado de drenagem. Já estão secando bastante. Então, nos próximos meses o gado pode voltar. Já no Nabileque, que é uma região mais baixa, vai demorar mais para secar, até pela influência grande que teve dos rios Miranda e Aquidauana. Acredito que para secar completamente o Nabileque vai demorar pelo menos até novembro ou dezembro”, comenta o pesquisador.
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