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Antropólogo diz que área em Japorã é território Guarani

05 janeiro 2004 - 12h28

Os estudos antropológicos realizados na área de 7.861 hectares, onde existem cerca de 8 fazendas, pleiteada pelos indígenas da Aldeia Porto Lindo em Japorã, comprovaram que a área realmente foi ocupada por indígenas da etnia Guarani no passado, segundo o  antropólogo Fábio Moura, responsável pelos estudos antropológicos da região.Segundo Fábio Moura, os estudos não deixaram dúvidas sobre a ocupação indígena daquela área no início do século passado. O antropólogo informou, também, que os estudos se basearam em documentações antigas e depoimentos de indígenas idosos da própria etnia Guarani e de outras etnias de estão espalhados em aldeias da região e tiveram contatos com a área em estudo, quando ainda era ocupada pelos indígenas da etnia Guarani. “Para essa área não foi aplicado, com grandes intensidades, estudos sobre antigos cemitérios, haja vista que a etnia Guarani não prima por culto aos mortos e não se apegam a sepulcros como outras etnias indígenas”, explicou. “Os estudos foram baseados em documentos antigos sobre a região e depoimentos de indígenas de idade avançada, espalhados em aldeias da região”, concluiu Fábio Moura, ao informar que, ainda na primeira quinzena desse mês, janeiro, o processo sobre os estudos realizados na área, que havia sido devolvido de Brasília para correções, será novamente enviado para Brasília, já com as correções realizadas, para perseguir os andamentos do processo de desapropriação da área e a devolução para os indígenas, processo este, que segundo o antropólogo Fábio Moura, prevê apenas a indenização das benfeitorias realizadas pelos “ocupantes”, sobre as terras em questão, por parte do Governo Federal. Fabio Moura disse ainda que a área reivindicada pelos indígenas é delimitada por divisas naturais e está situada entre dos córregos Guassuri, Jacareí e Rio Iguatemi, formando uma espécie de triângulo. No dia 23 de dezembro, um dia após a invasão da Fazenda São Jorge, o antropólogo esteve na sede da fazenda e manteve uma reunião com as lideranças do grupo invasor, onde teria relatado, aos silvícolas, como estaria o andamento dos estudos sobre a região.Um dos líderes do grupo desenhou, no solo, um mapa da área a ser ocupada pela etnia Guarani, delimitada ao oeste pelo Córrego Guassurí, ao sul pela própria Aldeia Porto Lindo ao leste pelo Córrego Jacareí e ao norte pelo próprio Rio Iguatemi, que divide os municípios de Iguatemi e Japorã. “Nessa área existem pelo menos oito fazendas e todas serão ocupadas gradativamente até que toda a área retorne para nós”, disse uma das lideranças do grupo invasor.Hoje o grupo invasor já ocupa duas fazendas, a São Jorge, antiga Agrolak, o retiro Água Branca, pertencente à própria fazenda São Jorge e a Fazenda Paloma. Na primeira fazenda ocupada pelos indígenas, a São Jorge, os silvícolas já começaram a construir seus barracos a trazer suas mudanças da Aldeia Porto Lindo. “Nossas famílias já estão se instalando nessa região, inclusive se mudando para cá”, disse um dos indígenas membros do grupo que lidera a invasão.Os silvícolas estão armados, muitos deles, inclusive com armas de fogo de grosso calibre, segundo a Polícia Militar de Iguatemi, e mantém uma guarda permanente na entrada das fazendas invadidas, onde os visitantes são recebidos com certa hostilidade, tendo, inclusive, que se submeter a costumes do grupo, que é ter o rosto pintado através do emprego de urucum e óleo vegetal e escolta armada até a sede das propriedades, onde são apresentadas as lideranças do movimento. Segundo as lideranças indígenas são existe e não existirá nenhuma espécie de acordo para a desocupação das áreas invadidas.

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