As duras críticas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ao PT na noite de sexta-feira durante o jantar de comemoração aos 27 anos do partido incendiaram a disputa interna entre as tendências que formam a legenda. E, 24 horas depois das palavras e dos recados diretos e indiretos, as correntes ideológicas deram sinais de que vão manter a briga pública pelo poder dentro do partido. A reação não era a esperada por Lula, que, com o discurso, tentava unificar o PT.
O primeiro grupo a reagir foi a Democracia Socialista (DS). A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, rejeitou os conselhos do presidente. Segundo ela, Lula foi infeliz na sua avaliação sobre as disputas entre as correntes. “Desestabilizar o debate interno não é a melhor proposta neste momento em que o PT se prepara para o III congresso do partido. Nosso maior patrimônio é a capacidade de debater e construir a unidade política”, comentou a governadora. Ela estava presente às comemorações e se disse lulista, mas ficou irritada porque o presidente errou o seu sobrenome em duas solenidades, chamando-a de “Carapeta” ao invés de Carepa.
O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro — cotado para a pasta da Justiça na reforma administrativa prevista para depois do carnaval e apontado como um dos alvos dos recados de Lula —, não considerou as palavras do presidente uma crítica ao documento que elaborou junto com a DS criticando o grupo ainda majoritário no partido. “Não entendo como recado, mas preocupação justa que um presidente tem de ter. Ele colocou de maneira clara que não vai arbitrar as contendas do partido”, disse o ministro, que participou, ontem, da reunião do diretório nacional da legenda, em Salvador.
Os militantes e parlamentares do grupo chamado Movimento PT chegaram a comemorar o discurso. Lembraram que as referências feitas pelo presidente ao PSB, ao PC do B e PDT foram uma demonstração de que a aliança partidária do PT deve ser fechada, prioritariamente, com os partidos da base aliada ao Palácio do Planalto. “Ao invés de debates ideológicos, o presidente propõe que o partido se engaje nas políticas que estão sendo debatidas para o país, como na área da educação e de política industrial”, comentou o deputado Cândido Vacarezza(SP). Ele foi um dos principais articuladores da candidatura do deputado Arlindo Chinaglia(SP) à Presidência da Câmara.
Os deputados e dirigentes do grupo Construindo um Novo Brasil — cujo presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), é a maior expressão — viram na referência feita pelo presidente Lula aos erros que todos cometem “na vida e na história” uma espécie de absolvição pelo envolvimento de vários militantes da corrente com os escândalos do mensalão e da tentativa de compra do dossiê Vedoin, às vésperas das últimas eleições. No jantar da noite de sexta-feira, Lula citou o deputado cassado José Dirceu e cumprimentou o ex-ministro no final do discurso.
O deputado José Eduardo Cardozo (SP), que já foi da mesma corrente do presidente Lula, antigamente conhecido como Articulação, discorda da avaliação do presidente sobre as disputas internas. Segundo ele, ser companheiro é ouvir o outro, respeitar a divergência de opinião e debater para se chegar a uma unidade política. “Ser companheiro é lutar juntos para manter a coesão daquilo que se defende, ouvindo e respeitando a opinião do outro”, comentou. (Correio Braziliense)
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