Esgotado o prazo, apenas o deputado Marcelino Fraga (PMDB-ES) renunciou hoje ao mandato para evitar o processo de cassação por estar envolvido com a máfia dos sanguessugas. O deputado teria recebido R$ 35 mil do esquema. Seu assessor recebeu mais R$ 10 mil, conforme depoimento de Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam, cabeça da quadrilha.Além dele, o deputado Coriolano Sales (PFL-BA) também abriu mão do mandato, mas a decisão foi tomada na semana passada. Os demais apostam no curto período que resta desta legislatura para escaparem da cassação.O quadro ainda pode mudar dependendo da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). Onze deputados acusados de envolvimento no esquema ingressaram no STF para tentar retardar a abertura do processo no Conselho de Ética. O STF já indeferiu uma liminar, mas três ainda precisam ser julgadas. Se atender aos deputados, o prazo para a renúncia será aberto novamente.ProcessosCom a decisão de Fraga e Coriolano, o número de processos que serão abertos no Conselho de Ética da Câmara foi reduzido para 67. No total, a CPI dos Sanguessugas denunciou 69 deputados e três senadores.Políticos experientes citam dois motivos para que a maioria dos deputados acusados tenha optado por enfrentar o processo político e a ameaça de perder o mandato e os direitos políticos por oito anos. Primeiro, a pressão dos partidos, que ficariam muito expostos neste período pré-eleitoral. Se poucos renunciassem, os nomes e as legendas dos que decidissem por esse caminho ficariam muito expostos, como ocorreu com Coriolano Sales.Segundo, por pressão dos próprios deputados denunciados. Quanto maior o número de processos, mais difícil é a cassação dos envolvidos, como ficou comprovado no escândalo do mensalão. Dos 14 que enfrentaram o processo, apenas três foram cassados.A conta dos sanguessugas que apostam no corporativismo é que, se cada um dos acusados conseguir o apoio de mais quatro colegas, o deputado sai ileso de um processo de cassação.PlantãoA Mesa da Câmara esteve de plantão até a meia-noite desta segunda-feira no aguardo das renúncias. O prazo é o limite para que o Diário Oficial da Congresso seja confeccionado. Só valem as renúncias que estiverem publicadas no D.O desta terça-feira (23), quando o presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), instaura os processos. Depois disso, as renúncias não têm mais o efeito de paralisar as investigações.Assessores dos deputados denunciados ficaram na Câmara até tarde sinalizando que muitos deputados não estavam convictos da decisão de enfrentar o processo. Acabaram apostando na pizza.
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